Queridos irmãos, celebramos hoje (20 de setembro) o 25º Domingo do Tempo Comum. Nas últimas duas semanas, ouvimos o capítulo 18 do Evangelho de São Mateus, que nos trazia o discurso de Jesus sobre a vida comunitária, a vida da Igreja ao longo de todos os séculos. O Senhor nos deixou ali dois ensinamentos fundamentais: há quinze dias, ouvimos sobre a correção fraterna, necessária para a saúde da comunidade; na semana passada, Jesus nos ensinou o perdão sem limites, o perdoar setenta vezes sete, lembrando que Deus nos perdoa uma dívida imensa de dez mil talentos, equivalente a centenas de toneladas de prata, e por isso nos pede para perdoar as cem moedas dos nossos irmãos. Quando perdoamos, purificamos nosso coração; quando corrigimos com amor, trabalhamos para curar as feridas no Corpo Místico de Cristo.
Hoje, iniciamos a leitura do capítulo 20 de São Mateus, no qual Jesus nos apresenta a parábola do pai de família que sai em diversas horas do dia para contratar trabalhadores para a sua vinha. Ele combina um valor justo e, ao final do dia, dá a todos o mesmo pagamento. Olhando superficialmente, poderia parecer uma simples narrativa de administração humana ou de relações de trabalho da época. Contudo, Jesus nos fala dos mistérios do Reino dos Céus e da própria história da salvação.
Conforme os Padres da Igreja, o pai de família é o próprio Deus, o Criador que busca incansavelmente o homem. A vinha representa a justiça e as virtudes divinas, mas também a própria Igreja. O chamado feito nas diversas horas do dia possui dois grandes significados espirituais.
O primeiro significado diz respeito às fases da nossa vida humana. São Gregório Magno ensina que o Senhor chama os homens na alvorada da infância, na terceira hora que é a juventude, na sexta e na nona hora que correspondem à maturidade e à velhice, e na décima primeira hora que representa a extrema velhice ou os momentos finais da vida. Deus chama a todos em momentos diferentes, e o que mais importa para Ele não é apenas a extensão do tempo servido, mas o fervor e o amor com que respondemos ao Seu chamado.
O segundo significado, ainda mais profundo, refere-se às etapas da história da salvação. Este único dia da parábola representa toda a história humana diante de Deus. A primeira hora, ao amanhecer, representa a época dos primeiros patriarcas, de Adão até Noé. A terceira hora refere-se à época de Moisés e da Lei. A sexta e a nona horas representam o tempo dos Profetas. Por fim, a décima primeira hora representa a vinda de Cristo e o tempo da graça, a época da Igreja na qual nós nos encontramos.
Nós somos esses últimos trabalhadores, chamados no final dos tempos para cooperar na obra de Deus.
O pagamento combinado na parábola é um denário. O texto sagrado usa essa palavra precisa porque o denário era a moeda que trazia impressa a efígie do imperador romano. Os Padres da Igreja, como São Jerônimo e São Gregório, explicam que o denário representa a vida eterna e a salvação, na qual a imagem do Rei Divino é restaurada em nossa alma. Além disso, o valor numérico associado ao denário remete aos Dez Mandamentos. A recompensa é dada àqueles que cumprem a lei do Senhor e guardam a Sua palavra. A verdadeira recompensa por trabalhar na vinha é nos tornarmos progressivamente semelhantes a Cristo, recuperando a imagem e semelhança de Deus e recebendo a filiação divina.
Ao final do dia, os primeiros trabalhadores murmuraram porque receberam o mesmo valor daqueles da décima primeira hora. No entanto, o proprietário não foi injusto com ninguém: deu aos primeiros o que havia combinado e usou de misericórdia e liberalidade para com os últimos. São João Crisóstomo observa que aqueles que chegaram por último compensaram a brevidade do tempo com um fervor extraordinário, entregando-se de todo o coração. Deus é plenamente justo com os que vieram antes e infinitamente misericordioso conosco, que fazemos tão pouco e recebemos a mesma graça da salvação e da vida eterna.
Esses homens da última hora estavam ociosos na praça pública não porque fossem maus, mas porque, como eles mesmos disseram, ninguém os havia contratado. A ociosidade espiritual é viver para os próprios interesses do mundo sem realizar a obra de Deus. Quando a graça do chamado os alcançou, eles prontamente aceitaram trabalhar.
Esta parábola nos recorda que estamos vivendo a última hora da história da salvação. Não há espaço para a procrastinação ou para a inveja espiritual. Não devemos nos comparar com os outros, nem julgar o tempo ou a caminhada dos nossos irmãos. Somos convidados a trabalhar na vinha do Senhor com fidelidade, alegria e dedicação, transmitindo a Sua mensagem por meio de nossas palavras e atitudes.
Peçamos ao Senhor a graça de responder com prontidão ao Seu chamado diário, aproveitando com sabedoria o tempo que nos é dado. Que possamos servir por amor e não por mero cálculo, para que, ao término de nossa jornada, sejamos acolhidos por Sua misericórdia e recebamos a recompensa da vida eterna, vivendo para sempre como verdadeiros filhos de Deus.





