Liturgia diária › 28/06/2017

Ano A – 4ª-feira da 12ª Semana do TC – Evangelho – Mt 7,15-20

Liturgia da Horas
Ofício da 4ª semana do Tempo Comum.
Laudes (Manhã); Hora Sexta (Meio dia); Vésperas (tarde) e Completas (noite)

Liturgia da Missa
Cor: Verde – Missa: Prefácio do Tempo Comum.

Leituras do Dia

1ª Leitura do Livro do Gênesis 15,1-12.17-18

Naqueles dias:
1O Senhor falou a Abrão, dizendo:
‘Não temas, Abrão!
Eu sou o teu protetor
e tua recompensa será muito grande’.
2Abrão respondeu:
‘Senhor Deus, que me darás?
Eu me vou desta vida sem filhos
e o herdeiro de minha casa será Eliezer de Damasco’.
3E acrescentou:
‘Como não me deste descendência,
um servo nascido em minha casa será meu herdeiro’.
4Então o Senhor falou-lhe nestes termos:
‘O teu herdeiro não será esse,
mas um dos teus descendentes
é que será o herdeiro’.
5E, conduzindo-o para fora, disse-lhe:
‘Olha para o céu e conta as estrelas,
se fores capaz!’
E acrescentou:
‘Assim será a tua descendência’.
6Abrão teve fé no Senhor,
que considerou isso como justiça.
7E lhe disse:
‘Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus,
para te dar em possessão esta terra’.
8Abrão lhe perguntou:
‘Senhor Deus, como poderei saber
que vou possuí-la?’
9E o Senhor lhe disse:
‘Traze-me uma novilha de três anos,
uma cabra de três anos,
um carneiro de três anos,
além de uma rola e de uma pombinha’.
10Abrão trouxe tudo
e dividiu os animais pelo meio,
mas não as aves,
colocando as respectivas partes uma frente à outra.
11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres,
mas Abrão as enxotou.
12Quando o sol já se ia pondo,
caiu um sono profundo sobre Abrão
e ele foi tomado de grande e misterioso terror.
17Quando o sol se pôs e escureceu,
apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo,
que passaram por entre os animais divididos.
18Naquele dia o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo:
‘Aos teus descendentes darei esta terra,
desde o rio do Egito
até o grande rio, o Eufrates’.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 104,1-2. 3-4. 6-7. 8-9 (R. 8a)

R. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, *
anunciai entre as nações seus grandes feitos!
2Cantai, entoai salmos para ele, *
publicai todas as suas maravilhas!R.

3Gloriai-vos em seu nome que é santo, *
exulte o coração que busca a Deus!
4Procurai o Senhor Deus e seu poder, *
buscai constantemente a sua face!R.

6Descendentes de Abraão, seu servidor, *
e filhos de Jacó, seu escolhido,
7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, *
vigoram suas leis em toda a terra.R.

8Ele sempre se recorda da Aliança, *
promulgada a incontáveis gerações;
9da Aliança que ele fez com Abraão, *
e do seu santo juramento a Isaac.R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7,15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
15Cuidado com os falsos profetas:
Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha,
mas por dentro são lobos ferozes.
16Vós os conhecereis pelos seus frutos.
Por acaso se colhem uvas de espinheiros
ou figos de urtigas?
17Assim, toda árvore boa produz frutos bons,
e toda árvore má, produz frutos maus.
18Uma árvore boa não pode dar frutos maus,
nem uma árvore má pode produzir frutos bons.
19Toda árvore que não dá bons frutos
é cortada e jogada no fogo.
20Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

No livro do Gênesis, 15, 1-12.17-18, o Senhor dirigiu sua palavra a Abrão prometendo acompanha-lo de perto, dando-lhe grande descendência. Abrão preparou os animais para o sacrifício que iria oferecer a Deus. Ao se por o sol uma tocha fumegante passou e Deus fez aliança com Abrão prometendo dar a ele e à sua descendência as terras desde o rio do Egito até o rio Eufrates.

Várias vezes a narrativa sobre Abrão mostra Deus se comunicando com seu justo. As dificuldades eram tantas até Abrão se firmar com sua família e seus bens que o Senhor repetia que iria acompanha-lo sempre.  Deus sentia um prazer de falar a seu servo prometendo estar sempre presente em sua vida.

