Celebrando o quinto dia da novena em preparação à festa de São José, que será celebrada em 19 de março, a comunidade da Capela São José, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Quitandinha, no Amazonas, recebeu com alegria o bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado. A missa foi presidida por Dom Joel, concelebrada pelo pároco, frei Sebastião José Ramos dos Santos, OFMCap, e assistida pelo diácono permanente Sidnei Quadrelli.
Desde o início da celebração, o clima era de gratidão e devoção. A comunidade manifestou sua alegria por receber, mais uma vez, o bispo diocesano, desta vez em preparação à festa de seu padroeiro. Em suas palavras iniciais, Dom Joel agradeceu a acolhida e expressou sua alegria em estar novamente com os fiéis da Capela São José, ressaltando o forte carinho e a devoção da comunidade por São José, tão presentes na vida da Igreja.
O bispo destacou que a novena, vivida em sintonia com o domingo, ajuda a comunidade a compreender melhor a figura de São José e a iluminar a própria vida de fé. Partindo das leituras proclamadas – a unção de Davi, na primeira leitura; a cura do cego de nascença, no Evangelho; e a exortação de São Paulo, na segunda leitura – Dom Joel destacou o olhar de Deus sobre a realidade humana.
Comentando a primeira leitura, que narra a escolha de Davi, ainda jovem e aparentemente frágil, para ser rei de Israel, o bispo sublinhou que “Deus enxerga a vida de um jeito diferente”. Segundo ele, o profeta Samuel inicialmente se impressiona com os irmãos mais fortes e de boa aparência, mas Deus deixa claro que não vê como o ser humano vê: não se fixa nas aparências, mas no coração.
A partir do Evangelho da cura do cego de nascença, Dom Joel aprofundou essa reflexão, lembrando que, no tempo de Jesus, a cegueira era frequentemente interpretada como castigo de Deus. Citando outra passagem dos evangelhos, quando perguntam quem teria pecado, o homem ou seus pais. Jesus, porém, responde que não se trata de castigo, mas de ocasião para que se manifestem as obras de Deus.
O bispo destacou que Jesus não se conforma com a situação daquele homem que sofria “desde que nasceu”. Em vez de se afastar, Ele se aproxima, faz lama com a terra e a saliva, unge os olhos do cego e o cura. Esse gesto, explicou Dom Joel, tem um profundo valor simbólico e concreto: “Só o fato de curar um cego já é um grande gesto de amor, porque a cegueira é uma das deficiências que mais fazem sofrer. Mas Jesus vai além: ele toca, ele se envolve, ele trabalha por aquele homem”.
A cura realizada em dia de sábado também foi lembrada como sinal de ruptura com uma compreensão legalista da religião. De acordo com o bispo, muitos que estavam ao redor de Jesus não gostaram do que ele fez, justamente porque era sábado, dia em que não se deveria “trabalhar”. Ao usar a terra, fazer lama e aplicá-la nos olhos do cego, Jesus realiza um ato que os mais rigorosos podiam considerar trabalho. “Mais importante do que aquilo que a gente deixa de fazer para agradar a Deus é aquilo que a gente pode fazer por amor”, afirmou Dom Joel, destacando que a verdadeira fidelidade a Deus passa pela prática da caridade.
O bispo insistiu que, para Jesus, o centro não é a norma vazia, mas a pessoa concreta que sofre. Por isso, Ele desafia a lógica que exclui e marginaliza e oferece um novo olhar, um olhar que acolhe e restaura. “A grande mensagem de hoje”, ressaltou, “é que o jeito como o céu olha as coisas é diferente do nosso jeito de olhar”.
Relacionando o Evangelho à vida de São José, o bispo apresentou o padroeiro da comunidade como um exemplo de homem que soube enxergar a luz de Deus em meio às trevas das dificuldades. Lembrou que José enfrentou situações delicadas e dolorosas, a começar pela descoberta da gravidez de Maria. Aos olhos humanos, abandonar Maria poderia parecer a atitude mais óbvia. No entanto, José não se deixou “cegar” pela vaidade, pela masculinidade ferida nem por atitudes machistas. Ao contrário, confiou em Deus e acolheu Maria e o Menino.
Dom Joel recordou ainda os outros desafios enfrentados por São José: a viagem a Belém, a falta de lugar para se hospedar, o nascimento de Jesus em condições simples, a perseguição e a necessidade de fugir. “Se José tivesse se deixado cegar pelas dificuldades e pelos sofrimentos, se tivesse desistido, Jesus não teria nos salvado”, observou o bispo. Por isso, segundo ele, a devoção a São José é tão forte: porque os fiéis reconhecem nele um homem de fé, que não se fechou em si mesmo, mas se deixou conduzir pela vontade de Deus.
Ao refletir sobre a temática da Campanha da Fraternidade deste ano, que aborda a questão da moradia e da dignidade, Dom Joel chamou a atenção para uma outra forma de cegueira: a cegueira do coração. Ele alertou que o sofrimento pode, muitas vezes, fazer com que a pessoa se feche e pense apenas em si, esquecendo-se do próximo. Em contraste com essa atitude, o bispo convidou os fiéis a um gesto concreto de gratidão e solidariedade.
Ele contou que, ao chegar em casa, costuma agradecer a Deus por ter um lugar onde possa morar, lembrando que a Igreja proporciona uma casa aos padres. Com base nisso, propôs que cada fiel, ao abrir a porta de casa, faça uma breve oração: agradecer a Deus pelo dom da moradia e pedir que Ele “abra a visão e o coração” para que seja possível ajudar tantas pessoas que não têm uma casa digna para viver. Esse gesto simples, segundo o bispo, ajuda a transformar a fé em compromisso concreto com os mais pobres.
Ao longo da celebração, a comunidade manifestou grande participação e devoção, unindo-se em oração e cantos em honra a São José. A presença de Dom Joel reforçou os laços de comunhão da Capela São José com a diocese e com a Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Quitandinha, fortalecendo a caminhada da novena rumo à festa do padroeiro, no dia 19 de março.
Ao final da missa, ficou o convite de Dom Joel para que todos, à luz do exemplo de São José, aprendam a confiar em Deus em meio às dificuldades, a deixar-se conduzir pela graça e a praticar a caridade. Olhar com os olhos de Deus, enxergando a dor do outro e agindo com amor, foi a mensagem central deixada pelo bispo à comunidade reunida na Capela São José.










