“Por um amor tão grande, só respondendo com amor”, diz Dom Joel em celebração de Crisma na Comunidade Santo Antônio em Rio Manso

Na noite de domingo, 21 de junho, a Comunidade Santo Antônio, em Rio Manso, pertencente à Paróquia Santana de Inconfidência, acolheu o bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, para a celebração da Santa Missa na qual foi ministrado o sacramento da Crisma a 12 jovens e adultos. A homilia do bispo destacou a centralidade de Jesus Cristo na vida do cristão e o sentido da maturidade na fé, vivida em comunidade.

Logo no início de sua pregação, Dom Joel recordou que a presença na igreja é, por si só, um grande motivo de alegria:

“Meus irmãos e irmãs, a gente nem precisa de um motivo para estar na casa do Senhor, para celebrar o dia do Senhor, o domingo, com a família do Senhor, que somos todos nós. Só o fato de nos encontrarmos, só o fato de estarmos no dia do Senhor, o domingo, na casa do Senhor, já é grande demais”, afirmou.

Entretanto, o bispo ressaltou que, naquela noite, havia um motivo especial a ser destacado: a Crisma dos 12 candidatos.

“Por mais que vocês tenham intenções, alegrias, tristezas, sonhos, esperanças, hoje o que a gente quer destacar é a Crisma. Esse é o motivo pelo qual, com a graça de Deus, eu posso estar aqui junto com vocês. É o motivo pelo qual hoje tem festa aí, para toda a comunidade”, disse.

Dirigindo-se aos crismandos, Dom Joel convidou a assembleia a tomar consciência da grandeza do momento, pedindo que levantassem o braço aqueles que seriam crismados e teriam sua fé confirmada. Ele sublinhou que a confirmação da fé de uma única pessoa já seria suficiente para mobilizar toda a comunidade:

“Quantos vão se crismar hoje, gente? Doze? Se um se crismasse, valeria a pena eu estar aqui, a gente estar junto, celebrando a missa? Valia ou não valia? Claro. Se fosse possível, até por meia pessoa. Porque, se uma pessoa confirma a fé, uma, todos nós vamos juntos.”

Ao explicar o sentido da Crisma, o bispo retomou uma expressão tradicional: o crismado é um “adulto na fé”. Ele esclareceu que essa maturidade não se mede pela idade, mas pela descoberta do essencial na vida cristã:

“Quem é o adulto na fé? É muito simples. É aquela pessoa que, independentemente da idade física, descobre aquilo que é importante na nossa vida. Que o caminho da vida é Jesus.”

Em diálogo com os fiéis, Dom Joel levou a assembleia a completar as palavras de Cristo:

“Jesus falou: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’. ‘Sem mim nada podeis fazer’. Esse é o segredo”, destacou, reforçando que a fé é um caminho de confiança total em Cristo.

Outro ponto forte da homilia foi a insistência na liberdade da resposta de fé:

“Com Jesus, você não vai obrigado. Você não vai amarrado. Você tem uma escolha, como tudo na nossa vida. Diante do amor, ninguém vai casar obrigado. O casamento, por exemplo, não tem valor se for obrigado.”

A partir das leituras do dia, Dom Joel fez uma ponte entre a experiência bíblica e a realidade atual. Ao comentar a segunda leitura, recordou as palavras de São Paulo:

“Por um homem entrou o pecado, por outro entrou a salvação. São Paulo está citando Adão para ajudar a gente a entender Jesus. São Paulo não está preocupado com Adão, ele está preocupado com Jesus. Não tem outro. Vamos de novo: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’. Até quando? Até o último suspiro”, disse o bispo, reforçando a perseverança na fé.

Na primeira leitura, referindo-se ao profeta Jeremias, Dom Joel destacou o tema da perseguição e da traição:

“‘Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando medo ao redor’. Eram os conhecidos, eram os amigos. Traição dói ou não dói? É melhor dor de dente que dor de traição. É melhor uma cólica renal do que uma traição. Porque traição marca.”

Ele alertou para o risco de um coração ferido desistir do amor e da fé:

“Muitas vezes, o coração magoado, o coração traído, se torna frágil. Ele desiste. Desiste de amar, desiste de acreditar em Jesus.”

Por isso, o bispo retomou o Evangelho do dia, dirigindo-se especialmente aos crismandos:

“Guarda bem essa frase, principalmente quem vai se crismar hoje: ‘Não tenhas medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado’. Não tenha medo. Se for difícil viver o Evangelho, professar a fé, fazer o que tiver que fazer de acordo com aquilo que Jesus ensinou. Porque, se há alguém que saiu vitorioso em tudo, foi Jesus.”

Recordando um ensinamento que traz desde a infância, Dom Joel afirmou:

“Para a vida tem remédio para tudo, manos para a morte. O que Jesus venceu? A morte. Ninguém venceu a morte, somente Jesus.”

Ao falar diretamente sobre os crismandos, ele definiu:

“Quem é o crismando? Quem é a crismanda? É aquela pessoa, portanto, que descobre essa paixão. Por amor, você é capaz de quê? Até onde você chega, por amor? Tem o provérbio também: ‘Por amor, eu sou capaz de matar ou de morrer’. Onde é que Jesus corrige o provérbio? Ele não matou, seu a própria vida. É um amor que se entrega, é um amor que cuida de nós nos mínimos detalhes. Até os cabelos da vossa cabeça”

Dom Joel sublinhou que o amor de Deus alcança até aquilo que nós consideramos pequeno ou sem importância:

“Pois até naquilo que nós não ligamos, o amor de Deus está ligando, está olhando para nós, está prestando atenção. Então, por um amor tão grande, só respondendo com amor. E esse amor se traduz em esperança, firmeza e confiança.”

A celebração da Crisma na Comunidade Santo Antônio, assim, foi marcada não apenas pelo rito sacramental, mas pelo forte apelo de Dom Joel a uma fé adulta, livre, perseverante e apaixonada por Jesus, vivida em comunhão com a Igreja e iluminada pela certeza de que, na casa do Senhor, cada encontro é “grande demais” para ser vivido sem gratidão e compromisso.

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