Liturgia diária › 04/12/2020

Ano B (Ímpar) – 6ª feira da 1ª Semana do Advento – Evangelho – Mt 9,27-31

Leitura do Livro do Profeta Isaías 29,17-24

Assim fala o Senhor Deus:
17Dentro de pouco tempo,
não se transformará o Líbano em jardim?
E não poderá o jardim tornar-se floresta?
18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro
e os olhos dos cegos verão,
no meio das trevas e das sombras.
19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor,
e os mais pobres dos homens
se rejubilarão no Santo de Israel;
20fracassou o prepotente,
desapareceu o trapaceiro,
e sucumbiram todos os malfeitores precoces,
21os que faziam os outros pecar por palavras,
e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade
e atacavam o justo com palavras falsas.
22Isto diz o Senhor
à casa de Jacó, ele que libertou Abraão:
‘Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se
nem seu rosto terá que enrubescer;
23quando contemplarem as obras de minhas mãos,
hão de honrar meu nome no meio do povo,
honrarão o Santo de Jacó,
e temerão o Deus de Israel;
24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria
e os maldizentes concordarão em aprender’.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 26 (27), 1. 4. 13-14 (R.1a)

R. O Senhor é minha luz e salvação.
1O Senhor é minha luz e salvação;*
de quem eu terei medo?
O Senhor é a proteção da minha vida;
perante quem eu tremerei?R.

4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,*
e é só isto que eu desejo:
habitar no santuário do Senhor*
por toda a minha vida;
saborear a suavidade do Senhor*
e contemplá-lo no seu templo. R.

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor! R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 9,27-31

Naquele tempo:
27Partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando:
‘Tem piedade de nós, filho de Davi!’
28Quando Jesus entrou em casa,
os cegos se aproximaram dele.
Então Jesus perguntou-lhes:
‘Vós acreditais que eu posso fazer isso?’
Eles responderam: ‘Sim, Senhor.’
29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo:
‘Faça-se conforme a vossa fé.’
30E os olhos deles se abriram.
Jesus os advertiu severamente:
‘Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo.’
31Mas eles saíram,
e espalharam sua fama por toda aquela região.
Palavra da Salvação.

Comentário: Monsenhor Paulo Daher

Isaías em 29, 17-24, profetiza a ação de Deus então e do futuro Messias. O Líbano terá abundantes árvores frutíferas. Os surdos ouvirão, saindo do isolamento em que estavam. Os cegos livres da escuridão, enxergarão. Os humildes e pobres se alegrarão junto ao Senhor. Por Ele se livrarão de todos os que lhe causavam mal. Jacó (o povo de Deus)não se envergonhará porque as mãos do Senhor estará sobre eles. Hão de bendizer e santificar o nome do Senhor. Até os espíritos ignorantes aprenderão a sabedoria.
Os profetas, de modo especial Isaías, apresentam fatos que irão acontecer (e que de fato aconteceram) quando chegasse o Salvador de todos. Para aquelas regiões, às vezes difíceis de produzir o alimento necessário para as pessoas, a imagem da fertilidade da terra será sinal das bênçãos de Deus. As doenças, a situação de pobreza e humilhação social serão encaminhadas para dias melhores.
Jesus quis que coisas extraordinárias de fato acontecessem com sua palavra e presença no meio do povo escolhido como fatos e ao mesmo tempo sinais de sua presença salvadora no meio do povo.
Não podemos exigir que Jesus faça sempre o mesmo que fez na Palestina. E depois ainda com a ação dos apóstolos no início de sua Igreja. Mas repito, além de serem fatos reais eram ao mesmo tempo sinais de sua presença. A partir daí manifestará sua presença de maneiras as mais diversas, não necessariamente com milagres.
Podemos sentir a presença e ação de Cristo de muitas formas: a paz em nossos corações, a fé (talvez ainda maior do que com fatos extraordinários!) diante da certeza de sua ação presente em nossa vida ou na vida que percebemos de pessoas santas.
Conheço pessoas simples, humildes que olhando só externamente para elas não percebemos nada de especial. Depois ouvindo-as conhecendo seu dia a dia, descobrimos que Deus é a razão de sua vida, que ele está vivo e presente na alegria e paz que sua presença nos passa.

Em Mateus, 9, 27-31, enquanto Jesus caminhava, dois cegos o seguiram e gritaram: Filho de Davi, tem piedade de nós. Jesus entrou numa casa e os cegos vieram atrás. Jesus perguntou: ” vocês acreditam que eu possa curar vocês? ” Responderam: “Sim, Senhor! ” Então Jesus tocou em seus olhos e disse: “seja feito conforme a fé que vocês tem”. E se abriram os olhos dos cegos. Jesus recomendou: “não falem disso a ninguém!” Mas mal saíram, espalharam a fama de Jesus por toda aquela região.
Esta cena estava sendo comum, quando Jesus percorria as cidades. Os evangelistas apresentam principalmente dos três últimos anos da vida de Cristo, suas caminhadas pelas estradas, cidades, montanhas, mar da Galileia, nas sinagogas, em Jerusalém, em Cafarnaum, nas três grandes regiões da Judeia, Samaria e Galileia. Algumas vezes fora mesmo da Palestina. Ora falava ao povo, orientando-o sobre a vida religiosa, ora explicava passagens da Palavra de Deus do Antigo Testamento. E a maioria de suas falas não foram registradas pelos evangelistas. E os chamados sinais, que eram os milagres, aconteciam com muitos doentes. Mas uma expressão que aparece muitas vezes é que o povo, multidões seguiam Jesus para estar com ele. Para pedir uma cura. Ou simplesmente porque se sentiam bem perto dele.
Cegueira, hanseníase(lepra), paralisia, distúrbios psicológicos (ou mesmo possessão) eram as curas pedidas e atendidas ou com iniciativa do próprio Jesus. Os fatos são simples, claros, muitas vezes criticados pelos fariseus quando aconteciam em dia de sábado.
Quem lê com simplicidade e fé os evangelhos confirma em seu coração que Cristo, Filho de Maria de Nazaré é também o Filho de Deus. Que visitou-nos e de perto realizou milagres que só com o poder de Deus têm lugar. E em cada cura aprendemos lição de confiança, de manifestação da misericórdia divina.
Se cada dia abríssemos a Bíblia, de modo especial os evangelhos, e com fé lêssemos as passagens e com elas orássemos, em breve toda a nossa vida mudaria. Porque os fatos que aí encontramos não são só fatos históricos de dois mil atrás. No momento em que ouvimos a Palavra de Deus, o Senhor fala ao nosso coração o que precisamos ouvir, como se estivéssemos presentes lá atrás em seu tempo…