Em um gesto de profunda solidariedade e fé, a Diocese de Petrópolis se prepara para celebrar o Jubileu dos Pobres nos dias 8 e 15 de novembro, com o tema “Tu és a minha esperança” (Cf. Sl 71,5). A iniciativa diocesana atende ao apelo do Papa Leão XIV para o Dia Mundial dos Pobres (Mensagem do Papa), sensibilizar os fiéis sobre a importância de olhar e agir em favor dos mais vulneráveis.
O Jubileu dos Pobres, neste contexto diocesano, representa um tempo especial de graça, reflexão e ação concreta, convidando toda a comunidade católica a renovar seu compromisso com a caridade e a justiça social. É uma oportunidade de vivenciar a mensagem evangélica que coloca os pobres no centro da missão da Igreja, conforme insistentemente recordado pelo Papa Francisco.
Programação
No dia 8 de novembro, a primeira etapa do Jubileu acontece em Teresópolis:
Paróquia Santa Teresa D’Ávila: Das 8h às 14h, a comunidade é convidada a participar de atividades voltadas para o acolhimento e serviço aos irmãos necessitados.
Já no dia 15 de novembro, as ações se intensificam, abrangendo diferentes decanatos:
Em Petrópolis:
Decanato São Pedro de Alcântara: Na Paróquia Santo Antônio, no Alto da Serra, das 9h às 15h, haverá um encontro de fé e caridade.
Decanato Nossa Senhora do Amor Divino: A partir das 15h, o Santuário Nossa Senhora do Amor Divino será o ponto de convergência para a celebração.
Em Teresópolis:
Decanato Santa Teresa: A Paróquia São Pedro receberá os fiéis das 10h às 14h para momentos de oração e serviço.
Em Magé:
Decanato São José de Anchieta: A Paróquia Nossa Senhora da Piedade promoverá atividades das 7h às 16h, convidando a todos para a vivência da esperança cristã.
Papa Leão XIV: A Esperança dos pobres é o tesouro da Igreja no caminho do jubileu
Em uma profunda reflexão que ressoa com o espírito do Jubileu e a celebração do Dia Mundial dos Pobres, o Papa Leão XIV convida os fiéis a meditar sobre a esperança que brota da fé, especialmente na vida dos mais vulneráveis. O Santo Padre, em sua mensagem para o IX Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no dia 16 de novembro, sublinha que a verdadeira esperança não decepciona e que os pobres são testemunhas privilegiadas dessa verdade.
O Papa inicia sua exortação com as palavras do Salmista, destacando que, mesmo em meio a “grandes males e aflições mortais”, o espírito confiante reconhece em Deus o “rochedo e fortaleza”. Para o Pontífice, a esperança cristã é animada pela certeza do amor divino, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, e por isso, “ela não decepciona” (cf. Rm 5,5). Ele nos lembra que fomos salvos nesta esperança e nela devemos permanecer enraizados.
Um dos pontos centrais da mensagem do Papa é a figura do pobre como um farol de esperança. “O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária”, afirma Leão XIV. Sem as seguranças do poder e do ter, a esperança do pobre repousa unicamente em Deus, revelando o verdadeiro tesouro que precisamos. O Santo Padre ecoa as palavras de Jesus: “Não acumuleis tesouros na terra… Acumulai tesouros no Céu” (Mt 6,19-20).
A pobreza mais grave: Não conhecer a Deus
Leão XIV reitera uma verdade fundamental da encíclica Evangelii gaudium: “A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual” (n. 200). Ele enfatiza que a imensa maioria dos pobres possui uma abertura especial à fé e necessita da amizade de Deus, de Sua Palavra e dos Sacramentos. A caridade, nesse sentido, é inseparável do amor a Deus, pois “aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4,20). As riquezas, muitas vezes, iludem e levam à ilusão de que não precisamos de Deus.
A esperança cristã é comparada a uma âncora, símbolo de estabilidade e segurança, que fixa nosso coração na promessa de Jesus. Essa esperança nos aponta para os “novos céus” e a “nova terra” (2 Pe 3,13), onde a existência encontrará seu sentido autêntico. A fé, a esperança e a caridade formam um círculo virtuoso, onde a caridade é a “mãe de todas as virtudes” e nos compromete com o bem comum.
O Papa convoca a todos a assumir responsabilidades coerentes na história, lembrando que a caridade é “o maior mandamento social” (Catecismo da Igreja Católica, 1889). Ele destaca que a pobreza possui causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. Hospitais, escolas, casas-família, centros de acolhimento e refeições para os pobres são “sinais de esperança” que combatem a indiferença e promovem o engajamento.
“Os pobres não são um passatempo para a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados”, afirma o Papa. Eles são “sujeitos criativos” que nos estimulam a viver o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança.
Ao final deste ano de graça, o Jubileu dos Pobres deve impulsionar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições essenciais para a segurança, que jamais será alcançada com armas. O Papa Leão XIV conclui sua mensagem confiando em Maria Santíssima, a Consoladora dos aflitos, e entoa um canto de esperança: “Em Vós espero, Meu Deus, não serei confundido eternamente”.






