Comidi é reestruturado e reforça a missão: unidade de carismas para evangelizar dentro e fora da Diocese

A reestruturação do Conselho Missionário Diocesano (Comidi) da Diocese de Petrópolis, reunindo diversos carismas, contempla a afirmação do Papa Leão XIV: “a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele”, em sua mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões, a ser celebrado no dia 18 de outubro.

Rogerio Tosta / Ascom Diocese de Petrópolis

O bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, no primeiro encontro reunindo diferentes representantes, no dia 27 de março, ressaltou a beleza da diversidade dos carismas neste trabalho missionário, que deve ter um olhar para dentro, nas diversas realidades paroquiais, e para fora, para além das fronteiras diocesanas, onde muitas vezes o anúncio se faz urgente.

Para o bispo diocesano, a nova configuração do Comidi é a de um grupo sinodal, com diferentes carismas, mas todos com o mesmo objetivo: anunciar Jesus Cristo. Esta experiência sinodal leva em consideração a escuta do Espírito, onde a unidade missionária, como afirma o Papa Leão XIV “não deve ser entendida como uniformidade”, mas um caminhar juntos.

Na reunião, além de Dom Joel e do coordenador do Comidi, padre Ronald Cankin Ma Lam, estavam presentes o vigário geral, padre Paulo Cesar; os padres diocesanos com experiência missionária, padre Alexander de Brito Silva e padre Carlos Lopes Caridade; o diácono permanente Sérgio Aníbal Gonzalez Alonso, assessor eclesiástico para a Infância e Adolescência Missionária (IAM); Alexandre Nunes da Conceiçãoda Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém; o secretário executivo da coordenação pastoral, diácono permanente Marco Carvalho; Dante Carrasco Aragón, do projeto Mission Brazil; e a irmã Josina Sousa de Lima, da Congregação das Irmãs Nossa Senhora do Amparo.

Diversidade de carismas a serviço da comunhão missionária

Nesta nova configuração, Alexandre Nunes da Conceição chamou atenção para a comunhão do trabalho do Comidi, com a diversidade de carismas. “O primeiro ponto aqui é o trabalho de comunhão. Isso é uma beleza gigantesca. Enquanto Comunidade Mater Dolorosa de Jerusalém, nós preservamos o espírito missionário de comunhão. Isso é algo muito bonito”, ressaltou Alexandre, confirmando o que o Papa Leão XIV afirma em sua mensagem: “A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: ela está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que assim […] o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17,21). É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.”

Para o coordenador do Comidi, padre Ronald Cankin Ma Lam, o conselho tem uma importância grande ao promover entre os batizados o espírito missionário. “Uma coisa que me toca muito são as pessoas que nunca ouviram falar do Evangelho. Acredito que, na medida em que a gente anima esse espírito missionário em todos os batizados, chegaremos a essas pessoas que vivem sem fé e sem esperança. Acredito que a força, a importância do nosso trabalho é gerar essa consciência missionária em todos os batizados, porque, pelo batismo, já somos todos missionários”, frisou.

Missão ad intra e ad extra: a prioridade é reacender a fé

Seguindo na mesma linha de raciocínio, Dom Joel afirmou que o Comidi deve ser visto não apenas como organismo que promove a missão para além das fronteiras da Diocese, mas, acima de tudo, como animador da consciência missionária nas diversas realidades paroquiais diocesanas.

Ele recorda uma fala do Papa Leão XIV aos sacerdotes da Diocese de Roma, em 19 de fevereiro, quando afirmou: “A pastoral habitual está estruturada segundo um modelo clássico que se preocupa sobretudo em garantir a administração dos Sacramentos, mas tal modelo pressupõe que a fé seja, de certa forma, transmitida também pelo ambiente que nos circunda, pela sociedade e pelo âmbito familiar. Na realidade, as mudanças culturais e antropológicas ocorridas nas últimas décadas dizem-nos que já não é assim; pelo contrário, assistimos a uma crescente erosão da prática religiosa. Portanto, é urgente voltar a anunciar o Evangelho: esta é a prioridade.”

O diácono permanente Sérgio Aníbal Gonzalez Alonso, assessor eclesiástico para a Infância e Adolescência Missionária (IAM), comentou que “a questão da missão era encarada como sair e ir buscar irmãos que estavam longe, às vezes em outros continentes, ou muito distantes, no próprio Brasil”.

Essa perspectiva, segundo ele, hoje precisa ser alargada: “Mas hoje, a nossa missão está muito próxima, às portas da nossa casa, às portas da igreja e, conforme disse Dom Joel, dentro da nossa própria casa. Então, precisamos ouvir o chamado da Igreja que nos chama a sair: ir em missão, ir buscar o irmão onde ele estiver”.

“Para que o mundo creia”: missão que nasce da unidade

Ele lembra que a Campanha Missionária deste ano, que tem como lema bíblico “Para que o mundo creia” (cf. Jo 17,21), “convida as comunidades a fortalecerem a comunhão e a assumirem, juntas, o compromisso de testemunhar o Evangelho, formando uma grande rede viva de fé, esperança e solidariedade” (cf. https://pom.org.br/). O diácono Sérgio destaca o testemunho da unidade: “A Igreja, a partir da unidade de seus membros, seja vista como aquele grupo de gente que, olhando de fora, possa se dizer: ‘Olha, veja como eles se amam’. Sair com o coração limpo, amando o irmão que está fazendo a missão comigo, aquele que está também trabalhando para o nosso Senhor Jesus Cristo”.