Abrão está sempre ligado a Deus e manifesta sua fé pelos sacrifícios que vai oferecendo ao Senhor. Temos a impressão de ver o que acontece entre duas pessoas que se querem bem: não se cansam de mostrar seu amor pelas delicadezas repetidas.

A História do Povo de Deus, principalmente antes de Cristo fala muito de promessas e realizações que  o Senhor fará acontecer quando vier o Salvador. Observando bem de perto percebemos que com Deus nada se improvisa, tudo é preparado.

O que é planejado, programado, pensado nos detalhes não só ajuda a que o que se pretende fazer se realize bem  como foi pensado, mas até de alguma forma começa-se em sonhos ou visualização antecipada a gozar do que se pretende fazer como se já estivesse a caminho.

No seminário orientava os seminaristas em Correas para apresentar uma peça de teatro. Acompanhava os ensaios e percebia a alegria da participação de todos, como se já estivessem vivendo os momentos futuros quando estivessem realizando a peça teatral. Depois que apresentavam a peça no dia, percebia que a alegria não era só pelo momento em que aconteceu a peça, mas muito pelos momentos anteriores em que se esforçavam para representar o melhor possível cada personagem..

É isso. O Senhor dirigia seu povo no tempo próprio mas sempre lhes mostrava o que iria acontecer no futuro, para que já fossem vivendo a alegria da realização. Assim com Abrão descortina seu plano sobre o povo que iria sair dele, sempre protegido pelo Senhor.

Isto não é só sonhar. É colocar os meios para atingirmos o fim.

Por isso toda a criança, em sua ingenuidade quando lhe propomos alguma coisa a fazer que ela não percebe a razão de ter de fazer, pergunta sempre: porque? Para que?

Fazer por fazer, obedecer por obedecer, é pouco estimulante.

Em Mateus 7, 15-20, Jesus alerta sobre os falsos profetas que se apresentam em vestes de cordeiro. Relembra: a árvore boa dá bons frutos  a outra não. A que não produz bons frutos será arrancada e lançada ao fogo. Conhecemos a boa árvore por seus bons frutos.

Em todos os tempos e lugares há pessoas que observam a vida e ações  dos outros. E principalmente quando os líderes de algum movimento social, político e também religioso, conseguem movimentar muita gente, pela fama e pelo dinheiro.

São os que não se importam pelo ideal apresentado, mas pelos efeitos de influência nas pessoas. Se conseguem prestígio político, econômico etc.

No começo da Igreja (Atos: 4,1s;8,9s;18s) houve pessoas que quiseram se aproveitar do poder dos apóstolos sobre as pessoas, principalmente quando se oferecia dinheiro para o trabalho da caridade.

Jesus chama à atenção sobre os ensinamentos verdadeiros acerca dele e da fé cristã. Desde o simples cristão ao mestre, que chama de pastor, todos tem de ter responsabilidade por sua preparação, como também quando representam por sua consagração de vida a missão que a Igreja lhe dá.

O cuidado de Jesus para que em sua Igreja se ensine as verdades certas da fé, além da preparação própria, existe também o que se chama de “sensus fidei”, isto é, sentido da fé, percepção clara de todo o povo de Deus do que é de Deus e do que não é.

Respeitemos sempre nossos pastores e os que os ajudam na missão da Igreja de Cristo. Sejamos os guardas vigilantes do rebanho de Jesus, demos todo o nosso apoio, unamo-nos sempre na defesa de nossa fé, para que só a sã doutrina seja ensinada e vivida por todos os católicos.

Não é difícil perceber quando uma comunidade é fiel a Cristo e à sua Igreja. Pelos frutos, pelos resultados na vida cristã de cada membro e pela união com os sacerdotes, com o bispo e com o Papa.

Às vezes pode acontecer que um cristão que observa a situação da comunidade deva fazer observações ao padre.

E de modo especial hoje existe em todas as comunidades pessoas que estão afastadas da participação na religião.

Não podemos nos contentar com a porcentagem pequena que participa nas missas. A maioria está lá fora e a ela também o Cristo precisa ser anunciado, conhecido, amado.