A Igreja Católica proclamou um Ano Santo especial, que começou em 24 de dezembro de 2024 e terminará em 28 de dezembro de 2025, um Ano Jubilar dedicado ao tema da esperança. Mas qual é a relação entre o jubileu do Antigo Testamento e a mensagem de Cristo?
Padre DAVID NEUHAUS, sj
A palavra “Jubileu” não se origina do árabe, mas do hebraico. Seu significado literal é “chifre de carneiro”. Mas qual é a conexão entre o chifre de carneiro e o ano do Jubileu? Na tradição bíblica, o anúncio do ano era acompanhado pelo som do chifre ou (trombeta). O termo aparece no livro de Levítico, precisamente no capítulo 25.
O capítulo começa introduzindo a ideia do repouso da Terra. No Antigo Testamento, Deus ordenou ao Seu povo que trabalhasse a terra por seis anos consecutivos e a deixasse descansar no sétimo. Esse ciclo deveria ser repetido sete vezes, e o ano seguinte, o quinquagésimo, seria celebrado como Ano Jubilar. Durante esse período sagrado, Deus ordenou que todos retornassem à sua terra e família, vivendo de seus frutos, e que ninguém cometesse injustiça contra seu irmão.
Padre DAVID NEUHAUS, sj
Isso significa viver a lei divina, transformando a palavra de Deus em carne e vida, para que ela se concretize na existência de cada ser humano na Terra. Este conceito lembra a ideia fundamental da Bíblia Sagrada no Livro do Gênesis: quando Deus criou o homem, Ele o colocou na terra. Isso representa um novo começo e é um elemento-chave do Ano Jubilar.
No ano do Jubileu, Deus também ordena a libertação dos escravos.
Padre DAVID NEUHAUS, sj
Uma das manifestações mais óbvias de injustiça é a escravidão. No Ano Jubilar é claramente proclamado que Deus é o Senhor da terra e que somos apenas peregrinos, hóspedes e iguais diante d’Ele. Esta ideia de igualdade, válida tanto na sociedade agrícola do passado como nas sociedades civis, antigas e modernas, ainda hoje representa um grande desafio.
No Evangelho de Lucas (4, 17-19) encontramos princípios paralelos aos do Ano Jubilar, quando Cristo, lendo a profecia do profeta Isaías, proclamou:
O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.
Padre DAVID NEUHAUS, sj
O Evangelho conta a história de Bartimeu, o cego que estava sentado do lado de fora da cidade de Jericó. Mesmo cego, ele viu o que os outros não conseguiam ver. Ele foi o primeiro, no Evangelho de Marcos, a chamar Jesus de “Filho de Davi”, reconhecendo-o como rei, quando ainda era cego.
Esta história nos convida a refletir: Eu posso ver e ouvir, mas quantas vezes na minha vida permaneço cego e surdo para a verdade?
Sobre o apelo aos prisioneiros, o Padre Neuhaus diz que não se trata apenas daqueles que estão fisicamente encarcerados.
Padre DAVID NEUHAUS, sj
Estou na prisão sempre que me sinto acorrentado. Mas de quais prisões estamos falando? Por exemplo, pode haver prisões impostas pelo ódio.
O Padre Neuhaus conecta a declaração de Cristo, segundo a qual Ele veio pregar o ano aceitável do Senhor, isto é, o ano da satisfação do Senhor, com o ano do Jubileu.
Padre DAVID NEUHAUS, sj
O ano da satisfação de Deus é aquele que nos introduz à nova criação. Em Gênesis, de fato, depois de cada dia da criação, lemos: “E Deus viu que era bom”.
A Igreja celebra um Jubileu a cada 25 anos, um tempo de arrependimento e reconciliação com Deus e com os outros. Que cada dia da nossa vida seja um ano jubilar, para que respeitemos o próximo, criado por Deus à sua imagem e semelhança, e assim estejamos entre aqueles que Lhe agradam.
Fonte: Christian Media Center