Liturgia diária › 29/01/2020

Ano A (Par) – 4ª-feira da 3ª Semana do TC – Evangelho – Mc 4,1-20

Liturgia das Horas
Laudes (manhã) – Vésperas (tarde) – Completas (Noite)

Leituras

1ª Leitura – 2Sm 7,4-17

Naqueles dias:
4A palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos:
5‘Vai dizer ao meu servo Davi:
‘Assim fala o Senhor:
Porventura és tu que me construirás uma casa
para eu habitar?
6Pois eu nunca morei numa casa,
desde que tirei do Egito os filhos de Israel,
até ao dia de hoje,
mas tenho vagueado em tendas e abrigos.
7Por todos os lugares onde andei com os filhos de Israel,
disse, porventura, a algum dos chefes de Israel,
que encarreguei de apascentar o meu povo:
Por que não me edificastes uma casa de cedro?`
8Dirás pois, agora, ao meu servo Davi:
‘Assim fala o Senhor Todo-poderoso:
Fui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas,
para que fosses o chefe do meu povo, Israel.
9Estive contigo em toda parte por onde andaste,
e exterminei diante de ti todos os teus inimigos,
fazendo o teu nome tão célebre
como o dos homens mais famosos da terra.
10Vou preparar um lugar para o meu povo, Israel:
eu o implantarei, de modo que possa morar lá
sem jamais ser inquietado.
Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora,
11no tempo em que eu estabelecia juízes
sobre o meu povo, Israel.
Concedo-te uma vida tranqüila,
livrando-te de todos os teus inimigos.
E o Senhor te anuncia que te fará uma casa.
12Quando chegar o fim dos teus dias
e repousares com teus pais,
então, suscitarei, depois de ti, um filho teu,
e confirmarei a sua realeza.
13Será ele que construirá uma casa para o meu nome,
e eu firmarei para sempre o seu trono real.
14Eu serei para ele um pai
e ele será para mim um filho.
Se ele proceder mal,
eu o castigarei com vara de homens
e com golpes dos filhos dos homens.
15Mas não retirarei dele a minha graça,
como a retirei de Saul,
a quem expulsei da minha presença.
16Tua casa e teu reino
serão estáveis para sempre diante de mim,
e teu trono será firme para sempre’.
17Natã comunicou a Davi todas essas palavras
e toda essa revelação.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 88, 4-5. 27-28. 29-30 (R. 29a)

R. Guardarei eternamente para ele a minha graça.

4‘Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, *
e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor:
5Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, *
de geração em geração garantirei o teu reinado!’R.

27Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, *
sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!`
28E por isso farei dele o meu filho primogênito, *
sobre os reis de toda a terra farei dele o Rei altíssimo.R.

29Guardarei eternamente para ele a minha graça *
e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel.
30Pelos séculos sem fim conservarei sua descendência, *
e o seu trono, tanto tempo quanto os céus, há de durar’.R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 4,1-20

Naquele tempo:
1Jesus começou a ensinar de novo
às margens do mar da Galiléia.
Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele,
de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou,
enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.
2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas.
E, em seu ensinamento, dizia-lhes:
3’Escutai! O semeador saiu a semear.
4Enquanto semeava,
uma parte da semente caiu à beira do caminho;
vieram os pássaros e a comeram.
5Outra parte caiu em terreno pedregoso,
onde não havia muita terra;
brotou logo, porque a terra não era profunda,
6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada;
e, como não tinha raiz, secou.
7Outra parte caiu no meio dos espinhos;
os espinhos cresceram, a sufocaram,
e ela não deu fruto.
8Outra parte caiu em terra boa
e deu fruto, que foi crescendo e aumentando,
chegando a render trinta, sessenta e até cem por um.’
9E Jesus dizia:
‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.’
10Quando ficou sozinho,
os que estavam com ele, junto com os Doze,
perguntaram sobre as parábolas.
11Jesus lhes disse:
‘A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus;
para os que estão fora, tudo acontece em parábolas,
12para que olhem mas não enxerguem,
escutem mas não compreendam,
para que não se convertam e não sejam perdoados.’
13E lhes disse:
‘Vós não compreendeis esta parábola?
Então, como compreendereis todas as outras parábolas?
14O semeador semeia a Palavra.
15Os que estão à beira do caminho
são aqueles nos quais a Palavra foi semeada;
logo que a escutam, chega Satanás
e tira a Palavra que neles foi semeada.
16Do mesmo modo,
os que receberam a semente em terreno pedregoso,
são aqueles que ouvem a Palavra
e logo a recebem com alegria,
17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes;
quando chega uma tribulação ou perseguição,
por causa da Palavra, logo desistem.
18Outros recebem a semente entre os espinhos:
são aqueles que ouvem a Palavra;
19mas quando surgem as preocupações do mundo,
a ilusão da riqueza e todos os outros desejos,
sufocam a Palavra, e ela não produz fruto.
20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom,
são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto;
um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.’
Palavra da Salvação.

