Confirmando o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino como o “coração da Diocese”, definição dada por Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra (1906–1999), a missa de abertura da Festa Junina reuniu grande número de fiéis na tarde do dia 7 de junho. Participaram pessoas vindas dos quatro decanatos e até de outras regiões do Estado do Rio, evidenciando a importância do seminário para a vida pastoral da Diocese de Petrópolis.

A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, que, durante a homilia, destacou o papel central da Eucaristia e a dimensão de unidade e confraternização da festa junina promovida pelo Seminário.
Segundo Dom Joel, a Eucaristia é “o centro, o coração” da fé cristã, retomando um ensinamento de São João XXIII: “Tudo brota daqui e tudo volta para cá”. Ele lembrou que, para a Igreja, “tudo brota do altar e tudo volta para o altar”, e que, por isso, a missa integra a programação da festa junina, não apenas como cumprimento de preceito, mas como sinal de que “em todas as situações da vida, tudo brota do altar e tudo volta para o altar”.

O bispo explicou que a missa não está “ao lado da festa”, mas no coração dela, relacionando a celebração eucarística à alegria e ao convívio típicos das festas juninas. Com linguagem simples e bem-humorada, observou que a animação e até o “aumento de balança” fazem parte da festividade, mas que tudo é iluminado pelo sentido espiritual que nasce do altar.
Ao refletir sobre a Eucaristia, Dom Joel recordou que Jesus, ao assumir a ceia pascal judaica, “deixou uma mesa” e se fez Ele mesmo alimento: “Jesus não deixou para nós uma terra, uma planta, um animal; deixou a si mesmo, nas espécies do pão e do vinho”. Ele relacionou essa verdade à solenidade de Corpus Christi, celebrada recentemente, sublinhando que, na missa, os fiéis recebem três tipos de alimento: a Palavra de Deus, a fraternidade e a própria Eucaristia.

O bispo detalhou que a Palavra deve passar “do ouvido à mente, da mente ao coração e do coração à vida”, e lembrou que a convivência comunitária — o encontro com “irmãos e irmãs na fé” — também é alimento essencial. Por fim, destacou a Eucaristia, na qual, pela imposição das mãos do sacerdote e a ação do Espírito Santo, “o pão se transforma em Corpo do Senhor e o vinho em Sangue do Senhor”, formando um “banquete completo”.
Dom Joel insistiu na importância de participar da missa inteira, inclusive dos avisos finais, e afirmou que cada celebração deve levar os fiéis a “conhecer o Senhor para amar o Senhor”, aproximando-se do coração de Cristo a cada celebração. Citando o profeta Oséias — “Quero misericórdia, não sacrifício” —, explicou que Deus não deseja apenas ofertas externas, mas um coração que se doa, à semelhança de Jesus, que “não ofereceu coisas, mas a si mesmo”.

Nessa linha, o bispo relacionou a doação pessoal ao trabalho dos voluntários na festa junina, ressaltando que, ao servir nas barracas e na organização, eles não oferecem apenas objetos ou serviços, mas “o próprio trabalho e a própria vida”, num gesto de amor e entrega.
Ao comentar o chamado de Levi (São Mateus) e o exemplo de Abraão, Dom Joel mostrou que a fé é sempre um “risco com esperança”, sustentado pelo amor de Deus, e reafirmou que a presença diante do altar fortalece os fiéis a reconhecerem que o Senhor os ama “apesar de tudo”.
Ao final, o bispo pediu que Deus conceda “a graça de uma abençoada festa” e desejou que a celebração fortaleça “a alegria, o convívio e a paz”, levando esses frutos para as casas e para todos os ambientes por onde os fiéis passarem, reforçando, assim, a dimensão evangelizadora e comunitária da Festa Junina do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino.






