Santa Teresinha: O Amor no Coração da Igreja

Pe. Anderson Alves

Entre os muitos tesouros espirituais deixados por Santa Teresinha do Menino Jesus, um dos mais profundos e influentes está no Manuscrito B de sua autobiografia, História de uma Alma. Escrito por obediência à sua irmã Paulina — então Madre Inês de Jesus — esse trecho revela a maturidade teológica e mística de Teresinha, que, aos 24 anos, compreendeu com clareza sua missão na Igreja: ser o amor que anima todo o Corpo de Cristo.

Inspirada pela doutrina paulina da Igreja como corpo místico, Teresinha meditou sobre os diversos membros que compõem esse organismo espiritual. São Paulo, em suas cartas, ensina que a Igreja é como um corpo, onde cada membro tem uma função específica: uns são olhos, outros mãos, outros pés. Teresinha, ao contemplar essa imagem, buscou entender qual seria o seu lugar. Ela desejava ser missionária, mártir, doutora — mas reconhecia que não possuía essas vocações de forma concreta. Foi então que, em um lampejo de luz interior, ela compreendeu: “Na Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor.”

Esse momento é um dos mais belos da espiritualidade cristã. Teresinha percebe que o amor é o que dá vida a todos os membros da Igreja. Sem amor, os apóstolos não pregariam, os mártires não ofereceriam suas vidas, os missionários não partiriam, os teólogos não escreveriam. O amor é o coração que pulsa e distribui sangue — vida — a todo o corpo. E ela, escondida no Carmelo, sem sair de Lisieux, poderia ser esse coração, oferecendo suas orações, seus sacrifícios e sua entrega silenciosa por todos os que atuam na missão.

Essa compreensão teológica, embora expressa com simplicidade, é de uma profundidade rara. Teresinha não apenas comenta a doutrina paulina — ela a vive. Sua vida de clausura, marcada por enfermidades, escrúpulos e sofrimentos, torna-se um altar de oferenda. Cada dor é transformada em rosa, cada gesto em flor, cada silêncio em intercessão. Ela não precisa ir ao mundo — ela é o amor que sustenta o mundo.

No contexto latino-americano, essa espiritualidade tem enorme ressonância. Em terras marcadas por pobreza, luta e fé popular, Teresinha ensina que todos podem ser santos. Não é preciso fazer grandes obras — basta amar. Sua teologia do cotidiano, sua mística da confiança e sua vocação de ser o amor na Igreja dialogam profundamente com a espiritualidade do povo brasileiro, que vive a fé entre panelas, terços e esperanças.

Por isso, Santa Teresinha é mais do que uma santa devocional. Ela é uma teóloga do coração, uma doutora do amor, uma missionária da clausura. Sua vocação de ser o amor no coração da Igreja continua viva, inspirando milhões a viverem sua fé com simplicidade, entrega e confiança. E como ela mesma escreveu: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor… assim serei tudo… assim meu sonho será realizado.”

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