No dia 17 de janeiro de 2026, a Diocese de Petrópolis celebrou com grande alegria os 120 anos de fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo. A Santa Missa em ação de graças foi presidida por Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano, e concelebrada por frades franciscanos e sacerdotes diocesanos, com a assistência dos diáconos permanentes Cláudio José do Amaral e Claudio Nelson Portilho. A celebração contou com a presença das irmãs do Amparo, amigos da congregação e fiéis que reconhecem a importância dessa obra na história da Igreja local e além-fronteiras.
A Congregação, fundada em 1906 pelo Servo de Deus Padre Siqueira, nasceu com a missão de amparar e cuidar da vida, especialmente das meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Esse carisma, que floresceu no coração do fundador e foi abraçado por sua sobrinha, Irmã Francisca Pia — a primeira superiora-geral —, permanece vivo e atual, como destacou Irmã Cleusa Aparecida, ministra-geral da Congregação.

“Para nós, é um momento de ação de graças, de agradecer de fato a Deus pela riqueza do carisma que é ser Amparo. Esse cuidado com a vida — especialmente com a mulher e com as pessoas mais desprotegidas — sempre foi o olhar dos nossos fundadores”, afirmou Irmã Cleusa.
A casa-mãe da Congregação está localizada em Petrópolis, onde tudo começou. A partir dali, a missão se expandiu para outras regiões do Brasil e também para Angola, mantendo firme o compromisso com a educação, a evangelização e a promoção da dignidade humana.
“Foi aqui que nasceu e se concretizou o ideal de vivermos o carisma: amparar e cuidar da vida”, completou a ministra-geral.
Um carisma que responde aos clamores do tempo
Durante a homilia, Dom Joel Portella Amado destacou a atualidade do carisma do Amparo em um mundo marcado pela indiferença e pelo sofrimento.
“Num mundo que, como Pilatos, lava as mãos diante da dor, a resposta do céu não é indiferença. A resposta do céu é amparo. É cuidado, carinho, sustento. É carregar nas mãos, amparar nos braços, acolher no colo”, afirmou o bispo.

Dom Joel ressaltou ainda que o carisma das Irmãs do Amparo é uma interpelação à Igreja como um todo, convidando todos os cristãos a serem presença de Deus “lá onde a vida dói”.
“Todo carisma é dom. E, como dom, precisa ser tarefa. O que sustenta o carisma, em primeiro lugar, é o reconhecimento de que tudo o que é feito, é feito por chamado de Jesus, por vontade de Deus”, completou.
Espiritualidade franciscana e mariana
A Congregação das Irmãs do Amparo é marcada por uma espiritualidade profundamente franciscana e mariana. Padre Siqueira, inspirado por São Francisco de Assis, orientou as primeiras irmãs a viverem o ideal franciscano, unido à devoção a Nossa Senhora do Amparo.

“Somos conhecidas como Irmãs do Amparo por causa de Maria. E, como franciscanas, carregamos o sonho de sermos instrumentos da paz e do bem, onde quer que estejamos, a exemplo de Francisco e Clara de Assis”, explicou Irmã Cleusa.
Neste ano jubilar de São Francisco de Assis, pelos 800 anos de sua morte, a celebração dos 120 anos da Congregação ganha ainda mais significado, reforçando a missão de ser sinal de esperança e compaixão no mundo.
Um legado que continua
O processo de canonização do Padre Siqueira, atualmente reconhecido como Servo de Deus, também foi lembrado com carinho durante a celebração. Para as irmãs, ele já é santo pelo testemunho de vida e dedicação aos pobres.
“Trabalhar pelo processo de canonização é dizer à sociedade que, aqui em Petrópolis, viveu um homem que se dedicou ao Evangelho e ao cuidado das crianças pobres — e que esse cuidado continua até hoje”, afirmou Irmã Cleusa.

A mensagem deixada pela Congregação para a sociedade é clara: educar é amparar, é acolher, é caminhar junto. O carisma do Amparo não se limita às instituições religiosas, mas é um modo de ser e viver que pode ser assumido por todos os cristãos.
“Amparar é um modo de ser, de viver e de conviver — a partir de Jesus e de sua Mãe Maria. É uma dinâmica de vida que serve para todo cristão e toda cristã”, concluiu a ministra-geral.
Texto e fotos: Rogerio Tosta / Ascom Diocese de Petrópolis