Com experiência missionária em duas realidades distantes no Brasil, na Amazônia e no Nordeste, o padre Carlos Lopes Caridade acredita que um dos papéis fundamentais do Comidi “é fomentar em nossas pastorais essa dimensão da missão”. Para ele, ir ao encontro das pessoas e anunciar o Evangelho é importante; no entanto, sustenta que “a missão deve ser permanente. Onde a pessoa estiver, seja no seu trabalho, seja na sua família, onde quer que esteja, ela tem que lembrar que é batizada, que é cristã e que ali deve testemunhar, às vezes com palavras”.

Ele fez esta afirmação lembrando uma passagem da vida de São Francisco, citando uma pregação do frei Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia, que, citando o santo, falou da proximidade, de estar com as pessoas, apenas testemunhando e, como afirmou o santo, “se for preciso, com palavras”.

Missão permanente: uma Igreja “em saída”

Dom Joel comentou que a missão permanente foi um dos temas abordados pela 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, realizada em maio de 2007, no Santuário Nacional de Aparecida: “Procurará colocar a Igreja em estado permanente de missão” (cf. n. 551).

O Documento de Aparecida, que ainda se mantém atual, afirma em seu parágrafo 145: “A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo”.

Dante Carrasco Aragón, do projeto Mission Brazil, comentou que o Comidi é essa transformação que, de alguma maneira, ele associa à imagem do sal da terra: “No sentido de que nossa Diocese tem uma história e é muito abençoada, mas, com o fato de assumir o Comidi, temos uma oportunidade de ajudar para que os diocesanos tenham esse sabor, esse ‘cheiro’ missionário, que eu acredito que é muito importante. E, por outro lado, estamos na Semana Santa, e é poder viver a missão do Filho, que, no fundo, é isso que nos leva a todos, em diversos estados de vida, a entender que somos missionários”.

Lembrando novamente São Francisco, ele afirmou que é preciso fazer com que as pessoas entendam que o nosso testemunho, como batizados, como missionários, é algo fundamental. “Eu falo desse tema de ver a riqueza dentro da nossa Diocese, porque aqui mesmo, na composição dos membros do Comidi, existem várias experiências de vida, e penso que o que nos une também é esse desejo de que a nossa Diocese possa ser mais missionária”, comentou Dante.

Organização missionária a serviço da Diocese

Alexandre Nunes acrescenta que “o Comidi vai melhorar a estrutura de organização missionária, onde nós vamos ao caminho em que a Diocese indicar. Alguns anos atrás, a gente pensava em um caminho. Hoje, nós pensamos como um corpo pleno diocesano”. De acordo com ele, a partir desse conselho, a organização missionária tem um novo corpo, uma nova indicação, e isso vai enriquecer muito todo trabalho missionário na Diocese. “Os jovens que estão conosco também têm esse desejo de aprender, de serem missionários, de estar a serviço da Igreja, olhando a Igreja como essa mãe que é mestra, que orienta os nossos caminhos”.

O diácono permanente Marco Carvalho reforça que “um caminho para o Comidi é ele conseguir incentivar e mostrar às pastorais a realidade da necessidade de cada pastoral e a consciência missionária. Enfim, todos terem esse pensamento missionário de poder, além de realizar o trabalho da pastoral, também encaminhar, conhecendo alguma realidade desse encontro”.

Gerar discípulos missionários: identidade assumida no batismo

A irmã Josina Sousa de Lima, da Congregação das Irmãs Nossa Senhora do Amparo, explica: “A missão do Comidi é viver a nossa identidade missionária e, a partir dela, gerar essa identidade nas pessoas, de discípulos missionários de Jesus Cristo. São Francisco dizia: ide e pregai o Evangelho; se for preciso, use palavras. O padre Siqueira, nosso fundador, doou a própria vida. Transformou a vida, a missão, em caridade. Então, isso tem muito a nos ajudar: ser doação, viver o Evangelho sendo doação plena”.

O padre Alexander de Brito Silva recorda uma frase que escutou em uma palestra no Amazonas: “Onde há gente e pão, é lugar de missão”. A frase é inspirada em Dom Luciano Mendes de Almeida, que dizia: ‘Onde há povo, há missão’. “Então, penso que a realidade do Comidi pode ajudar extremamente em saber que, onde, na nossa paróquia, na nossa Diocese, há uma pessoa que ainda não conhece o Evangelho, isso deveria suscitar em nós um incômodo. E esse conhecimento do Evangelho vai se dar no testemunho, como o padre Carlos colocou, mas também na nossa articulação interna para acolher bem aqueles que vão vir”, afirmou Padre Alexander, que além da experiência na região amazônica é o coordenador diocesano de pastoral.

Para ele é fundamental que a articulação missionária, a partir do Comidi, “não seja algo de um grupo, mas seja algo de todos nós: a missão de todos nós. De forma particular, suscitar também no coração de nós que já somos ministros ordenados a importância da missão de sair de uma acomodação, de uma ‘pastoral de manutenção’, como Dom Joel assinalou logo no início, para uma pastoral inquieta no coração, no sentido de desejar, a todo custo, levar o nome de Jesus, a presença da Igreja, a tantos locais, a tantos irmãos que não conhecem nem a Igreja, nem o nome do Senhor Jesus.”

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *