Na manhã desta quinta-feira, 2 de abril, na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, presidiu a Missa dos Santos Óleos e a renovação das promessas sacerdotais. A celebração, que abre o Tríduo Pascal na Diocese de Petrópolis, reuniu o clero diocesano em torno do seu bispo na Catedral, para a bênção dos óleos e a reafirmação do “sim” de cada padre ao seu ministério.
Durante a celebração, foram abençoados o óleo do Batismo, o óleo do Crisma e o óleo dos Enfermos. Dom Joel lembrou que, com esses sinais, a Igreja acolhe os que chegam, fortalece os que estão na caminhada e se volta para os que sofrem. “Esse é um dia para todos nós agradecermos ao bom Deus, porque não somos um rebanho sem pastor, não somos um povo sem alguém que nos conduza”, afirmou.
A missão do sacerdote: chamado, envio e promessa

Comentando as leituras da liturgia, especialmente o Evangelho em que Jesus, na sinagoga de Nazaré, proclama: “O Espírito do Senhor está sobre mim”, Dom Joel destacou que esta Palavra ilumina a identidade do sacerdócio.
“Há sempre um chamado e um envio, e junto com eles, uma promessa”, explicou. O bispo lembrou que Jesus, ao ler o texto de Isaías, omite a expressão “tempo de vingança do nosso Deus”, mostrando o rosto verdadeiro do Pai: “O Deus que nos chama e nos envia não é o Deus do mal; o mal não vem d’Ele. Somos enviados a anunciar um tempo de graça, de paz, de reconciliação, de perdão.”
Dom Joel partilhou também, em tom pessoal, a própria experiência de oração cotidiana, na qual se coloca diante de Deus perguntando: “Senhor, é para isso que Tu me chamas?”. E enumerou algumas das realidades mais belas do ministério sacerdotal: “É para absolver, perdoar os pecadores? Para ouvir quem, confiantemente, coloca nas minhas mãos e no meu coração a sua fragilidade? Para dar esperança a quem não tem esperança? Para colocar estas mãos pecadoras sobre o pão e o vinho e, na força do Espírito, gerar para toda a Igreja o Teu Corpo e o Teu Sangue? É para isso, Senhor, que Tu me chamas?”
Diante da grandeza dessa missão, o bispo confessou: “Como eu sou pequeno diante de tudo isso”. E destacou que essa pequenez não é motivo de desânimo, mas de confiança no Senhor que chama, envia e promete estar presente: “Vai, que Eu estou com você até o último instante”.
Fragilidades humanas e fidelidade de Deus

Sem esconder as dificuldades que fazem parte da vida de todo sacerdote, Dom Joel recordou que os padres, como qualquer pessoa, vivem alegrias e provações, têm forças e fraquezas. Ele chamou a atenção para a forma como, hoje, as redes sociais potencializam os problemas e escândalos, obscurecendo a fidelidade silenciosa de tantos ministros.
“Uma floresta cresce em silêncio, mas se uma árvore cai, ela faz barulho”, citou. E completou: “Muitas vezes, generaliza-se de modo injusto, esquecendo tantas ‘árvores’ que, na floresta do Reino de Deus, crescem no silêncio, na entrega, no sorriso de gratidão e, às vezes, em lágrimas de dor.”
Comentando o convite do Papa para rezar pelos “padres em crise”, o bispo relativizou a ideia de que isso seja algo exclusivo do clero:
“Alguém me perguntava: então tem padre em crise? Eu respondi: tem jornalista em crise? Tem professor em crise? Tem dona de casa em crise? Tem bispo? Quem não tem? Se não fosse assim, nós seríamos deuses; nós somos humanos. Mas a nossa garantia não somos nós mesmos, é o Senhor.”
“Rezar pelos padres”: apelo central da homilia

No centro da homilia, Dom Joel insistiu no apelo à oração pelos sacerdotes. Ele pediu que os fiéis se recordem dos padres que marcaram suas vidas, agradeçam a Deus por eles e, se for necessário, também saibam perdoar.
“O que fazer então, nesta Quinta-Feira Santa, e ao longo de toda a vida? Rezar pelos padres”, enfatizou. “Cada um de nós agradecer pelos padres que passaram em nossas vidas, que estão junto a nós, nos sustentando, nos apoiando.”
Recordando os 80 anos da Diocese de Petrópolis, o bispo citou, com emoção, a experiência de ter ouvido, diante do túmulo de um sacerdote falecido, a oração simples de um casal: “Ô padre Francisco, obrigado por tudo que você fez por nós”. A partir desse exemplo, estendeu a gratidão a todos os padres que, conhecidos ou anônimos, doaram a vida pela diocese ao longo dessas oito décadas.
Dom Joel também dirigiu uma palavra especial aos seminaristas e vocacionados que batem à porta do seminário: “Quem vem depois de nós, junto com quem já veio antes, é uma confirmação profunda de que valeu a pena, de que o caminho é esse: responder ao Senhor e, em meio a forças e fraquezas, manter a fidelidade, porque a promessa do Senhor é definitiva. Aquele que nos chamou é fiel, nos acompanha, nos fortalece, nos leva até o fim.”
Entrega total e confiança no amor de Deus

Ao falar do celibato e da dedicação integral ao ministério, Dom Joel esclareceu que o “não” ao matrimônio e a outras profissões não é desvalorização dessas vocações, mas expressão de uma entrega radical: “Em meio a todas as nossas limitações, podemos ser um testemunho de alguém que responde amorosamente ao amor do Senhor e, nessa resposta, se entrega totalmente, em corpo e alma.”
Já ao final da homilia, o bispo retomou o pedido que fez a toda a comunidade diocesana: “Cada um de nós teve padres que marcaram a vida. Agradeçamos a Deus pelos padres que passaram em nossas vidas. Se tivermos que perdoar, perdoemos. Mas peçamos muito ao bom Deus que envie para toda a Igreja, na diversidade de carismas, sacerdotes santos e abençoados.”
A celebração da Missa dos Santos Óleos, com a renovação das promessas sacerdotais, marcou assim não apenas a unidade do clero e do povo em torno do bispo, mas também reforçou, de forma especial, o compromisso da Diocese de Petrópolis de sustentar seus padres com a oração, a gratidão e o apoio concreto do povo de Deus.





