Monsenhor Gilberto Ferreira de Souza

Monsenhor Gilberto Ferreira de Souza, um dos nomes mais significativos da história religiosa e acadêmica de Petrópolis, faleceu no dia 14 de abril de 2006, em sua cidade natal, aos 84 anos. Sua trajetória marcou profundamente a Diocese de Petrópolis, a formação de sacerdotes e o meio universitário, pela dedicação ao ensino, à orientação espiritual e ao serviço à Igreja.

Nascido em Petrópolis em 15 de maio de 1921, cresceu em um lar simples e profundamente religioso. Seus pais, Alicio Ferreira de Souza e Jorgina Ferreira de Souza, eram reconhecidos por sua piedade. Órfão de mãe ainda jovem, foi educado pela avó Felicidade Ferreira de Souza, de quem recebeu sólida formação cristã, que sustentaria toda sua vida e vocação.

Iniciou os estudos no Grupo Escolar Dom Pedro II, em Petrópolis, e, movido pela vocação sacerdotal, ingressou no Seminário Arquidiocesano do Rio de Janeiro. Prosseguiu depois para o Seminário Provincial de Belo Horizonte e completou sua formação no Instituto Superior de Direito Canônico, no Rio de Janeiro, agregado à Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, o que lhe deu sólida base teológica e jurídica.

Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1945, em Niterói, em cerimônia presidida por Dom José Pereira Alves. Logo após a ordenação, iniciou um diversificado ministério como educador e formador de futuros sacerdotes, atuando como professor no Seminário Diocesano de Niterói. Revelou-se, desde cedo, um educador emérito, capaz de unir rigor intelectual, clareza doutrinária e sensibilidade pastoral.

Na Diocese de Petrópolis, seu nome está profundamente ligado à formação e à vida acadêmica. Foi o primeiro reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, acompanhando várias gerações de seminaristas. Na Universidade Católica de Petrópolis, atuou como professor titular de Ciências Morais e Religiosas e como diretor do Instituto de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas, mantendo contato diário com a juventude estudantil e animando-a com a força de seu espírito e a profundidade de suas convicções.

Seu gabinete tornou-se ponto de referência para alunos, sacerdotes e leigos que buscavam orientação diante de problemas complexos. Monsenhor Gilberto era conhecido pelas respostas sensatas e oportunas, sempre fundamentadas na teologia e na tradição da Igreja.

Além da atuação acadêmica, exerceu múltiplas funções religiosas de grande responsabilidade:

  • Secretário particular do bispo de Niterói, Dom José Pereira Alves;
  • Secretário do Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro, durante o Concílio Ecumênico Vaticano II;
  • Pároco auditor no Concílio Vaticano II;
  • Membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese de Petrópolis;
  • Chanceler da Cúria Diocesana de Petrópolis;
  • Capelão militar da Armada, no posto de Capitão-Tenente;
  • Pároco da Catedral São Pedro de Alcântara e Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, função que exerceu a partir de 1984, confirmado mais tarde por Dom Filippo Santoro.

Como pároco da Catedral, colaborou intensamente com Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra na Campanha “Fé, Cultura e Assistência”, período em que se concluiu a torre do templo e foram instalados os atuais sinos. Foi também grande incentivador das pastorais diocesanas, com destaque para o Encontro de Casais com Cristo (ECC), contribuindo para fortalecer a pastoral familiar.

Pelos relevantes serviços prestados à Marinha como capelão, recebeu, em novembro de 1968, a Medalha do Mérito Naval, concedida pelo presidente Costa e Silva. Ao longo da vida, seu zelo e perseverança no exercício do ministério sacerdotal lhe valeram vários títulos honoríficos: Cônego Honorário de Petrópolis, Camareiro Secreto do Papa João XXIII, Camareiro Secreto e depois Prelado de Honra do Papa Paulo VI, além de ser reconhecido como Colaborador Emérito do Exército.

Dotado de inteligência ampla e cultura admirável, Monsenhor Gilberto destacou-se como pregador da mensagem evangélica. Seus sermões eram meticulosamente preparados, lógicos, claros e profundamente enraizados na teologia católica. Tinha rara capacidade de raciocínio, conseguindo tornar acessíveis temas complexos da fé para públicos diversos.

Recordado como sacerdote modelo e amigo sincero, sua vida é frequentemente descrita como um “hino constante de amor e devotamento ao Cristo Nosso Senhor”. Com seu falecimento, a Diocese de Petrópolis, a Universidade Católica e todos que o conheceram se despedem de um homem cuja existência foi inteiramente dedicada ao serviço da Igreja, à formação de consciências e à construção de uma fé sólida e esclarecida.

Na fé, aqueles que o conheceram creem que aquele que tanto amou Cristo e a Igreja foi acolhido no “eterno abraço” de Nosso Senhor, a quem ofereceu, sem reservas, sua inteligência, seu coração e sua vida. Seu legado permanece vivo na memória da Diocese, nos sacerdotes que ajudou a formar, nos estudantes que orientou e nas comunidades que pastoreou com zelo e fidelidade.