15 anos após tragédia na Região Serrana, Igreja Católica reafirma compromisso com vítimas e moradia digna

Neste mês de janeiro, a Diocese de Petrópolis recorda com profunda solidariedade os 15 anos da tragédia que devastou a Região Serrana do Rio de Janeiro, especialmente o Vale do Cuiabá e Teresópolis, entre a noite de 11 e a madrugada de 12 de janeiro de 2011. Para marcar a data, todas as missas celebradas na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Itaipava, farão memória das vítimas. Uma das celebrações mais simbólicas acontecerá às 8h, na Igreja Sagrado Coração, no próprio Vale do Cuiabá — local onde, em meio à destruição, uma imagem de Nossa Senhora permaneceu intacta, mesmo após ser atingida por um tronco de árvore. Em Teresópolis, todas as paróquias vão dedicar as celebrações em memória das vítimas.

Fotos da Tragédia no Vale do Cuiabá, em Petrópolis

A tragédia, considerada uma das maiores do país em número de vítimas, deixou marcas profundas: mais de 900 mortes confirmadas, segundo dados oficiais, e estimativas que apontam até 1.600 vítimas fatais. Mais de 35 mil pessoas ficaram desabrigadas. O Vale do Cuiabá foi um dos epicentros da destruição, mas o desastre também atingiu duramente os municípios de Teresópolis, São José do Vale do Rio Preto, Areal e Nova Friburgo.

Em setembro de 2025, durante Visita Pastoral, Dom Joel se encontrou com famílias do Condominio Ermitage, onde moram vítimas da tragédia de 2011

Diante de tamanha dor, a Igreja Católica, por meio da Diocese de Petrópolis, teve papel essencial no acolhimento, apoio e reconstrução da esperança. “Neste ano em que completamos 15 anos da tragédia de 11 de janeiro de 2011, e às vésperas de completarmos quatro anos da tragédia de 15 de fevereiro de 2022, queremos manifestar, mais uma vez, nossa solidariedade a todas as vítimas”, afirmou Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano. Ele também reafirmou o compromisso da Igreja em estar próxima das pessoas e contribuir para a construção de uma política de habitação justa e eficaz.

Dom Joel destacou ainda a importância do tema da Campanha da Fraternidade de 2026 — “Fraternidade e Moradia” — como oportunidade para reforçar a urgência de políticas públicas que garantam moradia digna, especialmente para famílias que vivem de aluguel social ou em áreas de risco. “Vamos aproveitar o tema da Campanha da Fraternidade deste ano para reforçar a necessidade de uma política habitacional que atenda a todos”, disse o bispo.

Presença Samaritana: o rosto da Igreja junto aos que sofrem

Logo após a tragédia de 2011, a Diocese de Petrópolis criou o projeto “Presença Samaritana”, uma iniciativa do então bispo diocesano Dom Filippo Santoro, hoje arcebispo emérito de Taranto, na Itália. Com o apoio dos padres das paróquias atingidas, o projeto se tornou um dos principais instrumentos de assistência às vítimas, oferecendo acolhimento, distribuição de donativos e apoio na reconstrução das comunidades.

O galpão usado para guardar e distribuir os materiais doados as famílias vítimas da tragédia de 2011 em Teresópolis

Este projeto foi fundamental para atender às vítimas da tragédia de 2022 em Petrópolis, confirmado na época como uma atuação social da Igreja pelo então bispo diocesano, Dom Gregório Paixão, OSB, atual arcebispo de Fortaleza. Dom Joel, atual bispo diocesano de Petrópolis, ao tomar conhecimento do papel social do projeto, não apenas o confirmou como vem atuando para ampliar a participação da Diocese nas ações sociais para atender às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Em Teresópolis, onde 392 pessoas perderam a vida, a Igreja, na época, abriu um centro de apoio com a ajuda de lideranças leigas e do então pároco do Sagrado Coração de Jesus, Padre Mário José Coutinho. O espaço centralizou a entrega de doações e foi fundamental para viabilizar obras de reconstrução e a construção de unidades habitacionais, sendo que uma delas fica no Parque Ermitage, Condomínio Esperança, no Caleme, Rosário e outras iniciativas nesse sentido.

Com relação à ocupação das unidades habitacionais no Parque Ermitage, o Padre Jorge Pacheco e o então representante do governo do Estado na época, o deputado estadual André Corrêa, entre outras pessoas, foram fundamentais para que as famílias pudessem ocupar as unidades.

Fotos da tragédia em Teresópolis

O projeto também teve forte atuação em Petrópolis, colaborando com movimentos sociais como a Frente Pró-Petrópolis, liderada por Philippe Guedon (1932–2020), que surgiu por incentivo de Dom Filippo Santoro, como instrumento de cobrança das autoridades por agilidade nas obras e atendimento digno às vítimas.

A luta continua

Mesmo após 15 anos, os efeitos da tragédia ainda são sentidos. Centenas de pessoas continuam desaparecidas, bairros inteiros foram reconstruídos, e muitas famílias seguem lutando por seus direitos. A Comissão das Vítimas das Tragédias da Região Serrana, presidida por Claudia Renata Ramos, tem sido uma voz ativa nessa luta. “A falta de uma política habitacional eficaz prejudica muito. Ainda há muitas pessoas vivendo de aluguel social ou em áreas de risco”, alerta Claudia.

A Igreja Católica, por sua vez, permanece ao lado dessas famílias, oferecendo não apenas assistência material, mas também espiritual e pastoral. Sua presença constante é sinal de esperança e compromisso com a dignidade humana, especialmente nos momentos mais difíceis.

Neste aniversário de dor e memória, a Diocese de Petrópolis convida todos os fiéis a unirem-se em oração pelas vítimas e a renovarem o compromisso cristão com a justiça social, a solidariedade e a promoção da vida. Porque, como ensina o Evangelho, é no cuidado com o próximo que se revela o verdadeiro rosto de Cristo.

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