A Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e a Diocese de Petrópolis realizaram, na noite de 9 de março, o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, que este ano tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O evento acadêmico, no Salão Nobre do Campus Dom Veloso, teve início com a missa, na Capela Nossa Senhora de Sion, e foi concluído no Salão Nobre, com a palestra “Sustentabilidade na moradia é gerar felicidade, inteligência e espiritualidade”, com o professor Kurt Bergan.
Durante a palestra, o professor apresentou vários projetos e modelos de moradia, apontando alguns problemas na execução e forma de realizar alguns, que deveriam oferecer a dignidade de moradia, prevista na Constituição Brasileira e refletida na Campanha da Fraternidade. O professor apontou, entre outros problemas, o deslocamento de população para regiões onde o poder público oferece moradias populares, porém sem nenhuma estrutura, como posto de saúde, escola, comércio, entre outros. O que, na sua opinião, gera novos problemas.
A missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, além da celebração da Campanha da Fraternidade, também foi em ação de graças pelos dois anos de sua posse na Diocese de Petrópolis, ocorrida em 9 de março de 2024. Dom Joel agradeceu a todas as manifestações de carinho, ressaltando mais uma vez que foi ele quem recebeu o presente, ao ser nomeado para Petrópolis.
Os dois momentos contaram com a presença do Vigário Geral da Diocese, Padre Paulo Cesar, do Reitor da UCP, Padre Pedro Paulo, do reitor do Seminário Diocesano, Padre Luiz Henrique, e vários sacerdotes, além dos seminaristas e pró-reitores da universidade. O vereador Thiago Damaceno, representando o Legislativo Municipal, participou dos eventos, assim como representantes de algumas instituições ligadas à UCP e à Diocese.
Campanha da Fraternidade 2026: Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós”
Em sua fala no Salão Nobre da UCP, Dom Joel explicou que a Campanha da Fraternidade é “o jeito brasileiro de viver a Quaresma”, unindo fé e compromisso com a realidade do povo: “A Campanha da Fraternidade ajuda a quaresma a não se restringir apenas à dimensão religiosa. O ser humano é integral: ama, sonha, chora, ri. E a Campanha trabalha com esse ser humano integral.”
Dom Joel lembrou que o grande objetivo da Campanha é o bem comum: “Diante de Cristo, é pecado não pensar nas outras pessoas. Se uma pessoa sofre, todas sofrem. É Cristo sofrendo nelas.”
Falando do tema deste ano, moradia, o bispo destacou que a casa é muito mais que um bem material: “Falar de moradia é falar de algo profundamente humano, pois a casa é lugar de proteção, espaço de família, fonte de vínculos, sinal de dignidade.”
O texto-base da Campanha chama a atenção, entre outras realidades, para a população em situação de rua e para as condições precárias de moradia em muitas regiões do Brasil. Dom Joel recordou também os desafios da nossa Região Serrana, marcada por tragédias ligadas às chuvas e à ocupação de áreas de risco.
Um dos frutos concretos da Campanha é a Coleta da Solidariedade, realizada em todas as missas do Domingo de Ramos, cujos recursos apoiam projetos sociais ligados ao tema da moradia digna. Encerrando sua fala, Dom Joel fez um convite a toda a Diocese: “Peço que Deus abra os nossos corações para a caridade, atitude própria do cristão e da cristã, ainda mais em tempos de quaresma.”
O amor de Deus é simples e exigente
Na homilia, na Capela da universidade, Dom Joel refletiu sobre a força da Palavra de Deus, a resistência humana à conversão e a fidelidade de Deus que nunca abandona o seu povo, mesmo diante da rejeição. A partir das leituras proclamadas, o bispo mostrou como os textos bíblicos continuam profundamente atuais.
Logo no início, Dom Joel recordou que a Palavra de Deus “enriquece” a nossa vida quando a deixamos iluminar a nossa história: “A Palavra nos lembra o essencial, a simplicidade, o valor do que realmente importa, e nos ajuda a deixar de lado tudo o que é desnecessário.”
Segundo ele, viver a fé é aprender a ler a própria vida à luz do Evangelho: “A armadura não é a capa, não são as aparências, mas aquilo que está no coração. Vale a pena ler toda a nossa vida à luz da Palavra.”
Comentando a primeira leitura, Dom Joel destacou a figura do profeta enviado a um povo teimoso e resistente à voz de Deus. O profeta traz a Palavra, mas é rejeitado, assim como o próprio Deus é rejeitado pelo povo.
No Evangelho, o bispo lembrou que a mesma lógica se repete com Jesus: “No Evangelho, aparecem os mestres da Lei, no templo, na casa de Deus. O que acontece no Antigo Testamento se cumpre com mais clareza: os mestres da Lei rejeitam Jesus, e ao final tentam eliminá-lo.”
Para Dom Joel, esse paralelo revela algo fundamental para a fé cristã: “Jesus vem ao mundo como o Enviado de Deus, não para outra coisa que não seja anunciar o Reino e revelar que somos filhos e filhas amados. Deus nos ama com um amor absoluto. Ele não nos envia profetas por acaso; Ele nos envia porque nos ama.”










