Entre o final do século XIX e o início do século XX, Petrópolis destacou-se não apenas como sede do governo fluminense, mas também como sede diocesana. A então Matriz de São Pedro de Alcântara foi elevada à dignidade de Catedral, nela exercendo o ministério episcopal Dom Francisco do Rego Maia (1897-1901) e, posteriormente, Dom João Francisco Braga (1902-1907).
Com a transferência da sede da Diocese para Niterói, em 25 de fevereiro de 1908, consolidou-se entre, os fiéis petropolitanos, um sentimento de perda e, simultaneamente, o desejo persistente de que a cidade voltasse a acolher o seu próprio bispo, retomando a condição de Diocese.

A imprensa local e regional, ao longo das décadas seguintes, manteve viva essa expectativa, embora o tempo transcorresse sem que tal aspiração se concretizasse. A antiga Matriz, outrora Catedral, foi demolida e, apesar de a inauguração da nova Matriz, em 1925, ter reavivado os ânimos da população, Petrópolis permaneceu canonicamente vinculada à Diocese de Niterói.
O ano de 1943 constitui um marco decisivo no processo de restauração da Diocese Petropolitana. Naquele ano, por ocasião das comemorações do centenário da cidade, a Paróquia de São Pedro de Alcântara promoveu um grande Congresso Eucarístico, que contou com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Bento Aloísio, de numerosos bispos e de diversas autoridades civis e militares.
Cumpre recordar que, àquela altura, o Brasil ainda não havia ingressado oficialmente na Segunda Guerra Mundial, já em curso no continente europeu. Inserido nesse contexto histórico, o Congresso Eucarístico assumiu dupla significação: por um lado, configurou-se como súplica coletiva pelo fim do conflito mundial; por outro, revestiu-se de forte caráter patriótico, exaltando os valores nacionais e implorando a proteção divina para o país diante das incertezas do cenário internacional.
O Congresso realizou-se em consonância com o primeiro centenário de Petrópolis e, por esse motivo, foi encerrado solenemente no dia 16 de março de 1943, data comemorativa do aniversário da cidade. Conservam-se, até os dias atuais, os registros completos das atas e dos discursos proferidos ao longo do evento.

O pronunciamento final caberia ao então bispo resignatário do Espírito Santo, Dom Benedito Paulo Alves de Souza. Contudo, antes que este tomasse a palavra, o Bispo de Niterói, Dom José Pereira Alves (sob cuja jurisdição canônica Petrópolis ainda se encontrava) solicitou a palavra para uma intervenção prévia. Essa alocução, de particular relevância para a história eclesiástica de nossa cidade, foi devidamente registrada.
Em seu discurso, Dom José Pereira Alves anunciou que Dom Benedito encerraria a sessão. Em seguida, pediu licença para, simbolicamente, tomar das mãos de um soldado da pátria a bandeira nacional que havia sido agitada sobre os congressistas, a fim de erguê-la como bandeira eucarística sobre o céu de Petrópolis. Afirmou que tal gesto expressava, naquele momento, o desejo da criação da Diocese de Petrópolis e que a cidade aspirava ver brotar, daquele “canteiro eucarístico”, a ideia de uma diocese própria, poeticamente comparada a uma rosa que se eleva aos céus ou à rosácea da então Matriz, já chamada de Catedral naquele dia pelo Bispo de Niterói.
Expressou, ainda, o anseio de que se erigisse, como uma “hortênsia espiritual”, a mitra episcopal destinada a coroar simbolicamente as montanhas verdejantes da cidade. Dirigindo-se aos congressistas, especialmente ao Núncio Apostólico e aos bispos presentes, pediu o apoio e a bênção para essa iniciativa, assegurando que jamais se oporia à sua realização e que, embora viesse a perder a jurisdição canônica sobre Petrópolis, jamais perderia a jurisdição do amor pastoral pelo seu povo.

A partir desse pronunciamento, e com o consentimento do Núncio Apostólico, iniciaram-se os preparativos concretos para a ereção da nova Diocese. O pároco da Matriz de São Pedro de Alcântara, Monsenhor Francisco Gentil da Costa, empenhou-se de modo diligente e contínuo para tornar viável esse projeto. A Matriz foi adaptada para acolher a cátedra episcopal e as estalas do cabido; adquiriu-se uma residência destinada ao Palácio Episcopal e procedeu-se à organização territorial das paróquias que comporiam a futura circunscrição eclesiástica.
Em 13 de abril de 1946, no contexto do Centenário da Paróquia de São Pedro de Alcântara, o Papa Pio XII erigiu canonicamente a Diocese de Petrópolis por meio da bula Pastoralis Qua Urgemur, desmembrando seu território das então dioceses de Niterói e Barra do Piraí. Todavia, a nova Diocese foi criada sem a nomeação imediata de um bispo residencial.
Assim, Dom José Pereira Alves permaneceu à frente da Diocese de Petrópolis na qualidade de Administrador Apostólico, acumulando, simultaneamente, o governo da Diocese de Niterói. Nessa condição, governou ambas as dioceses até o seu falecimento, ocorrido em 21 de dezembro de 1947, o que acarretou a vacância da Sé Episcopal de Niterói e a Diocese de Petrópolis passou a necessitar de um novo Administrador Apostólico ou Vigário Capitular.

Após esse acontecimento, a Santa Sé confiou a administração apostólica de Petrópolis ao então Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. Somente no dia 3 de janeiro de 1948 foi nomeado o primeiro bispo residencial da Diocese de Petrópolis, Monsenhor Manoel Pedro da Cunha Cintra, então Reitor do Seminário de São Paulo.
Sua ordenação episcopal ocorreu em 28 de março de 1948, e a posse canônica na Diocese de Petrópolis deu-se em 25 de abril do mesmo ano, inaugurando, de modo pleno, a vida episcopal própria da nova circunscrição.
Conclui-se, assim, que, embora a Diocese de Petrópolis tenha sido formalmente erigida em meados do século XX, a presença e a atuação da Igreja na cidade remontam ao próprio surgimento de Petrópolis, uma vez que, desde os primórdios da ocupação da região serrana, a Igreja fez-se presente por meio da assistência religiosa, cultural, social e educacional, confirmando, na prática histórica local, aquilo que o Concílio Vaticano II viria a definir teologicamente: a Igreja como sacramento universal de salvação.







