Dom Joel destaca a Eucaristia e o serviço como centro da Missa da Ceia do Senhor em Itaipava

A Igreja São José, em Itaipava, acolheu na noite desta Quinta-feira Santa a Missa da Ceia do Senhor, também conhecida como Missa do Lava-pés, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado. A celebração marcou o início do Tríduo Pascal na paróquia e contou com a participação de doze crianças, que representaram os Apóstolos no rito do Lava-pés.

Ao final da Missa, o Santíssimo Sacramento foi transladado solenemente para o salão paroquial, especialmente preparado para a adoração. Ali, os fiéis são convidados a permanecer em vigília e oração, em memória da noite em que Jesus rezou no Getsêmani.

O pároco, Padre Adenilson Silva Ferreira, expressou a alegria da comunidade em receber o bispo diocesano justamente na abertura do Tríduo Pascal. Ele destacou a importância da presença de Dom Joel para fortalecer a fé dos fiéis e sublinhar a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. Além do pároco, concelebrou a Eucaristia o Diácono Permanente João Henrique Medeiros Nunes, com a colaboração dos coroinhas, goretinhas e Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.

A Semana Santa como “grande retiro”

Na homilia, Dom Joel apresentou a Semana Santa como uma oportunidade privilegiada de conversão e aprofundamento da fé. “A Semana Santa inteira, desde o Domingo de Ramos até o grande Domingo de Páscoa, da Ressurreição do Senhor, é uma proposta de um grande retiro. Ela nos coloca não apenas para assistir a alguma coisa, mas nos convida, acima de tudo, a rever a vida, a rezar mais, a conviver mais e, nesse caminho, tentar entender um pouquinho aquilo que é o núcleo da nossa fé”, afirmou.

O bispo lembrou que a Igreja Católica possui um verdadeiro “tesouro” espiritual: santos e santas, diversas formas de rezar e diferentes modos de celebrar, sejam nas igrejas do Ocidente ou do Oriente. No entanto, ressaltou que, em meio a tanta riqueza, a Semana Santa nos chama a olhar para o essencial.

“O que a Semana Santa nos convida é a olhar o essencial: aquilo de que nós não podemos nos esquecer, aquilo que tem de estar presente, seja qual for o modo que temos de rezar, seja qual for o modo que temos de celebrar. O que a Semana Santa coloca para nós é fundamental, e disso nós não podemos abrir mão”, destacou.

A novidade de Jesus na Eucaristia

Comentando as leituras do dia, Dom Joel explicou que a Missa da Ceia do Senhor nos coloca diante da “novidade de Jesus”, especialmente na instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Ele recordou a tradição judaica da Páscoa, com o sacrifício do cordeiro e o sangue colocado nos umbrais das portas, como sinal de libertação, e mostrou como Jesus ressignifica esse gesto.

“Jesus vem e diz: ‘Isto é o meu sangue’. Jesus substitui o cordeiro por Ele mesmo. Isso significa que o sentido da vida não é oferecer coisas a Deus, mas oferecer a si mesmo”, explicou o bispo.

Dom Joel sublinhou que, na Última Ceia, Jesus não apenas entrega o seu Corpo e Sangue, mas também ensina um novo modo de viver: responder ao mal com o bem, à violência com o amor, à vingança com a misericórdia.

“A Páscoa do Antigo Testamento é marcada pela morte dos primogênitos. Jesus vem dizer: a novidade aqui não é a morte, não é a destruição, não é a vingança. Não se apaga incêndio com gasolina, não se apaga o mal com o mal. Em lugar de dizer ‘este é o cordeiro’, Ele diz: ‘Isto é… sou eu que me entrego’”, afirmou.

O gesto do Lava-pés: serviço e amor até o fim

Ligado intimamente à instituição da Eucaristia, o gesto do Lava-pés foi vivido de maneira intensa na celebração. Doze meninos tiveram os pés lavados por Dom Joel, recordando o que o Evangelho de São João narra na Última Ceia.

O bispo destacou que, ao lavar os pés dos discípulos, Jesus não estava apenas realizando um gesto de humildade ou de “boa educação”, mas revelando um novo jeito de compreender a vida e de se relacionar com as pessoas.

“Quando Jesus se levanta e começa a lavar os pés dos discípulos, Pedro se espanta: ‘Senhor, tu me lavas os pés?’. Ele não estava preocupado com higiene, mas com um jeito novo de lidar com a vida, com as dificuldades, com os problemas. Jesus nos mostra que o caminho do cristão é o serviço”, disse Dom Joel.

Esse serviço, continuou o bispo, se estende inclusive àqueles que nos ferem ou traem: “Jesus lava os pés de todos, inclusive de Judas. E se Judas tivesse tomado jeito na vida, Jesus teria perdoado. Porque Ele nos diz: ‘Amai os vossos inimigos’. Com Jesus não existe ‘menos’: o amor vai até o fim.”

Convite a viver o Tríduo como caminho de amor

Ao concluir a homilia, Dom Joel encorajou os fiéis a viverem o Tríduo Pascal como um itinerário de entrega e amor, configurando-se a Cristo Servo, presente na Eucaristia.

“O que pedir a Deus nesta Missa? ‘Senhor, dá-me a graça de, ao longo da minha vida, seja lá o que eu estiver passando, que eu possa sempre responder a tudo com uma atitude de amor, de entrega de mim, uma atitude de lavar pés’”, convidou.

O bispo desejou ainda uma “abençoada Páscoa” a todos, pedindo que a celebração da Ceia do Senhor ajude a comunidade a passar de uma vida marcada pela violência e pela vingança para uma vida transformada pelo amor.

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