Dom Joel: “O Espírito Santo é força para que a nossa fé se concretize no amor”

O bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, destacou a presença e a ação do Espírito Santo na vida dos cristãos durante a celebração da Crisma realizada no dia 8 de agosto, na Paróquia Santa Clara, no Valparaíso, em Petrópolis.

Ao refletir sobre o significado do sacramento, o bispo afirmou que a presença do Espírito Santo é recebida na Crisma “em plenitude, em totalidade e de modo definitivo”. Dom Joel também lembrou que o sacramento não é repetido. “Não se batiza duas vezes, não se crisma duas vezes, porque o que Deus faz, faz bem e faz uma vez só”, afirmou.

A partir dessa reflexão, o bispo apresentou uma pergunta aos crismandos e à comunidade: “O que é que, afinal de contas, o Espírito Santo faz em nós?”. Para explicar a ação do Espírito Santo, ele utilizou a imagem do ar, elemento indispensável à vida e que, embora esteja sempre presente, nem sempre é percebido.

“Nós nem sempre percebemos a presença do ar entre nós, mas, principalmente no momento difícil, na hora em que ele falta, aí a gente sente”, explicou. Segundo Dom Joel, o Espírito Santo também está sempre presente, mas pode deixar de ser percebido quando as pessoas não permitem que Ele atue em suas vidas.

Pentecostes e a superação do medo

O bispo relacionou a ação do Espírito Santo ao relato de Pentecostes, apresentado na primeira leitura da celebração. Ele recordou que os apóstolos estavam reunidos com medo depois da prisão, condenação e morte de Jesus. Pedro havia negado o Mestre, enquanto os demais discípulos também haviam se afastado no momento da perseguição.

“Eles tinham ou não tinham motivo para ter medo? Claro que tinham”, afirmou Dom Joel. No entanto, de acordo com o relato bíblico, a chegada do Espírito Santo transformou a atitude dos apóstolos. Eles começaram a falar em outras línguas, e pessoas de diferentes povos passaram a compreender a mensagem anunciada.

Para o bispo, o aspecto mais importante do episódio não está apenas no fato de os apóstolos falarem línguas diferentes, mas na capacidade de comunicação estabelecida entre eles e os demais povos. Como exemplo, Dom Joel contou uma experiência vivida em um encontro com participantes da Suécia. Sem conhecer o idioma do jovem, conseguiu se comunicar com ele por meio de um aplicativo de tradução no celular.

“O Espírito Santo funciona como esse celular aí”, explicou, ao comparar a ferramenta de tradução com a ação do Espírito Santo, que possibilita o entendimento e aproxima pessoas diferentes.

Dom Joel afirmou que o grande milagre de Pentecostes é a superação do medo e a vitória do diálogo, do amor e da comunicação. Para ele, a ação do Espírito Santo permite que as pessoas ultrapassem as justificativas que muitas vezes são usadas para não amar, não perdoar e não estabelecer relações de amizade e fraternidade.

Amor a Deus e ao próximo

Durante a homilia, o bispo também recordou que Jesus resumiu os Dez Mandamentos no amor a Deus e ao próximo. A partir desse ensinamento, afirmou que as diferenças, as injustiças, a traição, o egoísmo, o ódio, a corrupção e as guerras podem levar as pessoas a acreditar que não vale a pena amar ou ajudar.

“Imagine um coração que ama e enfrenta a traição: ele pode dizer: ‘Não vale a pena amar’. Alguém que ajuda e descobre as injustiças, descobre a corrupção, pode dizer: ‘Não vale a pena ajudar’”, refletiu.

Dom Joel, entretanto, ressaltou que Jesus não desistiu da humanidade, nem mesmo na cruz. Por isso, segundo ele, o Espírito Santo fortalece os cristãos para que a fé se concretize no amor a Deus e ao próximo.

“O Espírito Santo é força para que a nossa fé se concretize naquilo que ela é: no amor a Deus e no amor ao próximo”, afirmou.

Crisma como resposta de fé

Ao se dirigir aos crismandos, o bispo declarou que a recepção do sacramento representa uma resposta pessoal ao amor de Cristo e um presente oferecido pela comunidade paroquial.

“Quem vai se crismar hoje é o grande presente que a paróquia tem a dar a Cristo, pela intercessão da sua padroeira. É aquela pessoa que diz, no meio de tudo: ‘É o amor a Cristo que vale a pena’”, disse.

A celebração foi concluída com o rito da luz, no qual os crismandos acenderam as velas a partir do Círio Pascal. Ao explicar o significado do gesto, Dom Joel destacou que a chama recorda a presença do Espírito Santo e o compromisso assumido pelos jovens e adultos que receberam o sacramento.

Ao final, o bispo pediu aos crismandos que permanecessem de pé com as velas acesas, como sinal de sua participação na celebração e de sua disposição para testemunhar a fé.

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