Juventude protagonista: fé, união e criatividade transformam a vida da Paróquia Santa Teresinha

No ano em que a Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Parque Caçula, em Magé, lança a pré-campanha para a construção de sua igreja matriz, uma iniciativa uniu fé, cultura, criatividade e confraternização. A partir da tradicional Via-Sacra encenada, os jovens da paróquia apresentaram o teatro “Auto da Paixão – Tudo passa pela Cruz” e, posteriormente, participaram do ‘Oscar’ da Via-Sacra Encenada, uma celebração criada para agradecer a Deus e reconhecer a dedicação de todos os envolvidos.

A iniciativa reuniu jovens da Pastoral da Juventude das seis comunidades pertencentes à paróquia, além de integrantes de outras pastorais e voluntários. Mais do que uma apresentação teatral, a experiência se tornou um momento de evangelização, unidade e participação comunitária.

Para o administrador paroquial, Padre Antônio Carlos de Carvalho Araújo, o Oscar nasceu como uma manifestação de gratidão e do sentimento de pertença dos jovens à Igreja e a Deus.

“O Oscar surgiu a partir da experiência de alegria, amor e piedade que aqueles jovens, ao encenarem teatralmente a Via-Sacra, vivenciaram pessoalmente e levaram às pessoas da paróquia que estavam ali presenciando aquele espetáculo”, explicou o sacerdote.

Segundo o padre, a iniciativa representou uma grande manifestação do amor de Deus na vida dos jovens e de toda a comunidade. Para ele, a homenagem não teve como objetivo principal exaltar pessoas, mas louvar a Deus por ter chamado, permitido e capacitado todos para viverem uma Semana Santa especial na Paróquia Santa Teresinha.

“É um louvor não às pessoas que colaboraram direta ou indiretamente para a realização da obra, mas, sobretudo, um louvor a Deus, que nos chamou, nos permitiu e nos capacitou a fazer desta Semana Santa uma muito especial aqui na paróquia”, afirmou.

Um trabalho estruturado com a juventude

Desde que chegou à paróquia, há aproximadamente dois anos e oito meses, Padre Antônio Carlos tem procurado fortalecer o trabalho pastoral com a juventude. De acordo com o sacerdote, até então não havia uma organização específica para acolher, formar e acompanhar os jovens dentro da comunidade.

“Aqui ainda não havia um trabalho organizado, nem como setor, nem como grupo, nem como uma pastoral independente. Para viver experiências próprias da evangelização e da pastoral juvenil, os jovens daqui acabavam tendo de procurar essa realidade em outras paróquias”, recordou.

Com o objetivo de promover a formação de lideranças, a unidade e a participação dos jovens na vida paroquial, foi criado o Setor Juventude, de acordo com as orientações dos documentos da Igreja. A partir daí, jovens com certa maturidade passaram a desenvolver um trabalho pastoral voltado à comunhão, à evangelização e ao acolhimento de outros jovens.

Entre as atividades realizadas estão momentos de formação e espiritualidade, participação na Santa Missa, serviço à liturgia, música, catequese, Pastoral da Caridade, atendimento de confissões e direção espiritual.

Para o padre, a espiritualidade de Santa Teresinha do Menino Jesus, especialmente a chamada Pequena Via, tem sido fundamental nesse processo.

“Eles hoje se interessam muito pela vida de Santa Teresinha, pela sua espiritualidade e pela sua intimidade com Deus. Isso tem sido realmente fundamental aqui na nossa paróquia”, destacou.

A juventude, segundo o administrador paroquial, não está isolada das demais pastorais, mas inserida no corpo da comunidade.

“Eles se sentem parte da paróquia. O trabalho deles está dentro da paróquia, e a paróquia está presente no trabalho deles. Não se trata de uma vivência pastoral juvenil isolada ou separada”, afirmou.

Da Via-Sacra encenada ao teatro

A primeira experiência dos jovens com a encenação da Via-Sacra ocorreu na Sexta-Feira da Paixão, logo após a celebração da Paixão do Senhor. Durante dois anos, os jovens se dirigiam ao pátio da igreja para representar as passagens da Via-Sacra, mantendo o caráter próprio de oração e contemplação desse momento da Semana Santa.

Neste ano, a proposta ganhou uma nova dimensão. Rosiane Paes Silva, que durante muito tempo atuou com a juventude da paróquia, sugeriu transformar a Via-Sacra encenada em uma peça teatral. A iniciativa contou com apoio de Maria Eduarda Rodrigues Rechiere de Araújo e atuando juntas, nasceu o espetáculo “Auto da Paixão – Tudo passa pela Cruz”.

Sob a liderança delas, os jovens se organizaram e realizaram ensaios, prepararam figurinos, iluminação e todos os elementos necessários para a apresentação. O teatro teve uma única apresentação, realizada dentro da igreja.

A adaptação foi inspirada nos relatos bíblicos da Paixão de Cristo e buscou tornar a narrativa mais dinâmica, acessível e envolvente, sem perder a fidelidade à mensagem central do Evangelho.

Um dos diferenciais da apresentação foi o caráter imersivo. O público não se limitou a assistir à encenação, mas foi convidado a participar de momentos importantes da narrativa. Na entrada de Jesus, por exemplo, os presentes acenderam as lanternas dos celulares para iluminar o caminho dentro da igreja. Pessoas com ramos saudaram Jesus, e alguns colocaram os ramos no chão, recordando a entrada triunfal em Jerusalém.

Ao final, durante a cena da Ressurreição, todos foram convidados a se levantar, aproximar-se e tocar a cruz, vivendo um momento pessoal de oração. Dessa forma, a apresentação se transformou em uma experiência de fé, oração e encontro com o mistério celebrado.

