Na noite do dia 26 de junho, dentro da novena em preparação à festa de São Pedro, a Paróquia dedicada ao apóstolo, em Teresópolis, recebeu o bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, para a celebração da Santa Missa com o sacramento da Crisma. Na homilia, o bispo aprofundou o sentido da Confirmação, relacionando o tempo festivo do padroeiro ao compromisso de fé assumido pelos crismandos.
Com bom humor, Dom Joel começou lembrando que “antes da Confirmação, tem o sermão” e comentou que havia sido inicialmente convidado para participar da festa de São Pedro no domingo. Ao ver as barracas da festa montadas, disse que chegou a se animar, mas explicou que, por necessidade de viagem ao Santuário do Pai Eterno, não poderia estar presente naquele dia. Alegrou-se, porém, por a agenda permitir sua presença justamente na noite da Crisma: “É o dia da Crisma, vamos lá”, recordou, citando o convite do padre João Marcos.

A partir do clima de festa, o bispo aproximou o sacramento da realidade da paróquia ao afirmar que este já é “período de festa de São Pedro” e que não é preciso esperar apenas o dia litúrgico para celebrar. Ele recuperou a tradição de que, nas festas, se oferece um presente ao aniversariante e aplicou a imagem à vida da comunidade: “Aqui a coisa ainda funciona. A tradição ainda se mantém: dar um presente a São Pedro.” Esse presente, explicou, é a própria “turma que vai se crismar”, que se torna dom para São Pedro e, por meio dele, para Jesus.
Dom Joel aproveitou para recordar o nome e o conteúdo do sacramento: Crisma também é chamado de Confirmação, e a pergunta central é “Confirmação de quê?”. Respondeu aos fiéis: “Confirmação da fé.” E desenvolveu a ideia de que, no fundo, Jesus só pede de nós uma coisa: que tenhamos fé.
Chamando a atenção para o uso cotidiano da palavra, o bispo mencionou expressões como “eu tenho fé que a seleção brasileira vai passar” e alertou que esse tipo de linguagem, embora comum, não traduz o sentido cristão mais profundo. “É claro, nós usamos ‘fé’ para muita coisa. Mas fé, em sentido próprio, significa uma só coisa”, explicou. Quem ensina isso, segundo ele, é São Pedro, “aquele que tem o poder das chaves”, cujo testemunho — junto com o de São Paulo — edifica e coloca o alicerce da Igreja.

Recordando o diálogo de Jesus com Pedro narrado no Evangelho, Dom Joel destacou a pergunta repetida três vezes pelo Senhor: “Pedro, tu me amas?” e a resposta: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Para o bispo, essa resposta é a essência da fé: “Essa resposta, no coração de qualquer ser humano — de ontem, de hoje, de amanhã — é a fé. Ter fé é amar a Jesus.”
Ele insistiu que ter fé não é apenas dizer que crê, mas “tirar as consequências do amor em relação a Jesus”. Para ilustrar, recorreu a exemplos do cotidiano: quando alguém ama um time de futebol, usa a camisa com orgulho, muda hábitos, acompanha os resultados; quando está apaixonado por outra pessoa, muda o jeito de ser e de viver. “O amor tem essa força”, afirmou, convidando os fiéis a imaginar esse amor elevado e direcionado a Cristo: “Imagine esse amor elevado… para Jesus.”
Ao mesmo tempo, Dom Joel reconheceu a tensão vivida por quem deseja fidelidade e perfeição: assim como se sofre quando a seleção do país não joga como se gostaria, o cristão sofre ao perceber suas próprias incoerências. “Como eu gostaria de ser fiel a Jesus. Como eu gostaria de cumprir os mandamentos de Jesus”, disse, dando voz ao sentimento de muitos. Contudo, observou que os mandamentos são cumpridos, ainda que “não como gostaríamos”.

Nesse contexto, o bispo ressaltou o papel do Espírito Santo, dom que Jesus concede para fortalecer os fiéis em suas limitações, histórias, sonhos, saúde e idade. Para tornar a imagem mais clara, recorreu novamente à linguagem esportiva: “Imagine: você é um técnico e diz para o jogador: ‘Vai lá jogar’. Como você acha que ele vai, dando o primeiro passo? ‘Está. Deixa que eu vou junto com você. Eu vou te segurar.’ Esse é o Espírito Santo. Esse é o presente de amor de Jesus.” Cristo não envia seus discípulos sozinhos: “Ele não diz: ‘Vai e faz’ sozinho. Ele diz: ‘Vai e faz, porque eu estou do teu lado’.”
Comentando a liturgia, o bispo lembrou o Evangelho em que Jesus aparece aos discípulos “estando as portas fechadas” e a primeira leitura, marcada por diferentes idiomas, para mostrar que, mesmo diante de barreiras e dificuldades, o Senhor encontra maneiras de se fazer presente. Explicou, porém, que há um único lugar em que Jesus não entra à força: “no coração, quando ele está fechado. Ele respeita, fica do lado de fora.” Citou o Credo — “Ele desceu à mansão dos mortos” — para mostrar até onde vai a entrega de Cristo, sem jamais violar a liberdade do ser humano.

“Mas, quando nós abrimos o nosso coração, Jesus vem, dá o Espírito Santo a nós e, se a gente deixar — guarda bem esse pedaço da frase: se a gente deixar — Ele faz, no bom sentido, Ele faz a festa”, afirmou Dom Joel, incentivando especialmente os crismandos a reconhecerem a ação do Espírito Santo em suas vidas. Lembrou a frase de São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”, como síntese de uma existência transformada pela força do Espírito.
A homilia culminou na ligação direta com o rito da Crisma, que começa com o acendimento da vela no círio pascal. Dom Joel pediu que os crismandos levantassem suas velas e comentou a beleza do grupo de jovens e adultos de pé, com a vela na mão. Em seguida, chamou a atenção para o que ainda faltava: “vela apagada”. Comparou a vela à vida dos fiéis: “Ela tem um potencial enorme. Agora ela está apagada, mas vai acender. No círio pascal, vai receber a luz de Jesus.”
Por fim, o bispo recordou a palavra de Jesus: “Ninguém acende uma vela, uma lâmpada ou uma lamparina para esconder debaixo do caixote. Pelo contrário: acesa, fica de pé, vela iluminada, todo o ambiente.” Assim, a homilia de Dom Joel Portella Amado, na novena de São Pedro em Teresópolis, reforçou que a Crisma é Confirmação da fé entendida como amor a Jesus, sustentado pela presença do Espírito Santo, chamado a ser luz para a comunidade e para o mundo.







