A espiritualidade franciscana e a relação entre São Francisco de Assis, São Pedro de Alcântara e Santa Teresa d’Ávila foram destacadas durante a Missa celebrada na noite de 17 de outubro, na Catedral de Petrópolis. A celebração integrou o oitavo dia da novena de São Pedro de Alcântara, padroeiro da cidade, e foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado.
A liturgia reuniu fiéis, membros da família franciscana e pessoas que acompanharam a celebração pelas redes sociais e pelos meios de comunicação. A animação da missa ficou sob responsabilidade dos frades franciscanos, com regência de Frei Marcos Antônio de Andrade, OFM.
Concelebraram o pároco da Catedral, Padre Thomas Andrade Gimenez Dias; o vigário paroquial, Padre Alexandre Sobral Arosa; e Frei André Nascimento de Jesus, OFMCap. A celebração contou ainda com a assistência dos diáconos permanentes Marco Aurélio de Carvalho e Rafael Sutter de Oliveira.
Jubileu franciscano
Na abertura da celebração, a família franciscana foi lembrada no contexto do jubileu dos 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis. A oração destacou o santo como um homem profundamente marcado pelo Evangelho e configurado a Cristo pobre e crucificado.
A espiritualidade de São Francisco foi apresentada como um caminho de minoridade, fraternidade e paz, capaz de inspirar homens e mulheres ao longo dos séculos. Também foi ressaltada a presença franciscana na história e na identidade da Diocese de Petrópolis.
“A espiritualidade franciscana está no DNA da Diocese de Petrópolis”, destacou a celebração, ao recordar São Pedro de Alcântara como um dos membros mais ilustres da família franciscana e patrono da cidade.
A memória do santo foi associada a uma vida de penitência, contemplação, fidelidade e esperança. A oração também pediu que seu testemunho incentive os fiéis a colocarem suas próprias vidas sob o cuidado de Deus.
São Pedro de Alcântara e a história de Petrópolis
Durante a celebração, o Padre Thomas destacou a importância da presença do bispo diocesano e da família franciscana na festa do padroeiro.
“Foi na escola de São Francisco que nosso padroeiro, São Pedro de Alcântara, se santificou”, afirmou. O sacerdote também recordou a forte presença franciscana na história de Petrópolis e pediu a intercessão dos dois santos pela cidade e por seus habitantes.
Dom Joel lembrou ainda que a relação entre São Pedro de Alcântara e os imperadores Pedro I e Pedro II não ocorreu porque o santo teria recebido o nome em homenagem aos monarcas. Segundo a tradição histórica, foi a admiração da corte portuguesa por São Pedro de Alcântara que levou os reis a escolherem o nome do religioso para os futuros imperadores do Brasil.
“São Pedro de Alcântara é um santo muito ligado, pela tradição, à história de Petrópolis e à espiritualidade franciscana”, afirmou o bispo.
O amor de Cristo como resposta às armadilhas
Em sua homilia, Dom Joel refletiu sobre o Evangelho em que Jesus afirma: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Para o bispo, a passagem mostra uma tentativa de colocar Jesus diante de uma armadilha sem saída.
Se Cristo defendesse o pagamento do imposto a César, poderia ser rejeitado pelos judeus. Caso se posicionasse contra o imposto, poderia ser acusado diante das autoridades romanas. Jesus, porém, não se deixa aprisionar pelas armadilhas humanas.
Dom Joel relacionou essa passagem à própria morte e ressurreição de Cristo. Mesmo levado injustamente à cruz e sepultado, Jesus não foi vencido pela morte.
“Um Deus apaixonado envia o Filho, na força do Espírito. Esse Filho manifesta a radicalidade do amor — um amor que nada consegue conter ou deter”, destacou.
Segundo o bispo, foi essa experiência do amor de Cristo que impulsionou São Francisco de Assis e São Pedro de Alcântara em suas respectivas missões de renovação espiritual.
Francisco e o chamado para reconstruir a Igreja
Ao recordar São Francisco de Assis, Dom Joel mencionou o chamado recebido pelo santo na pequena capela de São Damião: “Francisco, reconstrói a minha Igreja”.
Para o bispo, esse chamado não se referia apenas à restauração física de uma igreja, mas a uma renovação profunda da vida cristã. Francisco respondeu à missão por meio da simplicidade, da pobreza, da fraternidade e do compromisso radical com o Evangelho.
A reflexão foi realizada no contexto dos 800 anos da Páscoa de São Francisco, marco que convida a Igreja e a família franciscana a redescobrirem a atualidade de seu carisma e a buscarem formas concretas de vivê-lo no mundo contemporâneo.
“Jesus não desiste de sua Igreja. Jesus não desiste de nós”, afirmou Dom Joel.
A Reforma Alcantarina e a influência sobre Santa Teresa
Séculos depois de São Francisco, São Pedro de Alcântara viveu um período de instabilidade e divisões na Igreja. No século XVI, marcado pela Reforma Protestante e pelo surgimento de novas comunidades cristãs, o frade promoveu uma renovação rigorosa da vida religiosa, conhecida como Reforma Alcantarina.
Dom Joel explicou que, tanto em Francisco quanto em Pedro de Alcântara, a reforma nasceu da experiência pessoal do amor de Cristo.
“Quando se descobre o amor de Jesus, não se deseja outra coisa senão permanecer diante desse amor”, afirmou.
Conhecido pela vida de penitência, pelo desapego e pela fidelidade radical ao Evangelho, São Pedro de Alcântara também exerceu influência sobre Santa Teresa d’Ávila. Os dois santos mantiveram uma relação de amizade e acompanhamento espiritual no contexto das reformas da Igreja no século XVI.
Teresa encontrou em Pedro de Alcântara apoio e discernimento para sua experiência mística e para o projeto de renovação da Ordem do Carmo. A relação entre eles expressa a convergência entre a espiritualidade franciscana e a reforma teresiana, ambas centradas na oração, na pobreza, na simplicidade do Evangelho e na centralidade de Cristo.
Esperança diante das dificuldades
Ao final da homilia, Dom Joel convidou os fiéis a levarem da celebração uma mensagem de esperança. Ele comparou as dificuldades da vida a muros que podem surgir por todos os lados, provocando desânimo e levando as pessoas a buscar soluções pela força, pela violência ou pela guerra.
Para o bispo, o testemunho de São Francisco de Assis, São Pedro de Alcântara e Santa Teresa d’Ávila aponta para outro caminho: a transformação pela radicalidade do amor.
“Pedro de Alcântara e Francisco de Assis mostram aquilo que Jesus mostrou: a vitória da vida sobre a morte, sobre o pecado e sobre tudo aquilo que possamos imaginar. Essa vitória não acontece pela violência, mas pela radicalidade do amor”, afirmou.
Dom Joel encerrou a homilia pedindo a intercessão de São Francisco de Assis, São Pedro de Alcântara e de todos os santos e santas, para que os fiéis permaneçam firmes no amor de Deus.
“Entreguemos nossos corações ao amor de Cristo e peçamos que nunca nos esqueçamos do amor de Deus nem nos afastemos dele”, concluiu.












