A Congregação das Irmãs de Santa Catarina celebra, neste ano, 126 anos de presença em Petrópolis, em sintonia com os 80 anos da Diocese. Em meio às comemorações, a renovação dos votos de várias religiosas — incluindo uma irmã centenária com 75 anos de vida consagrada — foi motivo de grande alegria para a comunidade. A missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, na festa da Bem-aventurada Regina Protmam, fundadora da congregação, celebrada no dia 18 de janeiro.

Nesta missa, foi celebrada o jubileu de consagração de 75 anos de consagração da Irmã Aurea Endlich, Irmã Cládia Zorzal e Irmã Lília Stockl; 65 anos da Irmã Gaudete Savi, Irmã Ester Possamai Dal’Pont e Irmã Maria Gabriella Alvim; 60 anos da Irmã Elvira Montebelo, Irmã Júlia Mazarelo Ferreira e Irmã Rute Redighieri; 40 anos da Irmã Zuleide Savi Daros.
A missa, celebrada na capela do Convento Madre Regina, na manhã do dia 18 de janeiro, foi concelebrada pelo Padre Jesuíta José Carlos Ferreira, tendo como cerimonialista o franciscano, Frei Gungo. A celebração contou ainda com a presença de toda comunidade religiosas, familiares e amigos das irmãs jubilares.
Celebração com as Irmãs: fé, gratidão e compromisso com o carisma de Madre Regina
Durante a celebração, Dom Joel destacou a importância do domingo como o dia do Senhor, um momento em que a família de Deus se reúne para colocar diante do altar suas alegrias, esperanças e sonhos. Ele enfatizou que cada celebração é uma oportunidade de agradecer, renovar e confiar, especialmente ao recordar a história da congregação e o testemunho fiel das irmãs ao longo do tempo.
Dom Joel ressaltou que a gratidão verdadeira gera compromisso e ação, e que a perseverança das irmãs, com décadas de vocação, é sinal da presença viva de Deus. Ele lembrou que o carisma da Bem-aventurada Regina Protmam é um dom maior, que deve ser constantemente renovado e vivido com autenticidade. Para ele, todos os cristãos são chamados a ser uma Igreja presente “lá onde a vida dói, onde a vida clama, onde a vida pede socorro”.

Alertou também para o perigo do medo, que leva à retração e ao fechamento, comparando-o a uma tartaruga que se esconde no casco. A resposta cristã, segundo ele, não pode ser o isolamento, mas o amor corajoso.
Inspirado pelas leituras do dia, Dom Joel destacou que, diante do desamor, a resposta deve ser ainda mais amor. E concluiu exaltando a vocação materna das irmãs, que carregam em si “entranhas de misericórdia” para acolher e cuidar espiritualmente de tantos. Finalizou pedindo a Deus que conceda a cada filha da Bem-aventurada Regina Protmam, e a todos os consagrados, essas mesmas entranhas de misericórdia, como sinal do amor divino no mundo.
Irmã Adelaide fala sobre desafios da vocação nos tempos atuais
Em entrevista ao portal da Diocese de Petrópolis, Irmã Adelaide, Provincial das Irmãs de Santa Catarina V.M – Província Madre Regina, compartilhou reflexões sobre a missão, os desafios da vida religiosa e o legado deixado pelas fundadoras.

“É uma alegria muito grande. A congregação toda se alegra, porque são vidas doadas aos irmãos, aos doentes, aos alunos nas escolas. A gente pensa assim: formar a pessoa para a vida e aliviar dores que, às vezes, estão muito ocultas dentro da pessoa, nos nossos hospitais”, afirmou Irmã Adelaide.
A congregação, que tem mais de 400 anos de história no mundo, chegou a Petrópolis em 1899, trazida por irmãs vindas da Alemanha. “Somos frutos das primeiras irmãs que tiveram a coragem e a ousadia de deixar sua terra em tempos tão difíceis. Hoje vivemos outros momentos, mas seguimos a caminhada que elas iniciaram com tanto amor e fé”, destacou.
Desafios da vocação nos tempos atuais
Apesar da longa trajetória, a congregação enfrenta hoje um dos maiores desafios de sua história: a diminuição das vocações. “Estamos constantemente nos questionando: o que será que está faltando em nós? Será que precisamos retomar algo que deixamos para trás? Mas o importante é que hoje respondemos com fidelidade à nossa missão e ao nosso chamado”, explicou a religiosa.
Segundo ela, a vida consagrada continua sendo um testemunho necessário no mundo atual. “Temos uma constituição, um diretório, e é por meio deles que nossa vida deve se espelhar. Isso nos dá força e nos faz sempre procurar viver o melhor, deixando rastros para as irmãs e jovens que virão depois.”

Hospital Santa Teresa: um legado de cuidado e fé
Um dos marcos da presença das irmãs em Petrópolis é o Hospital Santa Teresa, fundado ainda no tempo do Império. A instituição nasceu com o apoio da Imperatriz Teresa Cristina, que confiou às religiosas a missão de cuidar dos mais necessitados.
“O hospital já tinha uma parte construída, e quando a Imperatriz veio visitar as irmãs, disse: ‘Agora vocês vão tomar consciência de que o hospital é de vocês’. Desde então, temos procurado fazer o melhor possível, mesmo com as dificuldades do SUS e as limitações financeiras. É um legado que não podemos abandonar, porque nos foi confiado por alguém que acreditou em nossa missão”, relatou Irmã Adelaide.
Esperança e fidelidade
Apesar dos desafios, a congregação segue firme em sua missão de testemunhar Cristo por meio do serviço, da educação e do cuidado com os mais vulneráveis. “Queremos que todas as pessoas se sintam bem, felizes e realizadas na vida, no seu trabalho, na sua vocação — naquilo que escolheram. Essa é a nossa missão: doar a vida pelos irmãos”, concluiu.

Texto e Fotos: Rogerio Tosta / Ascom Diocese de Petrópolis





