Diocese, Notícias › 01/10/2020

Dom Odelir: “Uma igreja que não é missionária não é uma igreja de Jesus”

Padre Maurício Jardim, diretor das Pontifícias Obras Missionárias, Dom Odelir Magir e Padre Jovane Carmo no Santuário de Aparecida

A Campanha Missionária de 2020 foi aberta na manhã do dia 1º de outubro, festa da Padroeira das Missões, Santa Terezinha do Menino Jesus, no Santuário Nacional de Aparecida. A missa de abertura foi presidida pelo presidente da Comissão Missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Odelir José Magri e concelebrada por vários padres. O coordenador do Conselho Missionário Regional (Comire) e do Conselho Missionário Diocesano, Padre Jovane Carmo foi um dos concelebrantes.

Em sua homilia na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, na abertura da Campanha Missionária neste mês de outubro, Dom Odelir José Magri disse que este mês é um tempo para “refletir junto, rezar junto, aquecer o coração na nossa ação cotidiana missionária, no nosso ser missionário na vida de cada dia em nossas dioceses, paróquias e comunidades”.

Dom Odelir Magri fez uma saudação especial a todos os conselhos missionários diocesanos e pessoas que se dedicam a ação missionária em suas comunidades e na vida cotidiana.

Dom Odelir Magri, presidente do Conselho Missionário da CNBB

Lembrando o Evangelho da liturgia da quinta-feira da 26ª semana do Tempo Comum, o presidente da Comissão Missionária da CNBB, explicou que o número 72 discípulos é simbólico. “Podemos perguntar por que então 72 é simbólico? Ele quer significar abraçar todas as nações do mundo, todos os países e está em sintonia com o envio de Jesus: Ide por todo mundo, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A missão, segundo o bispo, exige que o projeto de Deus seja levado adiante, com o testemunho e anúncio missionário. Ele lembrou que o primeiro anúncio foi de Jesus, que se fez homem, viveu neste mundo, viveu o mistério da sua paixão, morte e ressurreição. “A sua morte na cruz é para salvação de todos. Deus não quer que ninguém seja excluído por isso que a meta última da missão é além fronteiras. É testemunhar e levar essa mensagem de que nós somos salvos pelo mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus a todos os povos”.

Ao longo de sua reflexão Dom Odelir Magri ressaltou três dimensões importantes da identidade missionária. A primeira é a dimensão “Querigmática”. Ele afirma que todos os batizados são chamados a testemunhar a boa notícia, “Deus nos amou por primeiro. Deus nos salvou e nos convida a fazer parte desse seu projeto, dessa sua missão. Por isso, somos todos missionários e missionárias”. O bispo afirma ainda que “a missão querigmática nos coloca, desde o Papa até o último cristão batizado nesta missão, que é uma missão eclesial. É uma obra de igreja. Não é uma coisa pessoal, por isso que nós enviamos alguém em missão. Por isso é uma igreja que envia e recebe. É levar e testemunhar Jesus Cristo, sua proposta de vida. Uma igreja que não é missionária não é uma igreja de Jesus”.

A segunda dimensão é Programática.  Dom Odelir Magri explicou que esse crer em Jesus Cristo, de viver a nossa fé “de algum modo tem que ser manifestado, tem que ser proclamado, tem que ser dito com palavras, mas, como lembrar-nos São Francisco, se for necessário com palavras. Primeiro com testemunho de vida”. Ainda segundo ele a missão como igreja tem um programa, tem um objetivo, tem metas e envolve pessoas.

O presidente da Comissão Missionária da CNBB lembra que a nível de Brasil existe a Comissão Missionária Nacional que envolve todas as forças missionárias da igreja no Brasil. Recordou que em 2019 foi lançado o Programa Missionário Nacional com suas metas, suas prioridades, frisando que esse programa, essa articulação envolve os bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos, leigas e os seminaristas

Citando o Papa Francisco, Dom Odelir Magri disse que todos somos chamados a “viver a experiência de uma igreja em saída, uma igreja missionária”. Ele citou ainda este período que vivemos com a pandemia, que, apesar de ser sofrido tem apresentado tantas coisas bonitas, como a solidariedade entre as pessoas. “Isso vem responder ao apelo do Papa Francisco que é combater a tentação da indiferença. Como missionários e missionárias nós também sofremos, mas, participamos deste gesto de compaixão e solidariedade. Por isso que a dimensão programática da missão é importante. É a partir dela que a identidade missionária da igreja se torna visível, pois, viver a missão na dimensão querigmática e programática é por a missão de Jesus no coração da igreja, como afirma o Papa Francisco”

A terceira dimensão vem da mensagem para o mês missionário do Papa Francisco, que afirma que “eu sou uma missão neste mundo, você é uma missão neste mundo”. De acordo com o bispo, a missão é de Deus e nós participamos dela, frisando que a missão não é apenas cumprir tarefas e fazer atividades, mesmo sendo isto importante. “A missão é todo dia, é todos os meses, toda hora é o meu jeito de ser, o meu jeito de viver, o meu jeito de ser cristão na sociedade a partir da minha profissão e do meu serviço na igreja. Como missionário estou anunciando e comunicando aquela experiência que eu estou vivendo do encontro com Jesus. Assim como Ele enviou os 72, assim como enviou os 12, assim como chamou e enviou Santa Terezinha e São Francisco Xavier, hoje me chama, chama você”.

Referindo-se ao lema da Campanha Missionária – “Eis-me aqui, envia-me” – tirado do livro do Profeta Isaías, Dom Odelir Magri disse que é muito atual. “Esse lema é atual. É como se Deus nos chama hoje, agora. Portanto, a missão não é para amanhã, é para hoje e cada um de nós é chamado a dar a sua resposta naquela que é a minha realidade. Vamos ter essa abertura de coração para dizer cada vez que Deus nos convoca para afirmar: eis-me aqui, envia-me”.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.