Um importante sesquicentenário: 150 anos da Pedra Fundamental da Catedral de Petrópolis

Hoje, dia 12 de março de 2026, quinta-feira, o dia amanheceu cinzento, sob a ameaça da chuva. Contudo, há exatos 150 anos, em 12 de março de 1876, Petrópolis despertava sob um domingo ensolarado. Naquele dia, Dom Pedro II encontrava-se na cidade e iria proceder ao solene lançamento da Pedra Fundamental da nova Matriz de São Pedro de Alcântara, antigo sonho do povo petropolitano, além de inaugurar o Hospital Santa Teresa.

No Morro da Igreja, também chamado Morro do Belvedere, pequena elevação de terra triangular próxima do Palácio Imperial, foi armado um pavilhão onde se realizariam as cerimônias civis e religiosas daquele memorável acontecimento.

De fato, naquele ano, a Paróquia de São Pedro de Alcântara celebrava o trigésimo aniversário de sua criação canônica e ainda não possuía uma matriz ampla e digna de sua importância. A planta de Koeler, conforme desejo do Imperador, já havia destinado aquele terreno, décadas antes, para a construção da igreja matriz, mas o sonho ainda não se havia realizado.

O dia 12 de março marcaria, enfim, o início dessa realização. Para tal ocasião foi organizada uma cerimônia solene: o lançamento da pedra fundamental. A data foi escolhida também para comemorar o aniversário da Imperatriz Dona Teresa Cristina, que no dia 14 de março celebraria 54 anos de vida. Contudo, por estar enferma, não pôde comparecer à cerimônia.

Colher usada por Dom Pedro II no lançamento da pedra fundamental

Ali estavam presentes Dom Pedro II, a Princesa Dona Isabel, seu esposo Conde d’Eu, membros da corte, todos os vereadores de Petrópolis, o vigário da cidade, Padre Nicolau Germain, e seu coadjutor, Padre Theodoro Esch. Também estava ali, como sempre presente na vida religiosa da cidade, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, à qual caberia zelar pelo culto eucarístico na nova Matriz.

A cerimônia religiosa foi presidida pelo Internúncio Apostólico Dom Luís Bruschetti, que, às 8 horas, procedeu à sagração daquele terreno, retirando-o do uso profano e destinando-o à construção de um templo, casa de Deus entre os homens. Em seguida, abençoou a pedra fundamental da igreja, dentro da qual, em uma cavidade preparada, foi acomodada uma pequena urna de cedro, que guardava em seu interior jornais do dia, moedas cunhadas no Império e a ata da cerimônia, como silencioso testemunho daquele momento para as gerações futuras.

Coube a Dom Pedro II, em gesto profundamente simbólico, assentar essa pedra, dando com um martelo de prata as primeiras batidas e a primeira colherada de massa. A segunda e a terceira colheradas foram dadas pela Princesa Dona Isabel, e por seu esposo, Conde d’Eu. Tanto esse martelo de prata quanto a pequena colher de pedreiro utilizados naquele dia encontram-se hoje custodiados no acervo da Paróquia da Catedral, expostos na Galeria Princesa Isabel.

Simbolicamente, estava assim iniciada a construção da nova Matriz. A partir daquele momento, o martelo e a colher deixavam as mãos do Imperador e passavam, de certo modo, às mãos do povo petropolitano, a quem caberia levar adiante aquela grande obra.

Dom Pedro II não poderia imaginar, naquele domingo de sol, que o templo cuja primeira pedra lançava somente seria inaugurado quarenta e nove anos depois, ainda incompleto, para receber sob suas abóbadas seus próprios despojos, que ali aguardariam o dia final.

Aquele gesto inaugural, realizado há 150 anos, foi o início de uma história da qual hoje todos os petropolitanos se orgulham, da qual participam e que são chamados a continuar, para maior honra e glória de Deus e honra de São Pedro de Alcântara, excelso padroeiro de nossa cidade.

Fontes:

PAIXÃO, Dom Gregório, A Catedral de Petrópolis, Santuário da Memória da Cidade Imperial. Rio de Janeiro: Fundação Cesgranrio, 2015.

SODRÉ, Alcindo. Dom Pedro II e a Paróquia de Petrópolis, Vozes de Petrópolis, v.40, n.4, 1946.

 

 

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