No terceiro dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (62ª AG CNBB), que acontece no Centro de Convenções do Santuário Nacional de Aparecida, na manhã de hoje, entre as discussões, foram abordadas as análises de Conjuntura Eclesial e Sociocultural, com a participação do bispo de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado. Ele, juntamente com o bispo de Carolina (MA), Dom Francisco Lima, participou da coletiva de imprensa, respondendo perguntas dos jornalistas.

Além de Dom Joel, a Diocese de Petrópolis também está representada por Beatriz Leal, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Raiz da Serra, assessora da Comissão Episcopal para Educação, e pelo padre Jovane da Rosa Carmo, secretário executivo do Regional Leste 1.
Nesta segunda coletiva de imprensa da Assembleia da CNBB, foi apresentada a realidade social, com a presença de Dom Francisco Lima, coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Gerir Linares, e um panorama da Conjuntura Eclesial, com o presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB, Dom Joel Portella Amado.
Os dois bispos realizaram uma apresentação breve, e o assessor de comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, abriu para as perguntas dos jornalistas de vários órgãos de imprensa da mídia católica. Em sua apresentação, Dom Francisco Lima explicou que a “análise de conjuntura social deste ano fez menção ao que o mundo moderno, ou dito pós-moderno, tem embaraçado o coração da humanidade, a saber, a ausência de paz. Como nos períodos da Antiguidade e nos períodos da Medievalidade, hoje, recorrentemente, encontramos a ausência de paz”.

De acordo com ele, a análise tratou da questão da paz, da questão do meio ambiente, da questão da violência nas grandes cidades, da posição do ser cristão e da Igreja para poder fazer frente a esse desfuncionamento social. “Encontramos as palavras do Papa Leão XIII, que está sendo protagonista da paz, apresentando a ausência da paz e que a guerra não pode ser a solução, não pode fazer com que a humanidade, do estado de guerra de todos contra todos, voltasse hoje a esse cenário. Por isso, de início, a análise de conjuntura social tematizou sobre a necessidade da paz”, afirmou Dom Francisco.
Em sua apresentação aos jornalistas, Dom Joel falou sobre a Conjuntura Eclesial e afirmou que ela “teve uma finalidade muito específica, muito concreta: ajudar a entender, a contextualizar as diretrizes, que são o que constituem o tema central deste ano. Para responder a uma pergunta: por que as diretrizes são assim? Por que serão feitas aquelas opções que começaram a ser estudadas em assembleia? Por que fazemos tais opções?”.

Para Dom Joel, o ponto de partida da análise, para responder a essa pergunta, é que o Brasil vive hoje um quadro especificamente religioso, com algumas características. “Primeira: o Brasil não se tornou menos religioso. Do Censo de 2010 para cá, havia muita previsão de que o Brasil se tornaria menos religioso. Não se tornou. Segunda: o Brasil se tornou, na verdade, pluralmente religioso. Nós não temos hoje uma, duas, três religiões. Por exemplo, o Censo dizia para nós: o Brasil vai se tornar evangélico ou católico. O Brasil hoje tem uma multiplicidade de possibilidades religiosas. Terceira: isso é poroso. Não só as pessoas circulam de uma religião para outra, como vão pegando conteúdos de uma religião, juntando com outras e fazendo as suas construções. E quarta, então, a última: num processo de altíssima individualização.”
Diante desse quadro, Dom Joel explicou que a análise procurou responder: “Como ser uma Igreja que, reconhecendo esse contexto e dialogando com ele, possa anunciar o Evangelho, que tem sua identidade, tem suas características próprias”, completou o bispo de Petrópolis.





