Artigos, Notícias › 26/01/2021

Os ministérios de leitor e acólito, bem inestimável para a vida da Igreja

No último dia 10 de janeiro, o Papa Francisco assinou uma Carta Apostólica em forma de Motu proprio, intitulada Spiritus Domini (O Espírito do Senhor), na qual apresenta uma nova legislação sobre o acesso de mulheres aos ministérios de leitor e acólitos.

Desde o início das primeiras comunidades cristãs, a Igreja instituiu alguns ministérios leigos com a finalidade de render o devido culto a Deus e, ao mesmo tempo, para o serviço do povo de Deus, segundo as suas necessidades concretas. Dessa forma, a partir da colação pública de ministérios específicos, por meio de um rito particular, os fiéis leigos passaram a colaborar para uma adequada realização da ação litúrgica e para um profícuo serviço da caridade.

O ministério de leitor, historicamente o primeiro a ser instituído, tem como serviço específico a leitura da Palavra de Deus dentro da celebração litúrgica, excetuando-se a proclamação do Evangelho. O leitor instituído tem também a missão de preparar, com o maior zelo possível, os irmãos para a proclamação da Sagrada Escritura na Liturgia e a instrução dos adultos e das crianças para a recepção frutuosa dos sacramentos.

O ministério de acólito, por sua vez, habilita para ajudar os diáconos e servir os sacerdotes em suas funções litúrgicas. O acólito instituído tem ainda como missão preparar adequadamente outros fiéis que os ajudem no exercício de seu ofício.

Como ministro extraordinário, possui igualmente o encargo de distribuir a Sagrada Comunhão, sobretudo aos doentes que se encontram impossibilitados de participar da ação litúrgica, bem como, em circunstâncias extraordinárias, expor e repor a Sagrada Eucaristia para a adoração dos fiéis, sem dar a bênção ao povo.

Na prática, as funções mencionadas são realizadas por homens e mulheres em nossas comunidades paroquiais (leitores e ministros extraordinários da Sagrada comunhão). Mas, é preciso entender que a instituição dos ministérios de leitor e acólito fundamenta-se na necessidade de oferecer estavelmente, dentro de uma comunidade local, um sinal da ministerialidade da própria da Igreja. Isso significa que tais ministros cumprem seu ministério em nome e como sinal da Igreja que é chamada a servir.

Com o presente documento, portanto, altera-se o texto do cânon 230 §1 do Código de Direito Canônico, oferecendo-se a possibilidade de que fiéis de ambos os sexos possam exercer os referidos ministérios de forma instituída. A reflexão teológica entendeu que os ministérios laicais têm sua fundamentação no sacerdócio comum dos fiéis recebido no Batismo e, por isso, podem ser exercidos tanto por homens quanto por mulheres.

Mas, é importante ressaltar que ninguém tem direito de recebê-los. Quando a Igreja confia a uma pessoa um ministério significa que Deus a chamou para servir à sua comunidade, a partir de um serviço específico e de modo estável.

Com o novo documento, cria-se, como primeira expectativa, a promoção de uma Igreja ministerial, na qual clero e fiéis leigos (sobretudo os ministros instituídos) trabalhem em profunda união e corresponsabilidade no desenvolvimento da vida da Igreja em sua ação evangelizadora. Deseja-se ainda que ministérios leigos colaborem nos trabalhos realizados pelos ministros ordenados, para que eles possam se dedicar mais ao que é específico de seu ministério. Pensemos nos acólitos que, auxiliando os diáconos, podem organizar toda a parte caritativa ou mesmo nos leitores que podem colaborar na formação dos fiéis de uma paróquia.

Enfim, o Motu proprio Spiritus Domini oferece à Igreja inteira uma grande oportunidade de redescoberta de seu rosto ministerial presente nos ministros ordenados e instituídos. Faz-se necessário que cada diocese observe bem as suas necessidades particulares e direcione, com sabedoria, o exercício de cada ministério.

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