Na manhã do dia 15 de março, profissionais de saúde e pessoas que fazem tratamento renal e passaram pelo transplante de rim se reuniram para uma caminhada em comemoração ao Dia Mundial do Rim. O evento, que já está em sua segunda edição, integra a campanha da Sociedade Brasileira de Nefrologia e teve como foco principal a conscientização sobre a prevenção da doença renal crônica. A atividade contou com a presença do Padre Carlos Caridade, que passou por um transplante de rim e hoje dá testemunho vivo da importância do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde.
À frente da organização, a enfermeira nefrologista Cíntia Parecida Teixeira destacou que a caminhada tem a missão de alertar para uma doença silenciosa e, muitas vezes, subdiagnosticada. “Em cada dez pessoas, uma possui doença renal. Porém, essas pessoas acabam não sendo descobertas por muito tempo, porque faltam exames. E um simples exame pode detectar a doença, que é o exame de urina e a dosagem de creatinina”, explicou.
Segundo Cíntia, um dos objetivos da campanha é estimular que a atenção básica de saúde adote protocolos claros para a realização rotineira de exames simples, como urina e creatinina, em toda a população, especialmente em grupos de risco. “Se a gente consegue identificar cedo, pode tratar, orientar e muitas vezes evitar que o paciente chegue à diálise ou ao transplante”, completou.
A caminhada reuniu pacientes, enfermeiros e profissionais da clínica Renale e do Hospital Santa Teresa, além de membros da comunidade, que percorreram as ruas levando faixas e mensagens sobre a importância da prevenção. Ao longo do trajeto, orientações foram compartilhadas sobre hábitos saudáveis, controle da pressão arterial, diabetes e redução do consumo excessivo de sal — fatores que interferem diretamente na saúde dos rins.
Padre Carlos Caridade fez questão de participar e testemunhar sua própria história de superação. “Depois do transplante, estou aqui participando dessa caminhada de conscientização e prevenção da doença crônica renal. É importante você fazer os exames periódicos, como creatinina e ureia, porque são marcadores que podem verificar como estão funcionando os nossos rins”, ressaltou. Ele lembrou que cerca de 10% da população brasileira sofre de alguma doença renal e muitas pessoas não sabem disso, porque a doença é silenciosa. “Eu senti isso na pele. Tinha doença, nunca senti nada no rim e, quando fui ver, já estava bem adiantado”, contou.
Além da dimensão de saúde pública, o evento teve um forte caráter espiritual. Na tradição cristã, o corpo é visto como templo do Espírito Santo, e cuidar dele é também um ato de responsabilidade e gratidão a Deus. Ao falar aos participantes, o padre recordou que a preservação da vida e da saúde faz parte do compromisso de fé do cristão. “Cuidar dos rins é cuidar da vida que Deus nos deu”, enfatizou.
A mensagem final da caminhada é clara: a prevenção é simples, acessível e pode salvar vidas. Consultas regulares, exames de urina e dosagem de creatinina e ureia, aliados a um estilo de vida saudável, são passos concretos para evitar o avanço da doença renal. Com fé, informação e cuidado, a comunidade é chamada a olhar com mais atenção para esses órgãos tão essenciais e, muitas vezes, esquecidos.









