A Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Itaipava, realiza amanhã a festa em honra à sua padroeira, com carreata saindo de Benfica, às 19h, seguida de Missa Solene. A celebração marca o encerramento da novena em preparação para a data festiva, que ao longo dos últimos dias contou com a presença de diversos padres convidados, do bispo diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado, no dia 9, e, nesta terça-feira (12), de Dom José Maria Pereira, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Em sua homilia durante a novena, Dom Joel destacou a importância de celebrar Nossa Senhora de Fátima dentro do Tempo Pascal, em sintonia com o caminho litúrgico da Igreja, que se dirige para as solenidades da Ascensão do Senhor e de Pentecostes. Segundo ele, a coincidência das datas ajuda os fiéis a compreender melhor a mensagem de Maria.

“Estamos vivendo o final do Tempo Pascal. No domingo, dia 17 de abril, celebraremos a Ascensão do Senhor e, daqui a dois domingos, Pentecostes, a vinda do Espírito. Muitas vezes, a festa de Nossa Senhora de Fátima acontece nesse período, e isso nos ajuda a entender o que a Igreja nos diz com a liturgia e o que a Virgem Maria quer nos transmitir”, afirmou.
Dom Joel recordou que, após a Páscoa, as leituras bíblicas mostram uma mudança: já não são mais as aparições de Jesus ressuscitado, mas a comunidade cristã anunciando o Evangelho em meio a dificuldades e perseguições. “Jesus diz no Evangelho: ‘Não vou deixar vocês órfãos. Vou enviar o Espírito Santo, um outro Consolador, que vai ficar no meio de vocês, dentro de vocês, para que vocês possam dar as razões da esperança de vocês’”, destacou, citando a segunda leitura.
O desânimo não pode nos vencer
O bispo relacionou essa esperança à experiência histórica vivida em Portugal na época das aparições de Fátima, em 1917, no contexto do fim da Primeira Guerra Mundial, marcado pela fome, pela pobreza e pelo sofrimento da população. Nessas circunstâncias, observou, é fácil cair no desânimo.

“Quantas vezes a gente se pergunta: ‘Como é que eu estou aguentando isso?’ A liturgia de hoje nos responde: é o próprio Senhor, que, pela força do seu Espírito, age em nós de um modo que muitas vezes não conseguimos explicar. No meio do sofrimento, você continua em pé, consegue sorrir, rezar e até ajudar outras pessoas”, disse.
Citando São Paulo — “Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” —, Dom Joel enfatizou que a presença de Cristo hoje se dá na vida dos cristãos e da Igreja, sustentados pelo Espírito Santo. Como condição para essa presença, recordou o mandamento de Jesus: “Amai-vos uns aos outros”.
“O Espírito Santo é a força para amar como Jesus amou: socorrer, ajudar, perdoar. Assim como o Ressuscitado reuniu os apóstolos, o Espírito continua agindo em nós hoje”, afirmou.
A devoção mariana
Ao tratar da devoção mariana, o bispo explicou a multiplicidade de títulos atribuídos a Nossa Senhora, como Fátima, Lourdes, Guadalupe, das Dores, da Piedade, entre tantos outros. “Quantas são as Santas Mães de Deus? Uma só. Mas por que tantos nomes? Porque cada filho chama a mãe de um jeito. Cada título revela um detalhe: a Maria da Bíblia, das virtudes, da esperança, e também a Maria das aparições”, explicou.

Ele ressaltou que Maria, elevada ao Céu, “não se aposentou”, mas continua sendo sinal da proximidade e do cuidado de Deus, especialmente em tempos difíceis. “Toda vez que o Céu quer manifestar seu amor a nós, para que não desanimemos no sofrimento, é a Virgem Maria que aparece. E é interessante: aparece com carinho, em geral em momentos muito difíceis, e para pequenos, pobres, sofridores”, lembrou, citando as aparições de Guadalupe e Fátima, onde os videntes foram crianças.
Sobre Nossa Senhora de Fátima, Dom Joel descreveu a paciência de Maria ao se manifestar repetidas vezes às três crianças portuguesas, entre maio e outubro de 1917, apesar da incredulidade inicial dos adultos. “Gostar de Nossa Senhora de Fátima é gostar de alguém que infinitamente gosta de nós. Olhar para ela é dizer: nós não estamos sozinhos, não estamos abandonados neste mundo”, afirmou.

Encerrando sua reflexão, o bispo reforçou a mensagem central deste sexto dia da novena, que coincide com o sexto domingo da Páscoa: confiança e perseverança na fé. “Se alguma coisa, neste sexto dia da novena, quer nos dizer, é: confie, não desanime; nós não estamos sozinhos. Se a vida, às vezes, é dura e difícil — e isso sempre vai acontecer —, nunca estaremos sozinhos e abandonados”, concluiu, invocando a bênção de Deus e de Nossa Senhora de Fátima sobre os fiéis e suas famílias.
Ao final da festa desta quarta-feira, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima espera reunir a comunidade em clima de fé, esperança e gratidão, para que cada família, ao retornar para casa, possa reconhecer: “Esta casa é minha; é de Deus; é da Virgem Maria, para que a paz, a esperança e a confiança permaneçam aqui”.






