Comunidade Católica Jesus Menino celebra aniversário com consagração de novos membros e reflexão sobre a Samaritana

A Comunidade Católica Jesus Menino celebrou, no terceiro domingo da Quaresma, mais um ano de sua fundação em clima de alegria, gratidão e esperança. A missa festiva, presidida por Dom Joel Portella Amado, bispo da Diocese de Petrópolis, destacou o aniversário da comunidade, a consagração de novos membros e o Dia Internacional da Mulher, iluminados pelo Evangelho da Samaritana (Jo 4,5-42).

Ao iniciar a celebração, Dom Joel recordou “tudo o que nós trazemos ao altar”: a história da Comunidade Jesus Menino, os irmãos e irmãs que confirmam seu compromisso junto ao carisma, as mulheres “no seu dia” e as alegrias, esperanças e sonhos que cada um leva no coração. “Tudo isso, hoje, é acolhido com uma Palavra de Deus, com um Evangelho que é conhecido”, afirmou.

O fundador da Comunidade, Antônio Carlos Tavares de Mello, conhecido como Tônio, agradeceu a presença de Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano, que presidiu a Santa Missa e confirmou a consagração dos novos membros da Jesus Menino.
Manifestando sua alegria, Tônio agradeceu a presença de amigos e voluntários da Diocese e de várias regiões do Estado, como Duque de Caxias e Volta Redonda, que apoiam e ajudam nos trabalhos da Comunidade Jesus Menino na defesa da vida. Ele agradeceu aos consagrados pela dedicação e por assumirem o carisma da Comunidade, que hoje está presente em vários países e com perspectivas de abrir uma nova missão em Portugal.

“A única coisa que Deus olha é que ali está um ser humano”

Na homilia, Dom Joel tomou o encontro de Jesus com a mulher samaritana como chave de leitura para a missão da comunidade. Ele recordou o cenário do Evangelho: “Dia de calor, hora de calor, meio-dia. Jesus vê um poço, vê uma mulher na beira do poço e pede água. E ela se assusta com o pedido.”

O bispo destacou as barreiras sociais e religiosas rompidas por Jesus: “Primeiro, ele homem, ela mulher. Segundo, ele judeu, ela samaritana. O Evangelho faz questão de dizer que judeus e samaritanos não se dão. Mesmo assim, Jesus se dirige a ela e pede água no balde dela, coisa que um judeu rigoroso jamais faria.”

Para Dom Joel, esse gesto revela o coração da fé cristã:
“Jesus quis mostrar que a única coisa que vale para Deus é o fato de que ali está um ser humano, independentemente de qualquer outra coisa. A grande revelação do Evangelho, a Boa-Nova, é essa: o Pai do Céu, na força do Espírito, ama a todos nós sem exceção.”

Ele recordou também o Evangelho de São Mateus: “O vosso Pai do Céu faz chover sobre bons e maus”, e explicou: “Traduzindo: faz chover sobre todo mundo, justo e injusto. O amor de Deus – e eu vou corrigir a frase – não é a primeira coisa que Ele olha; é a única coisa que Ele olha: o fato de que todos nós, independentemente de qualquer situação, somos seus filhos, somos suas filhas, por Ele amados. O resto, nem Jesus considera.”

Combate ao preconceito e fidelidade ao carisma

Comentando a pergunta da mulher – “Como é possível que você, sendo judeu, fale comigo, samaritana?” – Dom Joel relacionou o Evangelho às feridas ainda presentes na sociedade: “Na cabeça e no coração dela, infelizmente, o preconceito foi mais forte. A antipatia foi mais forte. A violência foi mais forte. A inimizade foi mais forte.”

Em tom bem direto, ele provocou a assembleia: “Alguém me perguntou: ‘preconceito é burrice?’ O que vocês acham? Para começar, é. Mas é também pecado, e grave. Porque segrega, separa, justifica aquilo que não tem justificativa.”

A partir daí, o bispo ligou a reflexão à missão da Comunidade Jesus Menino: “Aqui, o que se aprende a olhar em cada morador, em cada pessoa que chega? O fato de ser simplesmente isso: ser humano, filho e filha amados de Deus. E ponto final. Ao longo dessas décadas, o que é que não se perdeu? O ideal. O carisma. O testemunho de que o amor de Deus se faz presente quando olhamos pessoas que às vezes nem a própria família quis.”

Dom Joel afirmou que a atitude de Jesus com a Samaritana inspira o modo de ser da comunidade: “Nós precisamos afastar da face da terra todas as formas de preconceito, de violência, de antipatia, de inimizade. E precisamos aprender de Jesus aquela atitude que Ele teve com a Samaritana.”

Consagração de novos membros: atualizar o encontro com a Samaritana

Um dos momentos mais significativos da celebração foi a consagração dos novos membros da Comunidade Católica Jesus Menino, que assumiram publicamente o compromisso com o carisma e a missão.

“Cada pessoa que se consagra aqui, cada pessoa que assume o compromisso e se identifica com o carisma, assume um pouco daquele encontro de Jesus com a Samaritana”, afirmou Dom Joel. Segundo ele, abraçar a vocação na comunidade significa decidir olhar cada pessoa – sobretudo os mais frágeis e rejeitados – como alguém em quem Deus derrama seu amor sem medidas.

Em tom bem-humorado, o bispo perguntou se alguém havia encontrado esperança ao atravessar o portão da comunidade e insistiu: “Quantos chegaram aqui feridos, marcados pela rejeição, pela ingratidão, e encontraram um lugar de acolhida, de respeito, de amor?”

Inspirado na primeira leitura, que recorda o povo de Israel no deserto, sedento e murmurando contra Deus após a saída do Egito, Dom Joel refletiu sobre a ingratidão humana e a paciência divina: “Quando chegou no deserto, a memória se apagou, o coração virou pedra e o estômago falou mais alto. Eles reclamaram de Deus: ‘Você tirou a gente do Egito pra gente agora sentir sede aqui?’ Isso é uma tremenda ingratidão. Se você já passou por ingratidão, dá vontade de dizer: ‘Vou pegar minhas coisas e vou-me embora. Coitado de quem gosta de mim’.”

Ele explicou, porém, que a lógica de Deus é outra: “Se fosse pela nossa lógica, a vontade seria mandar todo mundo morrer seco. Mas Deus diz a Moisés: ‘Vai lá, pega o cajado, bate na pedra e dá água pra essa gente’. É assim que Ele manifesta o carinho d’Ele, mesmo quando o coração endurece e a memória falha.”

Por fim, Dom Joel retomou a segunda leitura para sintetizar a espiritualidade da festa e da própria comunidade: “A esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Essa é a grandeza da vida. Esse é o mistério da nossa fé.”

Carisma renovado e olhar de misericórdia

Ao encerrar a celebração, o bispo sublinhou que a Comunidade Católica Jesus Menino é um sinal concreto, na Diocese de Petrópolis, dessa esperança que não decepciona: “Deus não olha o tempo, olha a eternidade. Ao longo desses anos todos, entre dificuldades e consolações, o que não se perdeu aqui foi o olhar de Jesus sobre cada pessoa: antes de qualquer rótulo, antes de qualquer história, um filho, uma filha amados de Deus.”

Dom Joel encorajou os consagrados, moradores, colaboradores e amigos da comunidade a continuarem fiéis ao carisma: “Que a Comunidade Jesus Menino permaneça sendo este lugar onde o amor de Deus se torna visível, especialmente na vida daqueles que, muitas vezes, ninguém quis. Aqui, a Samaritana de hoje encontra Jesus; aqui, Jesus continua pedindo água e oferecendo a água viva da graça.”

Ao final, a assembleia rendeu graças pelo aniversário da comunidade, pela consagração dos novos membros e pela presença amorosa de Deus que, como lembrou Dom Joel, “faz chover sobre todos” e chama cada pessoa a viver, em sua própria realidade, o encontro transformador com Jesus junto ao poço da vida.

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