“O teatro não foi apenas assistido, mas vivido, tornando-se uma experiência marcante de evangelização para todos os presentes”, explicou Rosiane.

Para Padre Antônio Carlos, a dedicação dos jovens foi além da preparação artística. Eles também buscaram viver espiritualmente as propostas da Quaresma e da Semana Santa.

“Eles se dedicaram de todas as formas, mas, sobretudo, espiritualmente, porque foram capazes de tocar o nosso coração ao nos fazer contemplar a flagelação de Jesus e tudo aquilo que Ele sofreu para nos salvar: o padecimento e a paixão de Cristo por amor a cada um de nós”, afirmou.

Segundo o sacerdote, os jovens conseguiram transmitir a mensagem da Paixão porque procuraram vivenciá-la pessoalmente.

Um Oscar para celebrar a missão

Depois de todo o trabalho realizado na preparação e apresentação do teatro, surgiu a ideia de promover o ‘Oscar’ da Via-Sacra Encenada. A proposta foi criar um momento de confraternização entre os jovens, celebrar o resultado da missão e agradecer a Deus pela experiência vivida.

“A ideia surgiu como uma forma criativa e fraterna de encerrar o trabalho realizado na Via-Sacra, promovendo um momento de confraternização entre os jovens”, explicou Rosiane.

De acordo com a coordenadora, depois de todo o empenho e dedicação na construção do teatro, o grupo sentiu a necessidade de celebrar de maneira leve, alegre e significativa.

“Sentimos a necessidade de celebrar e agradecer a Deus pelo bom êxito da missão, de maneira leve, alegre e significativa”, acrescentou.

O principal objetivo foi valorizar os dons, o esforço e a dedicação de cada participante, além de fortalecer os vínculos entre os jovens e incentivar o protagonismo juvenil.

“Também buscamos mostrar que servir à Igreja pode ser uma experiência alegre, criativa e profundamente marcante”, ressaltou Rosiane.

A premiação contemplou aproximadamente 18 a 20 categorias. Foram reconhecidos aspectos relacionados à atuação e ao desenvolvimento artístico, como melhor ator, melhor atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante. Também foram valorizados os trabalhos de bastidores, fundamentais para a realização do espetáculo.

Além das categorias artísticas, houve premiações descontraídas, relacionadas às características marcantes dos jovens e à convivência do grupo, como “mais dramático” e “mais perseverante”.

Mais do que estabelecer uma competição, a intenção foi reconhecer a contribuição individual de cada participante.

“Mais do que premiar, a intenção foi reconhecer que cada um, à sua maneira, contribuiu de forma única para que o teatro acontecesse”, explicou Rosiane.

A paróquia também recebeu o Oscar

Um dos momentos mais significativos da confraternização aconteceu no encerramento da premiação. A própria paróquia foi chamada para receber o ‘Oscar’. Todos foram convidados a se levantar e se aproximar para participar daquele gesto simbólico.

A homenagem representou a compreensão de que o resultado não foi fruto do trabalho de uma pessoa ou de um grupo isolado, mas da união de toda a comunidade.

“Foi um sinal concreto de que, sem a colaboração, o apoio e o envolvimento da comunidade, nada daquilo teria sido possível”, afirmou Rosiane.

O gesto também reforçou o sentimento de pertença dos jovens e a integração entre a juventude e as demais pastorais. Para Padre Antônio Carlos, a iniciativa revelou que os jovens estão presentes em diversas frentes da vida paroquial.

“Esses jovens estão presentes na liturgia, na música, na Pastoral da Caridade, na catequese e em tantas outras atividades. Onde se faz necessário, eles estão ali presentes”, destacou.

Fé, criatividade e transformação

Para Rosiane, o trabalho fortaleceu diretamente a pastoral juvenil, promovendo integração, senso de pertencimento e valorização dos jovens dentro da comunidade. A experiência também incentivou o trabalho em equipe, a responsabilidade e o compromisso com a evangelização.

“A vivência da fé pode ser criativa, envolvente e profundamente transformadora”, afirmou.

A experiência revelou ainda que, mais do que os talentos individuais, foi a união de todos que tornou possível a realização do teatro e o alcance de seus frutos. Cada gesto, serviço e forma de participação contribuiu para uma obra que ultrapassou o esforço humano.

Movidos pela certeza de que a missão era maior do que podiam imaginar, os jovens compreenderam-se como instrumentos de Deus.

“Fomos apenas canais da graça, instrumentos nas mãos de Deus, e por isso elevamos a Ele toda a nossa gratidão”, destacou Rosiane.

Assim, a Via-Sacra e o Oscar se transformaram em muito mais do que uma apresentação e uma confraternização. Foram experiências de fé, unidade, entusiasmo e participação comunitária.

“Tudo começa em Cristo, é sustentado por Ele e é para Ele que tudo retorna”, concluiu Rosiane.

Nasce a Companhia das Rosas

A partir da experiência do teatro, nasceu também o grupo de teatro da Pastoral da Juventude da Paróquia Santa Teresinha: a Companhia das Rosas.

O novo grupo representa a continuidade do trabalho iniciado com a Via-Sacra encenada e reforça o compromisso dos jovens com a evangelização por meio da arte, da criatividade e da espiritualidade. O nome faz referência à identidade de Santa Teresinha do Menino Jesus e à missão de levar, por meio do teatro, mensagens de fé, esperança e amor.

A Companhia das Rosas surge, portanto, como um novo fruto da unidade entre os jovens, as pastorais e toda a comunidade paroquial — uma iniciativa que une talento, serviço e vida cristã.

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