Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja e padroeira das missões, deixou um legado espiritual que transcende o tempo e as fronteiras. Seus escritos, compostos em cadernos escolares, cartas, bilhetes, orações e poesias, revelam uma alma profundamente apaixonada por Deus e marcada por uma sensibilidade mística rara. Entre os muitos textos que compõem sua autobiografia História de uma Alma, alguns se destacam pela beleza poética e pela profundidade teológica.
Um dos trechos mais célebres está no Manuscrito B, quando Teresinha medita sobre sua vocação na Igreja. Inspirada pela doutrina paulina do Corpo Místico de Cristo, ela escreve: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor… assim serei tudo… assim meu sonho será realizado.”
Essa frase resume sua espiritualidade: ela não queria ser apenas um membro funcional da Igreja, mas o coração que ama, que impulsiona, que dá vida. Teresinha compreendeu que o amor é a essência da missão cristã, e que mesmo escondida no Carmelo, podia sustentar os missionários com sua oração e sacrifício.
Outro texto comovente é sua descrição da Primeira Comunhão, que ela chama de “o belo dia entre os dias”: “Ah! Como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma!… Foi um beijo de amor. Sentia-me amada e, por minha vez, dizia: Eu vos amo, dou-me a vós para sempre.” Essa experiência mística revela a profundidade de sua união com Cristo. Teresinha não viveu a fé como obrigação, mas como encontro amoroso. Sua comunhão foi fusão, entrega total, e essa linguagem afetiva toca profundamente o coração dos fiéis.
Em outro momento, ela escreve sobre sua vocação ao sofrimento:
“Senti nascer em meu coração um grande desejo de sofrimento, e ao mesmo tempo, a certeza íntima de que Jesus me reservava um grande número de cruzes.”
Essa frase, escrita aos 12 anos, mostra sua maturidade espiritual precoce. Teresinha não buscava o sofrimento por si, mas como meio de unir-se a Cristo e oferecer-se por amor. Ela transformava cada dor em rosa, cada sacrifício em flor — uma teologia da oferenda que dialoga com a espiritualidade popular latino-americana.
Também é tocante sua visão da Virgem Maria durante uma grave enfermidade:
“O que me penetrou até o fundo da alma foi o encantador sorriso da Santíssima Virgem.” Esse sorriso, que a curou milagrosamente, tornou-se símbolo da ternura divina. Teresinha via em Maria não apenas a Mãe do Salvador, mas a mãe que consola, que sorri, que cura com amor.
Esses textos revelam uma teologia afetiva, encarnada, que fala ao coração. Teresinha não escreveu tratados, mas viveu o Evangelho com intensidade. Sua linguagem simples, poética e profunda continua inspirando milhões. Ela é a doutora do amor, a mística do cotidiano, a flor que perfuma a Igreja com sua entrega silenciosa.






