Solenidade da Assunção da Virgem Maria com Padre Leonardo João

A Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria é celebrada no dia 15 de agosto, desde o século V, com o significado de “Nascimento para o Céu” ou, segundo a tradição bizantina, de “Dormição”.

No Brasil, esta solenidade é celebrada no domingo e neste ano, 18 de agosto.

Em Roma, esta festa era celebrada desde meados do século VII, mas foi preciso esperar até 1° de novembro de 1950, quando Pio XII proclamou o Dogma da Assunção de Maria, elevada ao céu em corpo e alma.

No Credo Apostólico, professamos a nossa fé na “ressurreição da carne” e na “vida eterna”, fim e sentido último do caminho da vida terrena. Esta promessa de fé cumpriu-se em Maria, sinal de “consolo e esperança” (Prefácio). Trata-se de um privilégio de Maria, por ser intimamente ligado ao fato de ser Mãe de Jesus: visto que a morte e a corrupção do corpo humano são consequências do pecado, não era oportuno que a Virgem Maria – isenta de pecado – fosse implicada nesta lei humana. Daí o mistério da sua “Dormição” ou “Assunção ao céu”.

No texto a seguir e no vídeo, Padre Leonardo João da Silva nos fala sobre a solenidade da Assunção da Virgem Maria.

“Os dogmas marianos são verdades de fé oficialmente reconhecidas pela Igreja sobre a pessoa e o papel de Nossa Senhora. Esses dogmas são parte integrante da doutrina católica e exigem a adesão dos fiéis como parte de sua fé.  Um desses dogmas é o da Assunção de Nossa Senhora aos céus. Na Carta Encíclica Redemptoris Mater, escrita por São João Paulo II em 1987, aprendemos que: “No mistério da Assunção exprime-se a fé da Igreja, segundo a qual Maria está «unida por um vínculo estreito e indissolúvel a Cristo»”

A Assunção de Nossa Senhora é uma verdade de fé na Igreja Católica que declara a subida da Virgem Maria aos céus, em corpo e alma. Isso significa que, ao término de sua vida terrena, Maria foi elevada diretamente ao céu por Deus, sem passar pela morte, como nós passaremos. Desse modo, ela é a primeira e mais sublime criatura a compartilhar plenamente da ressurreição de Cristo. Logo, a solenidade litúrgica recorda, como expõe o CIC n° 966 que: […] a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte […].

Celebramos tal Solenidade no dia 15 de agosto. No Brasil a data é transferida para o domingo seguinte, esse ano em 18 de agosto. Em Roma, a comemoração desta festa existe desde meados do século VII. Mas só em 1° de novembro de 1950, com a proclamação do Dogma pelo Papa Pio XII, reconheceu-se sua elevação ao céu em corpo e alma como verdade de fé.

A Assunção de Nossa Senhora não aparece de forma explícita na Bíblia, mas encontramos na figura da Mulher do Apocalipse uma relação com este acontecimento. O livro do Apocalipse, no capítulo 12, descreve uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Essa mulher está grávida e dá à luz um filho destinado a governar todas as nações.

Essa mesma mulher, simbolicamente identificada como a mãe do Messias, é frequentemente associada a Maria, mãe de Jesus. A descrição da mulher com o sol como manto é um símbolo da glória celestial e da elevação ao céu em corpo e alma. Sua posição com a lua sob seus pés sugere uma dominação sobre os poderes das trevas. A coroa de doze estrelas representa as doze tribos de Israel ou os doze apóstolos, destacando a importância universal dessa mulher na história da salvação.

Papa Pio XII na proclamação do Dogma da Assunção da Virgem Maria

Diz a Escritura em Ap 12, 1-5. “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.”

Portanto, embora não haja uma descrição direta da Assunção na Bíblia, a figura da Mulher do Apocalipse sugere uma ligação profunda e simbólica entre Maria e a glória celestial, reforçando assim a devoção católica a Nossa Senhora e a fé da Igreja nos dogmas marianos.

O dogma tem seu fundamento teológico profundamente enraizado em outro dogma, o da Imaculada Conceição de Maria. A Imaculada Conceição ensina que Maria foi concebida sem pecado original, sendo preservada por Deus desde o primeiro momento de sua existência. Desse modo, a pureza imaculada de Maria a coloca em uma posição única e especial entre todas as criaturas humanas.

Nesse contexto, a Assunção de Maria ao céu em corpo e alma surge como uma consequência natural da Imaculada Conceição. Uma vez que Maria foi preservada do pecado desde o início de sua vida terrena, não seria coerente que ela sofresse a morte e a corrupção do corpo, que são consequências do pecado original. Portanto, a Assunção de Maria é o ponto culminante de sua vida terrena, bem como um testemunho de seu papel íntimo na obra redentora de Cristo.

Dessa forma, o dogma da Assunção de Nossa Senhora encontra sua base teológica na Imaculada Conceição de Maria, revelando a extraordinária obra de Deus na vida daquela que foi escolhida para ser a mãe de seu Filho. Assim explica o Papa Pio XII na bula Constituição Apostólica do Papa Pio XII, Munificentissimus Deus: “Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada Virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos.”

A Assunção de Nossa Senhora tem um significado profundo para nossa vida espiritual, especialmente no que diz respeito à nossa esperança na vida eterna. Ao contemplarmos a Assunção de Maria ao céu em corpo e alma, recordamos uma promessa divina. Nós também, como membros do Corpo de Cristo, temos o chamado a compartilhar da mesma glória celestial.

Essa solenidade nos inspira a olhar além das preocupações terrenas. Ela nos ensina e encoraja a enfrentar as tentações e a fixar nossos olhos naquilo que é o nosso fim último: viver a eternidade na companhia do Senhor. Assim como Maria foi elevada ao céu, também nós, com fé e amor em Cristo, almejamos esse destino.

A Assunção de Nossa Senhora nos convoca, desse modo, a viver de acordo com os valores do Evangelho, cultivando uma vida de santidade, pureza e amor, a fim de que possamos um dia desfrutar da plenitude da comunhão com Deus nos céus.

Portanto, ao celebrarmos a Assunção de Maria, renovamos nossa esperança na vida eterna e nos comprometemos a seguir os passos de Nossa Senhora em direção ao céu, a fim de que, assim como ela, um dia estejamos no céu com o nosso corpo glorioso.

Belíssimo o Tropário, uma espécie de hino, para a festa da Dormição da bem-aventurada Virgem Maria, na Liturgia Bizantina, que diz: “No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás de livrar as nossas almas da morte.”

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