Comentário: Monsenhor Paulo Daher

Na 2º. Livro de Samuel, 7, 4-17, o Senhor envia Natã para dizer a Davi que não se preocupe em construir um templo para Ele. O Senhor lembra que desde cedo acompanhou a vida de Davi. Que ele continue a contar com a presença de Deus até o fim de seus dias. Ele cuidará dos que irão dirigir o povo.
Davi recebeu muito e estava sempre disposto a dar mais ainda de si. Tinha suas falhas, mas tinha um grande amor ao Senhor que o escolhera, e dava exemplo de em tudo servir bem a este Deus fiel.
Vendo que morava num palácio e a Arca da Aliança estava numa tenda, quis construir um templo digno do culto a Deus. O Senhor gostou da ideia, mas disse que não deveria ser Davi a construir o templo. Caberia a seus descendentes.
Deus não precisa de local para habitar, sua casa é todo o universo. Mas as pessoas é que precisam ter um lugar sagrado para manifestar publicamente como povo de Deus a sua fé.
No início de nossa religião, os cristãos começaram a se reunir nas casas, para a celebração da Palavra de Deus e da Eucaristia. Durante toda a história de nossa religião em todas as cidades onde floresceu o cristianismo, a partir do século V, após as perseguições foram construídas igrejas bem à altura do respeito pela grandeza de Deus.
Mas para nós hoje, embora Deus esteja em toda a parte, temos durante o dia poucos lugares que nos facilitem o silêncio e para assim recolhidos estar com mais intimidade com Deus. Precisamos buscar estes desertos para nos afastar do barulho que nos cerca e preparar calma e paz de espírito para ouvir o Senhor. E se nos restar mesmo mais a própria igreja, para recolher-nos, por tudo que é e representa como presença de Deus, aproveitemos mais este local sagrado, para em maior silêncio e paz podermos ouvir o Senhor que quer falar-nos.
O Senhor deseja atenção maior de nossa parte. Procuremo-lo! (Lc 13, 34b)

Em Marcos, 4, 1-20, Jesus conta a parábola do semeador. As sementes caíram na estrada, em lugar pedregoso, entre os espinheiros e na terra boa. Nesta deu muito fruto, nas outras foram perdidas. Os discípulos depois pediram para Jesus explicar a parábola. A semente é a Palavra de Deus que é semeada no coração das pessoas. Caída à beira do caminho a Palavra se perde: como veio, vai embora. A no terreno pedregoso, por não terem raízes em si (não perseveram) logo secam. Entre os espinhos que são as preocupações por coisas passageiras, também são sufocadas. A que cai na terra boa que são os que a acolhem com alegria e a fazem frutificar trinta, sessenta e cem por cento.
Jesus em sua sabedoria divina e demonstrando que conhecia muito bem nossa vivência humana, explicou em tão poucas palavras a experiência que cada um de nós vive ao ouvir sua Palavra.
Não basta conhecer o que é a verdade e o bem. Como não basta saber o valor dos vários alimentos que nos sejam apresentados. É preciso aceitá-los,acolhê-los,transformá-los em vida e saúde material e espiritual.
Diante de Deus o resultado de nossa vida não se mede pelo número de vezes que lemos a Bíblia, das novenas feitas, dos terços que rezamos, das missas e sacramentos em que participamos, de ajuda que demos aos necessitados.
O que apresentamos por fora deve corresponder dentro de nós na transformação de nossa vida. Não basta a semente cair na terra. Ela precisa dar frutos.
Como a semente tem todo o potencial para se transformar numa árvore se encontrar ambiente propício, assim todas as qualidades que temos precisam ser preparadas por nossa escolha, nosso querer, nosso perseverar para garantir o desenvolvimento necessário.
A luta que temos pode não ser só de não participar, mas é que com tanta riqueza nas mãos, encontramos dificuldades pelo caminho.
A vida do cristão é uma luta contínua. S. Paulo uma vez apresentou o que acontecia com ele para anunciar a todos o evangelho do Senhor.(2 Cor 11, 23-28) Não era fácil. Mas ele não aceitou a missão para a qual o Cristo o escolhera, para receber tanto e ficar de braços cruzados.
Cristo não disse que a semente caída em terra boa toda ela frutificou cem por cento. Produziu trinta, sessenta e cem por cento.
Que será que Jesus quis dizer com isso? Penso assim: em nossa matemática o resultado bom é cem por cento. Na matemática de Deus 30,60 e 100 são ótimos resultados. Para Deus 30,60 e 100 são a mesma coisa. Quem pode produzir 30, fez tudo o que podia, o mesmo 60 e 100.
Deus nunca exige mais do que podemos dar. Deus não faz comparações competitivas. Como um pai que pede a seus filhos de várias idades para fazer um desenho. O que cada um fizer com tudo o que pode, vale o mesmo para ele. O pequenino que apresentou uns rabiscos explicando: este aqui é papai, esta é minha mãe, e estes são meus irmãos. Vale tanto quanto o mais velho que tem estudos sobre arte e apresentou um quadro colorido com imagens perfeitas.
Deus se agrada tanto com o frondoso cedro do Líbano como com a mimosa flor bem-me-quer.
Tua Palavra é luz que ilumina meus caminhos (Sl 118/119,105)