Na noite de sábado, 4 de julho, terceiro dia da Visita Pastoral ao Decanato São Pedro de Alcântara, o bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, presidiu a Santa Missa na Capela Nossa Senhora do Amparo, um dos locais indicados para peregrinação no Jubileu Franciscano pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis. A celebração reuniu as irmãs do Amparo, jovens do Decanato e foi concelebrada pelo decano, padre Gustavo de Oliveira, pelo padre André Luiz Rodrigues Barbosa, responsável pela juventude, pelo padre Alexander de Brito Silva, além do diácono Cassio Smanioto e dos diáconos permanentes Marco Carvalho e Cláudio José do Amaral (Binho).

Durante a homilia, Dom Joel explicou o sentido da visita pastoral, recordando que, no passado, era muitas vezes percebida como uma espécie de investigação para corrigir o que estivesse em desacordo com a vida cristã. “Isso faz parte: o pecado não está de acordo, a gente se converte”, afirmou. No entanto, o bispo enfatizou que hoje a visita pastoral tem um objetivo maior: “Ajudar as pessoas a viverem a sua fé, animar, motivar, como quem diz: ‘Não desiste, não’”.
O bispo destacou que a missão da Igreja não se resume à correção de erros, mas ao fortalecimento dos fiéis no caminho da santidade. Com linguagem próxima e bem-humorada, ele lembrou que todos falham, mas que, na correção das faltas, o cristão é chamado a se sentir fortalecido pela fé.
Testemunho que arrasta
Ao refletir sobre o Ano Jubilar Franciscano, Dom Joel sublinhou a importância do testemunho na vida cristã. Citando provérbios populares, afirmou que “as palavras empurram, o testemunho arrasta”, apontando para a limitação de uma evangelização apenas falada e para a força transformadora do exemplo concreto de vida.

Nesse contexto, ele destacou o testemunho de São Francisco de Assis e também do padre Siqueira, cuja obra marcou a história da comunidade. “Olhando para os dois, tempos diferentes, tantos anos de diferença, mesmo o padre Siqueira um pouco mais próximo de nós, mas já não é o nosso tempo… Como viver a santidade? Como viver esse ideal que Francisco de Assis encontrou e o padre Siqueira também? E por que nós não?”, questionou o bispo, convidando os fiéis à reflexão.
Viver segundo o Espírito
A partir das leituras do dia, Dom Joel abordou o núcleo do ideal de santidade: viver “segundo o Espírito”, na linguagem de São Paulo, e não “segundo a carne”. Ele explicou que, ao longo dos séculos, essa expressão foi muitas vezes mal compreendida, mas que, na prática, significa “viver do jeito que Jesus viveu”, buscando traduzir na vida concreta o que Jesus ensinou.

O bispo destacou dois caminhos para viver a fé, apresentados na primeira leitura e no Evangelho. Recordando o texto que inspira o Domingo de Ramos, falou da figura de Jesus entrando em Jerusalém montado num jumento, não como símbolo de guerra, mas como imagem de fragilidade que, em Deus, se torna força: “O jumento é animal de carga, aquele que carrega nas costas o que é pesado para o ser humano. Um jumento vai vencer os maiores cavalos de guerra. O amor vai vencer o ódio. A caridade, a bondade, têm a força de vencer toda a maldade na face da terra”.
Em seguida, retomou o Evangelho de Mateus, capítulo 11, onde Jesus convida: “Vinde a mim todos vós… Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso”. Para Dom Joel, esse texto revela o “grande segredo” da vida cristã: a mansidão e a humildade que geram cuidado, proteção e acolhida.
Não basta não fazer o mal: é preciso praticar o bem
Ao concluir a reflexão, o bispo reforçou que ser cristão e viver segundo o Espírito não se resume a evitar o mal. “Quem é a pessoa que vive segundo o Espírito e não segundo a carne? É aquela pessoa que não pratica o mal, que não destrói, que não é peso para os outros – peso da maldade, peso do sofrimento. Só que não basta não ser mau, é preciso praticar o bem”, afirmou.

Dom Joel contrapôs a lógica individualista que marca o mundo atual – “cada um por si, Deus por ninguém” – à força da fé, que move o cristão a ir além da omissão: “Na vida de qualquer santo ou santa, não só não se praticou o mal, mas não foi neutro, não foi omisso: passou pela vida praticando o bem”. Ao lembrar a história do padre Siqueira, destacou que sua obra foi marcada exatamente por essa atitude: “Você está sofrendo? Vem, vem que eu te ajudo, vem que eu estou com você”.
Encerrando a homilia, o bispo expressou seu desejo de que todos busquem a santidade pela prática do bem e pela vivência segundo o Espírito: “Que Deus dê a todos nós essa força suficiente para viver segundo o Espírito, e não segundo a carne; para viver não apenas não praticando o mal, mas praticando o bem, porque, usando a imagem, sendo um jumento que carrega o peso do mundo, vamos ser capazes de destruir os cavalos de guerra; ou seja, pelo bem o mal é vencido”.






