Dom Joel Portella celebra missa pelos quatro anos da Comunidade Filhos de Amós: “Olhar para a cruz é reconhecer a grande prova do amor de Cristo”

No último domingo, 23 de novembro, a Comunidade Filhos de Amós celebrou com fé e gratidão seus quatro anos de caminhada evangelizadora. A missa em ação de graças foi presidida por Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano, e concelebrada pelo Padre João Carlos Feliciano, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e Santo Aleixo. A celebração contou ainda com a assistência do diácono permanente Edson Pereira de Souza, carinhosamente conhecido como Diácono Dinho.

A capela da Comunidade Amós, localizada no distrito de Santo Aleixo, em Magé (RJ), foi o local escolhido para a celebração. O espaço, construído com o esforço e dedicação dos consagrados e amigos da comunidade, ficou repleto de fiéis que participaram com alegria e emoção da missa, que coincidiu com a Solenidade de Cristo Rei do Universo.

Inspiração profética e missão de vida

A inspiração para a fundação da Comunidade Filhos de Amós nasceu de uma experiência pessoal de fé vivida por Jorge Luiz Santana Júnior, conhecido por todos como Juninho, durante uma homilia na implantação da Pastoral da Sobriedade na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santo Aleixo.

“Há quatro anos, durante uma homilia do Padre Jovane da Rosa Carmo, ele falava sobre a vida do profeta Amós. Aquilo tocou muito forte o meu coração. Eu sentia o desejo de viver aquilo também, de seguir como o profeta. A partir dali, começamos a montar um grupo e iniciar esse caminho comunitário, desenvolvendo o carisma que hoje nos identifica”, contou Juninho.

A estrutura física da comunidade também tem uma história marcada pela providência e generosidade. O terreno onde está construída a capela e a casa acolhida foi doado pela família de Fernanda Mello, cofundadora da comunidade.

“A família da Fernanda nos doou o terreno, e a partir disso começamos a trabalhar junto com nossos irmãos da paróquia. Fomos construindo aos poucos, com muito esforço e união. Hoje, graças a Deus, temos uma estrutura bem organizada”, relatou Juninho.

A Comunidade Filhos de Amós tem como uma de suas missões o acolhimento de pessoas em situação de dependência química. Segundo Juninho, duas pessoas já concluíram o tempo integral de nove meses de recuperação na casa, e outras também passaram por lá, mesmo que não tenham completado o ciclo.

“Ver essas vidas sendo transformadas é o que nos motiva. Mesmo que nem todos completem o tempo, cada passo dado em direção à libertação já é uma vitória”, afirmou.

Testemunho de superação e serviço

O Diácono Edson Pereira de Souza, o Diácono Dinho, também partilhou seu testemunho de vida e sua missão na comunidade:

“Minha participação na Comunidade surgiu da necessidade de partilhar um pouco da minha vida. Vivi por muito tempo dependente do álcool e, depois que saí dessa realidade do alcoolismo, senti um forte chamado a testemunhar para outras pessoas que também enfrentam essa dependência, para que possam ter uma experiência com Jesus e encontrar libertação. O vício é um tormento, tanto para quem é dependente quanto a família. Então, quando surgiu essa oportunidade de servir na Comunidade, eu a abracei com fé. Graças a Deus, hoje, como diácono, posso atender às necessidades daqui, conversar com as pessoas, orientá-las e partilhar minha experiência. Tudo isso com o objetivo de levar almas para Jesus.”

Uma missão que continua

Durante a homilia, Dom Joel destacou a importância de reconhecer a presença de Deus na história da comunidade e na vida de cada fiel. “Dentre todas as impressões da missa de hoje, acredito não estar errado ao dizer que a maior delas é a ação de graças pelos quatro anos da comunidade”, afirmou o bispo, referindo-se aos fundadores e membros que se dedicam à missão evangelizadora.

Dom Joel convidou os presentes a refletirem sobre o caminho percorrido pela comunidade ao longo desses quatro anos, ressaltando que tudo o que foi construído — tanto material quanto espiritualmente — é fruto da ação de Deus. “Colocar tudo isso diante do altar é reconhecer que foi feito por Deus, na força do Espírito. Nós somos apenas seus servos”, disse.

A celebração também foi marcada por uma profunda meditação sobre o verdadeiro reinado de Cristo. O bispo lembrou que Jesus é Rei não à maneira dos poderosos da Terra, mas como aquele que serve, ama e se entrega. “O trono de Jesus foi a cruz. Se quisermos entender quem é Jesus, devemos olhar para a cruz. Essa é a grande prova do seu amor”, afirmou Dom Joel, emocionando os fiéis.

Ao refletir sobre o Evangelho do dia, que narra o diálogo de Jesus com os dois ladrões crucificados ao seu lado, Dom Joel destacou a misericórdia e o olhar compassivo de Cristo, mesmo em meio ao sofrimento. “Jesus não pensou em si um minuto sequer. Pensou nos outros: no fraco, no pequeno, no pobre, no pecador. Ele perdoou, acolheu e confiou sua mãe à Igreja e a Igreja à sua mãe”, disse.

A homilia também trouxe referências à vida de Santa Teresa de Calcutá e ao profeta Amós, que inspiram o carisma da comunidade. “Santa Teresa dizia: ‘Eu não faço por dinheiro. Faço por amor. Faço por Jesus’. E o profeta Amós, mesmo sendo rejeitado, não deixou de cumprir a missão que Deus lhe confiou. Assim também é a missão da Comunidade Filhos de Amós”, destacou o bispo.

Dom Joel encerrou sua mensagem parabenizando a comunidade pelo aniversário e exortando os fiéis a permanecerem firmes na fé e no amor ao próximo. “Se querem ser fiéis à história que viveram e que tantos outros viveram, olhem para a cruz. Essa é a grande prova. Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Esse é o caminho. Essa é a lei de Cristo Rei”, concluiu.

A celebração foi um momento de profunda espiritualidade, marcado por louvor, emoção e renovação do compromisso missionário. A Comunidade Filhos de Amós segue sua missão de evangelizar, acolher e formar discípulos, inspirada pelo exemplo de Cristo e sustentada pela oração, pelo serviço e pelo amor fraterno.

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