“O Espírito Santo sempre está presente e agindo em nossas vidas”, afirmou Dom Joel em missa no Carmelo do Espírito Santo, em Teresópolis

Na solenidade de Pentecostes, celebrada neste domingo, 24 de maio, no Carmelo do Espírito Santo, em Teresópolis (RJ), o bispo de Petrópolis, dom Joel Portella Amado, utilizou imagens do cotidiano para explicar a ação do Espírito Santo na vida dos fiéis. Na homilia ,ele comparou o Espírito Santo ao ar e alertou para o perigo de os cristãos se acostumarem com a fé a ponto de deixarem de percebê-la.

“Tudo o que nós fazemos na nossa fé é em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Isso é mencionado sempre, não apenas na missa de hoje, mas em todas as missas, em todas as orações, em tudo o que a gente faz”, afirmou o bispo, ao questionar por que a Igreja celebra uma festa específica para o Espírito Santo se Ele está sempre presente.

Para responder a essa pergunta, dom Joel recorreu a uma comparação que disse ter aprendido ainda criança: “Eu aprendi muito cedo a comparar o Espírito Santo ao ar. Nós estamos com o ar 24 horas por dia, mas só percebemos a presença dele quando falta. Falta de ar é muito ruim. Sem ele nós não vivemos”.

Pentecostes e o risco de se acostumar

Segundo o bispo de Petrópolis, a solenidade de Pentecostes, celebrada cinquenta dias depois da Páscoa, é justamente um “tempo forte” para acordar a consciência da presença do Espírito. “Por isso a solenidade, cinquenta dias depois da Páscoa: é preciso celebrar”, disse.

Dom Joel fez ainda um paralelo com a vida conjugal para mostrar que a fé, assim como o amor, precisa ser expressa e renovada: “Os casais que me perdoem uma pequena implicância: não dizem um para o outro ‘eu te amo’ e, quando um dos dois cobra, a outra pessoa responde: ‘Mas você sabe que eu te amo’. Mas o amor que não diz não é amor. O amor precisa ser dito, transmitido, explicitado, por palavras ou por um gesto de carinho. Por isso a gente precisa celebrar o Espírito Santo que é um dom de Jesus para nós”.

Para ele, o maior risco espiritual é o hábito que leva à indiferença: “O risco de nos acostumarmos é muito grande. E quem se acostuma, nesse sentido do costume, pode já não prestar mais atenção na importância do ar e muito menos no Espírito Santo que está presente o tempo todo”.

O bispo destacou que, embora a compreensão plena do mistério de Deus só aconteça na vida eterna, comparações como a do ar, nos ajudam a compreender a ação do Espírito Santo: “Enquanto estivermos nesta vida, vamos precisar dessas comparações e desses momentos fortes que nos ajudam a perceber que, assim como o ar aí está, o Espírito Santo está”.

Ele também sublinhou uma diferença importante entre o ar físico e o Espírito Santo. De acordo com o bispo o ar, mesmo estando presente podem os faltar por vários motivos. Mas, o Espírito Santo nunca nos falta, ele está sempre presente e agindo em nós”.

Pentecostes, unidade e superação de barreiras

Retomando a liturgia do dia, dom Joel relembrou o relato de Pentecostes narrado nos Atos dos Apóstolos, quando os discípulos, reunidos com as portas fechadas por medo, recebem o Espírito Santo. “A gente pensa: esse foi o milagre? Falar línguas estranhas foi só a gotinha inicial. O que impressionou foi: ‘Nós estamos entendendo na nossa própria língua’”, explicou.

Para o bispo, o episódio é o reverso simbólico da confusão de línguas em Babel: “Desde Babel, a Bíblia mostra que a diferença de idiomas simboliza tudo aquilo que pode separar as pessoas. Em Pentecostes, o Espírito supera essas separações e estabelece a comunicação verdadeira”.

Dom Joel ilustrou essa dimensão com um episódio vivido no Rio de Janeiro, em que foi preciso ajudar um cidadão chinês que não falava outro idioma além do seu. Nem mesmo uma senhora que morara na China conseguia compreendê-lo devido às diferenças entre dialetos, como mandarim e cantonês. A comunicação só se estabeleceu por meio de desenhos em um pedaço de papel. “Quando ele começou a desenhar, ele sorriu. Porque a comunicação estava estabelecida. Ele se sentia seguro entre nós”, relatou. “É bonito quando o Espírito se faz presente: quando as barreiras são vencidas, quando as separações são superadas.”

Carmelo do Espírito Santo: vocação, convivência e sinal do Alto

O local da celebração, o Carmelo do Espírito Santo, também foi tema da reflexão. Dom Joel destacou a vida consagrada como sinal concreto da ação do Espírito em meio às diferenças humanas. “Aqui há muitas formas de vocação. Mas, olhando esta, sem desprezar as outras, é convivência 24 horas, convívio o tempo todo de pessoas que não nasceram no mesmo lugar, mulheres que não foram educadas na mesma família, às vezes de terras diferentes, de costumes diferentes, de hábitos diferentes, de jeitos de ser diferentes”, observou.

Para ele, o fato de o mosteiro levar o nome de Carmelo do Espírito Santo é, por si só, uma catequese visível: “Se este Carmelo tem o nome de Carmelo do Espírito Santo — como todos os Carmelos, todos os mosteiros, toda a vida consagrada, seja ela qual for — é uma referência para todos nós, porque todos vivemos no Espírito. É assim que o Espírito se faz presente”.

 

 

 

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