A Paróquia Santa Teresa, em Teresópolis, deu início à Semana Santa com uma intensa tarde penitencial e a celebração do Domingo de Ramos, dia 29 de março, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado. Em sua homilia, o bispo destacou que o Domingo de Ramos inaugura “a maior de todas as celebrações da fé cristã” e convidou os fiéis a viverem toda a Semana Santa como um verdadeiro retiro, pessoal e comunitário.
Segundo Dom Joel, a Semana Santa, muitas vezes vista apenas como um grande feriado, é, para quem tem fé, um “tempo especial” que deve ser vivido em clima de recolhimento interior, mesmo no meio das atividades diárias. “O retiro não depende tanto do lugar em que você está, não depende tanto da situação que você vive, mas das atitudes que você toma em todas as situações que você vive”, afirmou.

Para isso, o bispo propôs três atitudes fundamentais, que resumiu em três palavras: oração, convivência e conversão. “Ninguém faz retiro se não reza mais”, explicou, lembrando que rezar é algo possível “em qualquer lugar, em qualquer situação”. Em seguida, sublinhou a importância da convivência fraterna, do estar próximo das pessoas, trocando “os relacionamentos virtuais pelos relacionamentos pessoais”, sorrindo com quem sorri e chorando com quem chora. Por fim, indicou a conversão como fruto esperado desse caminho: “Rezar, conviver, para que isso produza no nosso coração aquilo que o céu quer que aconteça, aquilo que Jesus quer que aconteça: converter o coração”.
Dom Joel recordou ainda que a Páscoa, celebrada no próximo domingo, significa “passagem”: em Jesus, da morte para a vida; para os fiéis, “do pecado para a graça de Deus”. E resumiu os três verbos indicados na homilia em uma síntese da vida cristã: “Rezar: amar a Deus. Conviver: amar o próximo. Converter: amar a si mesmo”. O maior presente que alguém pode receber na Páscoa, disse, não é o chocolate, mas “o próprio Senhor fazendo morada no nosso coração”.

Ao refletir sobre o Evangelho do Domingo de Ramos, o bispo destacou o clamor da multidão que acolheu Jesus em Jerusalém com a aclamação “Hosana ao Filho de Davi”. Explicou que, mais do que um grito de louvor, “Hosana” é, na sua origem, um pedido angustiado de ajuda: “Senhor, socorro, está difícil. Senhor, tem piedade de mim”. Para Dom Joel, trata-se do “pedido de um coração sofrido e, ao mesmo tempo, um grito de confiança”, porque “a gente só pede socorro a quem sabe que vai ajudar”.
Ele convidou os fiéis a fazerem desse “Hosana” uma oração concreta, apresentando a Jesus as dores, lutas, sonhos e esperanças da vida cotidiana.
Na mesma homilia, o bispo alertou para o perigo de deixar que o sofrimento torne o coração amargo e vingativo, lembrando a mudança de atitude da multidão que, poucos dias depois de aclamar “Bendito o que vem em nome do Senhor”, passou a gritar “Crucifica-o”. “Muitas vezes, o sofrimento nos cega e corremos o risco de querer pagar na mesma moeda”, advertiu. Em contraste, apontou para o caminho de Jesus, que “não veio para matar, mas para dar a vida”, e que entra em Jerusalém humildemente, montado em um jumentinho, para, na Sexta-feira Santa, carregar na cruz “nossas dores, nossos males, nossos pecados, nossos sofrimentos”.
Tarde penitencial marca início da Semana Santa
A programação na Paróquia Santa Teresa começou com o Terço da Misericórdia, seguido de um show penitencial com o cantor católico Flávio Vitor Jr., que conduziu momentos de reflexão e louvor. Em seguida, houve adoração ao Santíssimo Sacramento, culminando com a celebração da Santa Missa de Ramos. Ao final da noite, os fiéis acompanharam a última apresentação teatral da Via Sacra, que ajudou a meditar os passos da Paixão do Senhor.

Toda a animação litúrgica e musical contou com a participação do Ministério de Música São Miguel do Monte, que auxiliou os fiéis a viverem com mais profundidade cada momento da tarde penitencial e da celebração.
Com grande participação de fiéis e religiosas, a missa foi concelebrada pelo pároco de Santa Teresa, padre Jorge Luiz Pacheco de Medeiros, e pelos vigários paroquiais, padre Flávio Wender Meireles Paladino e padre Gerado Luiz Guarilha. A celebração contou ainda com a assistência dos diáconos permanentes Fábio Luiz de Souza Baia, Alexandre Miranda e Paulo Cesar Carrero da Silva, além de coroinhas, teresinhas e seminaristas.
Padre Jorge expressou a alegria da comunidade paroquial e da cidade de Teresópolis pela presença do bispo diocesano, que também participou da procissão de Ramos ao redor da Igreja Santa Teresa, com a praça repleta de fiéis.

Ao final, ecoou o apelo de Dom Joel para que todos façam da Semana Santa “uma grande semana de oração”, participando das celebrações propostas pela paróquia e, sobretudo, permitindo que a Palavra de Deus transforme o coração.
“Hoje nós celebramos o primeiro dia do retiro, o primeiro passo: a entrada de Jesus em Jerusalém”, recordou o bispo, convidando os fiéis a levar para casa uma única palavra, transformada em súplica e confiança: Hosana.






