Cônego José Thomaz de Aquino Menezes

Cônego José Thomaz de Aquino Menezes faleceu em 1952, em Teresópolis (RJ), após uma vida dedicada simultaneamente ao ministério sacerdotal, ao magistério e à literatura. Nascido em 7 de março de 1889, em Caruaru (PE) – com registros que o apontam também como natural da vila de Gararu (SE) em 1882 –, seguiu desde cedo o caminho da vocação religiosa, aliando formação intelectual sólida e sensibilidade poética.

Estudou no Seminário de Olinda, onde recebeu a ordenação presbiteral em 13 de novembro de 1913. A partir daí, iniciou um percurso profundo no serviço à Igreja e à educação, tornando-se conhecido como professor de português, latim, história universal e história do Brasil. Seu gosto pelas letras se manifestou desde os primeiros anos, especialmente na poesia.

Poeta e homem de letras

Cônego José Thomaz destacou-se pela produção poética, sobretudo em forma de soneto. Entre seus poemas mais conhecidos, figuram “Mãe”, “Sub Vesperum”, “Despedida”, “Saudade”, “13 de Maio” e “A Mãe do Jangadeiro”, peças que revelam sua sensibilidade espiritual, afetiva e social. Costumava assinar seus textos com pseudônimos, como “Gil do Valle” e “Pio X”, prática comum em círculos literários da época.

Sua atuação intelectual não se limitou à poesia. Fez parte do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas, contribuindo para a reflexão histórica e cultural daquela região. Entre suas obras, destacam-se:

  • Dias de Glória
  • O Latim na História
  • Lexiologia Latina
  • Oração congratulatória pronunciada em público por ocasião da adesão do Amazonas à Independência do Brasil (7 de setembro de 1922)

Esses trabalhos evidenciam sua paixão pelo latim, pela história e pela cultura, bem como sua capacidade de unir erudição e fé.

Ministério e vida em Teresópolis

Reconhecido pela Igreja com o título de cônego, recebeu distinção honorífica que espelha o apreço pelo seu serviço pastoral. Era um grande orador, conhecido por discursos eloquentes e sermões que uniam firmeza doutrinária, elegância de linguagem e profunda espiritualidade.

Em 1940, veio para Teresópolis (RJ), em um momento em que a Igreja Matriz de Santa Teresa estava em reforma. Sua presença colaborou com a vida da comunidade, tanto no âmbito litúrgico quanto cultural, aproximando fiéis da riqueza da tradição cristã e da beleza da palavra bem dita e bem escrita.

Na cidade serrana, deixou a marca de pastor culto e acessível, que falava ao povo com clareza e profundidade, e ao mesmo tempo se dedicava ao estudo, à escrita e à reflexão sobre a história, o latim e a fé.

Legado

Com sua morte, em 1952, Teresópolis e a Igreja perderam um sacerdote que uniu vocação religiosa, magistério e literatura em uma mesma vida. Cônego José Thomaz de Aquino Menezes permanece na memória como professor exigente e dedicado, poeta sensível, intelectual atuante e orador admirado.

Seu legado se inscreve nas salas de aula onde ensinou, nos textos que escreveu, nas instituições culturais das quais participou e nas homilias e discursos que marcaram aqueles que o ouviram. Entre a cátedra e o púlpito, entre o latim e a língua portuguesa, entre a história e a poesia, sua vida foi um testemunho de como a fé pode dialogar com a cultura e enriquecê-la, deixando à Igreja e à sociedade um exemplo de sacerdócio culto, fiel e profundamente humano.