A Diocese de Petrópolis abre amanhã, dia 10 de abril, o processo diocesano de beatificação e canonização do Padre João Francisco de Siqueira Andrade (1837-1881), presbítero e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo. A sessão de abertura será realizada durante a Santa Missa, às 19h30, na Catedral São Pedro de Alcântara, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado.
A iniciativa acontece dentro das comemorações pelos 80 anos de criação da Diocese de Petrópolis e marca, segundo a Ir. Maria Aparecida Santana de Souza, CFA, Vice-Postuladora da causa, um momento histórico para a Igreja particular.
“Na experiência jubilar dos seus 80 anos de existência, a Diocese de Petrópolis tem a graça de introduzir o primeiro Inquérito Diocesano de Beatificação e Canonização. Trata-se da Causa do Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade, presbítero e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo”, explica a religiosa.
Edito Episcopal e início oficial da causa

A Ir. Maria Aparecida lembra que o dia da solenidade de São José, em 19 de março, foi escolhido de forma significativa para a divulgação do último documento da fase preliminar da causa, o Edito Episcopal.
“Esse documento, conforme a Sanctorum Mater (Art. 43, § 3), ‘deverá convidar todos os fiéis a dar-lhe notícias úteis que digam respeito à causa’. Ou seja, é um chamado a toda a comunidade de fé para colaborar com informações, documentos e testemunhos que possam contribuir com o processo”, afirma a Vice-Postuladora.
Causa histórica e de virtudes heroicas
Segundo a Ir. Maria Aparecida, as causas de beatificação podem ser históricas ou recentes, e podem tratar de virtudes heroicas ou de martírio. No caso do Padre Siqueira, a causa é classificada como histórica e de virtudes heroicas.
“Este processo é histórico porque o candidato fez sua páscoa definitiva há mais de 30 anos – tempo mínimo para se considerar uma causa histórica. E é de virtudes heroicas, uma vez que o Servo de Deus Padre Siqueira não sofreu o martírio, mas viveu de forma extraordinária as virtudes cristãs”, esclarece.
Ela também explica que o caminho rumo aos altares compreende duas grandes fases: a diocesana e a romana.
“Estamos vivenciando a fase diocesana, cuja principal característica é a investigação das virtudes heroicas e da fama de santidade, por meio de recolha de documentos e de testemunhos. É um trabalho minucioso, que deseja servir à verdade e ao bem da Igreja”, acrescenta.
Um apóstolo da caridade em terras petropolitanas
Na biografia do Padre João Francisco de Siqueira Andrade, destaca-se um itinerário profundamente marcado pelo amor incondicional a Deus e ao próximo, em um contexto social desafiador da segunda metade do século XIX.
“Estamos diante de uma vida inteiramente doada, oferecida em prol das órfãs e desvalidas, em um cenário ferido pela vulnerabilidade social do fim do sistema escravocrata do Brasil Império e pelas consequências da Guerra do Paraguai”, pontua a Ir. Maria Aparecida.
O Servo de Deus notabilizou-se pelo zelo pastoral e pela atenção à dignidade humana, especialmente das mulheres em situação de fragilidade.
“Conhecido como Apóstolo da Caridade, ele é hoje identificado também como um verdadeiro ‘defensor da mulher’, pela sua dedicação às órfãs e desamparadas, expressivamente testemunhada em terras petropolitanas. O legado do Padre Siqueira permanece vivo na nossa Diocese, exatamente 145 anos após sua morte”, conclui a Vice-Postuladora.
Biografia:
Padre João Francisco de Siqueira Andrade, brasileiro, nasceu em 16 de julho de 1837 em Jacareí, São Paulo. É o quinto de oito irmãos, sendo o primogênito também sacerdote. Foi batizado e crismado aos 31 de julho de 1837 e ordenado sacerdote aos 08 de dezembro de 1864. Ainda no primeiro ano de ministério sacerdotal alistou-se como voluntário da Pátria para ser capelão dos recrutas na Guerra do Paraguai, conflito armado ocorrido na América do Sul entre os anos de 1864 a 1870, participado também pelo Brasil.
Os horrores vividos na guerra levaram o Padre Siqueira a amadurecer o seu ideal de educação já alimentado desde seminarista. Ao regressar ao país depara-se com órfãos e viúvas, e logo inicia, com esmolas, seu plano de construção de uma Escola gratuita para meninas pobres. Inaugura a mesma instituição pouco mais de dois anos de haver começado, em 22 de janeiro de 1871, sendo a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo projeto Piloto de educação para todo o país, no Brasil Império.
Morre aos 43 anos, possivelmente em consequência de tuberculose. Deixa um legado de educação, uma Congregação religiosa para a Igreja, iniciada pela sua sobrinha, Ir. Francisca Pia continuadora da obra, e uma vida de pleno testemunho, nomeado, ainda em vida, como Apóstolo da Caridade.





