Dom Joel: “A vocação é um dom de Deus. Uma vocação bem vivida pode conduzir a uma vida feliz”

O Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino encerrou o Mês Vocacional com uma missa celebrada no dia 31 de agosto e presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado. Durante a homilia, o bispo destacou que a oração e o trabalho em favor das vocações devem fazer parte da vida da Igreja durante todo o ano, e não apenas no mês dedicado ao tema. “O mês vocacional termina, mas o compromisso de rezar e trabalhar pelas vocações é todos os dias”, afirmou Dom Joel.

Ao refletir sobre o significado da vocação, o bispo explicou que ela deve ser compreendida em sentido amplo, como uma marca colocada pelo Criador no coração de cada ser humano. Para ele, a beleza da criação também ajuda a compreender a singularidade de cada pessoa.

Dom Joel recordou uma experiência vivida em Aparecida, quando avistou um tucano e se impressionou com a beleza do animal. A partir desse episódio, refletiu sobre o cuidado e a riqueza presentes na criação.

“Se o Criador fez tudo isso e também dotou o ser humano de razão e da capacidade de amar, podemos juntar essas duas dimensões naquilo que chamamos de vocação”, afirmou.

Segundo o bispo, o ser humano não nasce apenas movido por instintos, mas também como resposta a um chamado. A vida, nesse sentido, deve ser acolhida e transformada de acordo com o grande sentido de responder ao amor de Deus.

“Nós não nascemos apenas como seres movidos por instintos; nascemos como um chamado”, disse.

Vocação para todos

Dom Joel ressaltou que a vocação não está restrita ao sacerdócio ou à vida consagrada. Ela também se manifesta no matrimônio, no trabalho, no serviço ao próximo e em outras formas de dedicação.

“Independentemente de qualquer estado de vida, do gênero ou da idade, todos somos chamados a viver a vida como vocação”, afirmou.

Para o bispo, a vocação é um mistério e, ao mesmo tempo, uma beleza, porque nasce do amor de Deus, que cria, salva, santifica, chama e envia cada pessoa.

A homilia também destacou o Evangelho proclamado na celebração, no qual Jesus anuncia sua missão na sinagoga:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e a recuperação da vista aos cegos; para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor.”

A partir da passagem bíblica, Dom Joel afirmou que a vocação cristã está relacionada ao anúncio da Boa-Nova, à promoção da liberdade, ao cuidado com os doentes e à atenção aos necessitados.

“O significado profundo de toda vocação está em passar o resto da vida dando uma resposta de amor, à semelhança da resposta de amor que Cristo oferece a nós”, explicou.

O bispo também recordou a afirmação de Jesus após a leitura do profeta Isaías: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Para Dom Joel, essa frase representa um convite para que cada cristão compreenda a própria vida como resposta ao chamado de Deus.

“Cada cristão e cada cristã, compreendendo a própria vida como vocação, é chamado a dizer, ao término da vida: ‘Eu fiz da minha vida uma resposta a esse chamado’”, afirmou.

Vocação e realização pessoal

Ao comentar a Primeira Leitura, Dom Joel citou o exemplo de São Paulo, que anunciou Jesus Cristo sem se apoiar na eloquência ou na sabedoria humana. Segundo o bispo, a fé deve estar fundamentada no poder de Deus, e não apenas em argumentos humanos.

Ele também alertou para o risco de uma vida centrada exclusivamente nos interesses pessoais. Embora a vocação seja um dom de Deus, é necessário vivê-la com generosidade, colocando os próprios dons a serviço dos demais.

“A vocação é um dom de Deus. Uma vocação bem vivida pode conduzir a uma vida feliz”, afirmou.

Dom Joel destacou ainda a alegria de quem encontra sentido naquilo que faz e exerce sua profissão ou missão não apenas em benefício próprio, mas também por caridade e serviço.

“Quando vejo alguém feliz naquilo que faz, percebo algo muito bonito. Ali está uma pessoa que encontrou um sentido, que encontrou uma resposta para a própria vida”, disse.

Ao final da reflexão, o bispo convidou a comunidade a continuar rezando e trabalhando pelas vocações. Ele também mencionou o encontro vocacional que reuniria representantes de diferentes partes do Brasil para refletir sobre famílias e comunidades vocacionais, além de incentivar as novas gerações a discernirem e responderem ao chamado de Deus.

Memória de um sacerdote

Na parte final da homilia, Dom Joel recordou a trajetória de um sacerdote que prestou relevantes serviços à Diocese de Petrópolis e à comunidade local. Embora o nome não esteja identificado no material da transcrição, o bispo destacou que a memória desse sacerdote permanece viva não por meio de objetos pessoais, mas pelo trabalho realizado e pelas sementes deixadas na Igreja.

“Procuramos muito objetos, roupas e lembranças do monsenhor, mas não encontramos nada. O que encontramos, porém, foi tudo aquilo que ele plantou e deixou”, afirmou.

Dom Joel ressaltou que o sacerdote marcou a história da Diocese de Petrópolis e que recordar sua vida é também reconhecer a contribuição de todos aqueles que ajudaram a construir a caminhada da Igreja na região.

“Nós fazemos memória da vida dessas pessoas”, disse.

O bispo encerrou agradecendo aos participantes da celebração e a todos os que mantêm interesse pela história da diocese. Também afirmou que a trajetória do sacerdote continuará sendo apresentada e valorizada pela comunidade.

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