No aniversário da ordenação sacerdotal de monsenhor João de Deus Rodrigues (1930–2003), ocorrida em 11 de julho de 1954 — primeira ordenação de um padre para Diocese de Petrópolis —, foi celebrada, na manhã de sábado, 11 de julho, na Catedral São Pedro de Alcântara uma missa em sufrágio dos bispos e padres falecidos, dentro das comemorações pelos 80 anos da Diocese.
A Eucaristia foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, e concelebrada pelo vigário-geral da Diocese, padre Paulo César Rodrigues Magalhães; pelo pároco da Catedral, padre Thomas Andrade Gimenez Dias; e pelo pároco da Paróquia São Judas Tadeu, da Mozela, padre Lucas Thadeu da Silva, com a assistência do diácono permanente Marco Carvalho.
Durante a celebração, foram recordados os governos episcopais de Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Dom José Fernandes Veloso e Dom José Carlos de Lima Vaz, bem como a dedicação de todos os sacerdotes que, ao longo de oito décadas, anunciaram o Evangelho e testemunharam o amor de Cristo na Diocese de Petrópolis e hoje se encontram na Casa do Pai.
Memória e oração
Na acolhida, padre Thomas sublinhou o sentido da missa dentro do Ano Jubilar diocesano:
“Hoje nós acolhemos em nossa paróquia nosso pastor diocesano, Dom Joel Portella Amado; nosso vigário-geral, padre Paulo César; e o padre Lucas, pároco da Paróquia São Judas Tadeu, da Mozela, para que, dentro da celebração dos 80 anos da nossa diocese, possamos dedicar um dia à memória e à oração pelos bispos e sacerdotes falecidos desta Diocese de Petrópolis.”
Entre as intenções, foram lembrados de modo especial Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Dom José Fernandes Veloso, Dom José Carlos de Lima Vaz, além de Dom Francisco do Rego Maia e Dom João Francisco Braga, bispos de Niterói que, em período conturbado da história daquela arquidiocese, transferiram sua sede para Petrópolis e passaram a assinar como bispos de Petrópolis, tendo hoje seus restos mortais sepultados na Catedral.
Padre Thomas explicou ainda a escolha da data:
“No dia 9 de julho, nós celebramos o aniversário da morte de Dom José Carlos de Lima Vaz. No dia 10 de julho, o aniversário da morte de Dom José Fernandes Veloso. E hoje é um dia significativo também para a história da diocese, porque a primeira ordenação sacerdotal de um padre para a Diocese de Petrópolis se deu no dia 11 de julho de 1954. Há 72 anos, aqui na catedral, foi ordenado o primeiro padre para a Diocese de Petrópolis, monsenhor João de Deus Rodrigues. Então, na pessoa dele, rezamos por todos os padres falecidos.”
Gratidão e compromisso: duas faces da celebração
Na homilia, Dom Joel relacionou a memória dos bispos e padres falecidos com o jubileu dos 80 anos da Diocese, destacando duas palavras que, segundo ele, marcam esse tempo: gratidão e compromisso.
“Eu gosto da imagem da moeda: ela precisa de duas faces para valer. Toda celebração precisa de duas faces para ter valor: olhar para trás e agradecer; olhar para frente e se comprometer”, afirmou o bispo.
Recordando monsenhor João de Deus e os demais sacerdotes que construíram a história diocesana, Dom Joel comentou também o gesto recente da exumação de alguns padres no cemitério municipal, cujos restos mortais serão trasladados para a cripta preparada no seminário diocesano:
“A casa que os formou recebe agora os seus restos mortais. E, de cada um deles, quando se abria a sepultura, o que vinha à mente não era o que os olhos estavam vendo ali, mas a lembrança de tudo aquilo que aqueles homens fizeram pela diocese e, por meio da diocese, fizeram por toda a Igreja.”
Exemplo de São Bento e missão no presente
O bispo diocesano ligou a memória dos presbíteros ao testemunho de São Bento, cuja festa a Igreja celebra neste período, ressaltando a importância da vida comunitária e da construção da paz em tempos de turbulência:
“São Bento nos lembra que o caminho é o Evangelho, o caminho é a comunidade, o caminho não é o isolamento. Se eu quero construir o mundo pela força do Evangelho, eu preciso reconhecer que quem eu tenho ao meu lado não é meu inimigo; é meu irmão, é minha irmã.”
Dom Joel também mencionou os desafios vividos pelos bispos que o precederam: a tarefa de iniciar a Diocese e desmembrá-la de Niterói, a condução da Igreja em períodos turbulentos da história do Brasil, a passagem ao século XXI e, mais recentemente, o impulso missionário dado à Diocese.
“Agradecendo a Deus, que nos dá, por amor, a chance de ser presença dele entre nós, me uno a vocês na gratidão por cada um desses homens, eles que nos antecederam”, concluiu, convidando os fiéis a assumirem “a parte que nos cabe no hoje da história da Diocese de Petrópolis, da Igreja”.
Homenagem no túmulo dos bispos
Ao final da celebração, Dom Joel, acompanhado de padre Paulo César, padre Thomas, padre Lucas e do diácono permanente Marco Carvalho, dirigiu-se ao interior da Catedral, onde depositou flores sobre os túmulos dos bispos, incluindo os de Dom Francisco do Rego Maia e Dom João Francisco Braga.
O gesto de homenagem encerrou a missa em sufrágio, reforçando o espírito de gratidão pelos 80 anos de história da Diocese de Petrópolis e pelo legado de seus pastores e sacerdotes.









