Liturgia diária › 24/02/2017

Ano A – 6ª-feira da 7ª Semana do TC – Evangelho – Mc 10,1-12

Liturgia da Horas
Terceira Semana do Saltério.
Laudes (Manhã); Hora Sexta (Meio dia); Vésperas (tarde) e Completas (noite)

Liturgia da Missa
Cor: Verde – Missa da Semana do Tempo Comum.

Leituras do Dia
1ª Leitura – Eclo 6,5-17
Salmo – Sl 118, 12. 16. 18. 27. 34. 35 (R. 35a)

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 10,1-12

Naquele tempo:
1Jesus foi para o território da Judéia,
do outro lado do rio Jordão.
As multidões se reuniram de novo, em torno de Jesus.
E ele, como de costume, as ensinava.
2Alguns fariseus se aproximaram de Jesus.
Para pô-lo à prova,
perguntaram se era permitido ao homem
divorciar-se de sua mulher.
3Jesus perguntou:
‘O que Moisés vos ordenou?’
4Os fariseus responderam:
‘Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio
e despedi-la’.
5Jesus então disse:
‘Foi por causa da dureza do vosso coração
que Moisés vos escreveu este mandamento.
6No entanto, desde o começo da criação,
Deus os fez homem e mulher.
7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe
e os dois serão uma só carne.
8Assim, já não são dois, mas uma só carne.
9Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!’
10Em casa, os discípulos fizeram, novamente,
perguntas sobre o mesmo assunto.
11Jesus respondeu:
‘Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra,
cometerá adultério contra a primeira.
12E se a mulher se divorciar de seu marido
e casar com outro, cometerá adultério.’
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

No livro do Eclesiástico, 6, 5-17, o autor nos dá conselhos muitos úteis sobre amizade verdadeira. Amigo mesmo: usa palavras que unem, está presente de modo especial em momentos difíceis,  protege, é um tesouro, se firma no temor do Senhor.

Muitas pessoas tem experiência com certos animais de quem cuidam, com quem convivem ou que os ajudam em vários momentos, que manifestam um “afeição” que até parecem gente.

O relacionamento entre pessoas provoca um sentimento de ligação afetiva de vários graus.  Porque conhecer para nós pode ficar só no saber quem é o outro, em que podemos ajudá-lo, em que ele pode também colaborar comigo.  Mas sempre provoca uma ligação maior ou menor, que é um sentimento de afeição para com o outro.

A afirmação de Deus no início da criação do ser humano, como lemos na Bíblia, é: não é bom que homem esteja só.(Gn 2,18). É no sentido de que tudo em nós cresce e se desenvolve na medida que saímos de nós mesmos na direção de outro. Seja por necessidade, seja por convivência.

É o que chamamos de amizade. Que é próprio mais do ser humano, ou melhor do ser espiritual, como é o homem. Aquece a frieza do relacionamento formal, por educação ou necessidade.

O início da amizade é a busca de um prazer para nós de estar com outra pessoa. Não é dar-se porque valoriza o outro e sim porque faz bem a mim a presença do outro. O tipo de amizade que se fecha no egoísmo dura pouco e faz sofrer o outro, porque este se sente objeto e não parceiro de um sentimento tão benéfico.

Quase sempre tudo começa em gostar de alguém. Mas gostar pode ser de tudo. De pessoa para pessoa é egoísmo. Eu posso gostar de muita coisa. Mas em relação a uma pessoa, de fato, acontece porque me faz bem, me serve.

A amizade verdadeira é uma conquista, pede parceria, respeito pela personalidade do outro. É abertura que favorece o crescimento espiritual e afetivo de ambas as partes.

A amizade torna-se amor quando valorizo mais o outro, mesmo até que eu sofra. Uma mãe sofre com prazer ao acompanhar dias junto ao berço do filhinho que está doente e precisa de saúde e de muito amor.

Em Marcos, 10, 1-12, os fariseus perguntaram: “o marido pode divorciar-se de sua esposa?” E Jesus: “O que Moisés ordenou?”  E eles: “que dê carta de divórcio.” Jesus: “Moisés disse isso por causa da dureza de seus corações. Mas no início não foi assim. Deus os fez homem e mulher e se casando são um só. O que Deus uniu, ninguém pode separar.” Estando em casa, depois, seus discípulos quiseram saber mais. E Jesus: ”o divorciado que se casar com outra mulher comete adultério. O mesmo também a mulher.”

A experiência do amor tem vários graus: dos esposos entre si, da mãe e do pai para com seus filhos, dos filhos para com seus pais, dos irmãos entre si, dos amigos, da amizade que pode se transformar em amor mútuo preparando o casamento e a família.

A medida do amor, suas exigências, seus efeitos, são de forma tal que qualquer “ferimento” deste dom precioso que Deus colocou em nós, fazendo-nos imagem e semelhança sua é causa de grandes males.

Tudo o que se mostra cuidado especial e necessário para a realização mais perfeita do amor, deve ser recebido e realizado para que jamais possamos ferir este dom precioso. Pois ele é fundamento necessário para a vida humana mais que tudo o que se apresenta como qualidades físicas, psicológicas.

Saímos  das mãos  de Deus porque Ele nos amou antes de nos criar. Podemos mesmo dizer foi o amor de Deus que nos deu a vida.

A razão fundamental de tudo o que somos e podemos encontrar é: Deus nos amou e ama.

Toda e qualquer ferida neste amor só traz estragos de todo o tipo. O conserto disso é muito difícil. E o pior é que faz mal a quem devia amar e faz mal a quem precisava ser amado.

Deus teve muita coragem em confiar a nós esta preciosidade: o amor. Temos todas as possibilidades em nós para acolhê-lo, alimentá-lo e sermos movidos por ele.

Devido à nossa fragilidade o Senhor vem em nosso socorro constantemente, por meio de sua presença paterna e com os cuidados que sua Igreja tem conosco.

O amor não pode ser temporário: hoje amo, amanhã quem sabe?

Como dissemos o amor é como o sangue, é como nosso coração que bate. Não posso dizer: hoje, sangue, descansa, para de irrigar meu corpo. Não posso dizer ao coração: descansa, você trabalha demais…

Não posso dar férias nem temporárias nem permanentes ao amor!