Com a presença da Família Franciscana – ordens masculina, feminina, e secular –, a Diocese de Petrópolis abriu, na noite de quarta-feira, 8 de abril, o Jubileu Franciscano pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis. A missa de abertura foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis.
Ao final da celebração, foi apresentada e acesa a vela do Jubileu Franciscano, colocada ao lado da imagem de São Francisco de Assis, como sinal visível do início desse tempo de graça para toda a Diocese.

A celebração contou com a participação de frades e religiosas franciscanos, padres diocesanos e seminaristas do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, além de numerosos fiéis da paróquia do Sagrado Coração de Jesus e de outras paróquias do Decanato São Pedro de Alcântara. Em nome da Fraternidade Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, Frei Marcos Antônio de Andrade, OFM, acolheu os presentes e agradeceu a Dom Joel pela escolha da Igreja do Sagrado como sede da missa de abertura do Jubileu na Diocese de Petrópolis.
Jubileu franciscano em ano jubilar diocesano
Durante a homilia, Dom Joel manifestou sua alegria pela abertura do Jubileu Franciscano justamente no ano em que a Diocese de Petrópolis celebra 80 anos de criação, sublinhando a forte marca franciscana na história e na vida pastoral da Diocese.

O bispo recordou que o carisma de São Francisco de Assis está profundamente ligado ao “DNA espiritual” da Diocese, presente em diversas paróquias, obras sociais, comunidades religiosas e na própria formação do clero. Ao recordar essa presença, Dom Joel expressou gratidão pelos inúmeros franciscanos e franciscanas que, ao longo de oito décadas, colaboraram com a evangelização na região serrana e em toda a Diocese.
Redescobrir o carisma de São Francisco hoje
Refletindo sobre o sentido do Jubileu pelos 800 anos da morte de São Francisco, Dom Joel destacou que não se trata apenas de um olhar histórico para a figura do santo de Assis, mas de um convite atual à conversão e à redescoberta do seu carisma:
“Ao celebrar este jubileu, somos chamados a conhecer ainda mais a vida de São Francisco de Assis, não apenas como um personagem do passado, mas como alguém que nos inspira hoje. Mais do que um conhecimento histórico, é redescobrir o jeito como São Francisco viveu o Evangelho e como esse mesmo Evangelho pode ser vivido em nossos dias”, afirmou o bispo.

Dom Joel lembrou que São Francisco viveu em um tempo de grandes transformações sociais, econômicas e religiosas, com desafios que, em muitos aspectos, se assemelham à realidade atual: crescimento das cidades, aumento da pobreza urbana, conflitos e crises dentro e fora da Igreja.
“O que fascina no carisma de Francisco é a resposta que ele deu ao mundo do seu tempo”, explicou. “Diante da importância crescente do dinheiro e do mercado, ele escolheu a pobreza evangélica. Num mundo marcado pela busca de poder e de prestígio, ele se fez menor, o último. Em uma Igreja tentada a se afastar do povo ou a se dividir, ele ouviu de Cristo o apelo: ‘Reconstrói a minha Igreja’, e permaneceu fiel à comunhão eclesial.”
O bispo ressaltou ainda que o testemunho de São Francisco continua a interpelar o Brasil e o mundo de hoje:
“O carisma de Francisco de Assis tem muito a dizer ao nosso país e ao nosso mundo, do jeito que estão. Seu amor aos pobres, sua simplicidade, sua busca de paz e reconciliação, e sua capacidade de ver em toda criatura um irmão e uma irmã são um chamado para nós vivermos o Evangelho com radicalidade e esperança.”
Indulgências plenárias durante o Jubileu

Durante a homilia, Dom Joel também recordou as igrejas da Diocese onde será possível lucrar indulgências plenárias ao longo do Jubileu Franciscano, conforme as orientações da Penitenciaria Apostólica, para aqueles que cumprirem as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística, oração nas intenções do Papa e desapego de todo pecado):
- Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis;
- Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro Quitandinha, em Petrópolis;
- Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Teresópolis;
- Capela Nossa Senhora do Amparo, em Petrópolis.
O bispo explicou que essas igrejas foram indicadas por estarem ligadas à Família Franciscana e oferecerem condições para a vivência espiritual própria de um Jubileu, convidando os fiéis a aproveitarem esse tempo de graça para fortalecer a vida de oração, a confissão, a participação na Eucaristia e o compromisso com os mais pobres, a exemplo de São Francisco.

Viver o Jubileu “do jeito de Jesus”
Concluindo sua reflexão, Dom Joel exortou a Diocese de Petrópolis a viver intensamente o Jubileu Franciscano, deixando-se iluminar pelo testemunho de São Francisco:
“Celebrar o jubileu do trânsito de São Francisco, da sua passagem para a vida definitiva, é aprender com ele a viver e a morrer no Senhor. Que, contemplando o seu carisma, possamos responder aos desafios do nosso tempo como discípulos de Jesus, com simplicidade, paz, fraternidade e amor à Igreja.”
O Jubileu Franciscano segue agora com diversas iniciativas espirituais e pastorais na Diocese, envolvendo paróquias, comunidades franciscanas e fiéis, em preparação para a grande celebração dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis.






