Artigos › 05/09/2017

Setembro – Mês da Bíblia 2017

O quê tem feito a comunidade de Tessalônica?

Será o reencontro com o Senhor uma enorme alegria? Ou será um pênfigo lamuriento digno da infelicidade que promove no mundo?

No capítulo 2 da Primeira Carta aos Tessalonicenses, Paulo afirma que os irmãos se tornaram imitadores das igrejas de Deus, pois também sofreram de seus compatriotas o que as igrejas da Judeia sofreram da parte dos judeus; que mataram o Senhor Jesus como mataram os profetas e como também perseguiram a  quem pregava a palavra de Deus (1Ts2,14-16).

Sem dúvida, a comunidade de Tessalônica era a glória e alegria de Paulo, apóstolo do Evangelho de Jesus. Quanto a esta comunidade, Paulo queria que o Senhor os fizesse crescer abundantemente no amor de uns para com os outros e para com todos (1Ts 3,11-12). Disse na carta que a vontade de Deus é que se afastem da imoralidade sexual e que ninguém prejudique ou lese o irmão, já que o Senhor é justiceiro de todas estas coisas, como já dizia e atestava (1Ts4,3-6). Simples, não?!

“Vós mesmos sabeis que o dia do Senhor vem como um ladrão, durante a noite”. Quando todo mundo, sugestionado pela ideologia do Império Romano, estiver dizendo “paz e segurança” (1Ts5,2-3). Quem dorme é de noite que dorme e quem se embriaga é de noite que se embriaga, por tanto sejamos sóbrios.

Preserva tua língua do mal, e teus lábios de palavras mentirosas. Evita o mal e faze o bem, busca a paz sem desistir (Sl33,14-15).

Porque Deus age no silêncio e não no meio do falatório mentiroso e desordenado, da gritaria histérica e dos eventos espetaculares. Ao contrário do ministro Sobna, que foi destituído do cargo e obrigado a devolver as chaves do palácio, por ter esquecido que autoridade é serviço (Is22,19), Paulo e seus colaboradores estabelecem vínculos de amor e amizade com os membros da comunidade.

Em suas cartas São Paulo ameaçava os escravocratas, ao invés de ser cúmplice e colaborador das ameaças proferidas pelo latifúndio, pelo desemprego, pelos diversos tipos de violência, pela corrupção administrativa, pelo descaso com o ambiente. O Evangelho de Jesus Cristo não pode ser o mesmo que o evangelho do imperador; o primeiro visando a dignidade das pessoas, o segundo a dignidade do império. Segundo Centro Bíblico Verbo “A legitimação do poder não somente é efetuada pela brutalidade e violência do exército, pela cobrança sistemática do imposto e pelo monopólio do comércio, mas também pela implantação da religião e da cultura promovida pelo Império Romano” (in VIDA PASTORAL 317 p14).

Pois então que sejamos sóbrios diante da realidade social, ambiental, econômica e política a qual todos estamos submetidos na atualidade. Porque foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo (Sb2,24), porque é na teologia da gratuidade que Saulo de Tarso deixa de perseguir os cristãos para seguir o crucificado (VP p30), e porque se a justiça vem através da lei, então Cristo morreu inutilmente (Gl2,19-21).

 

Texto elaborado por Valéria Belmino em 03.09.2017.

 

Referências Bibliográficas:

BÍBLIA SAGRADA. 5a edição CNBB, 2007.

Revista VIDA PASTORAL (VP) números 316 e 317.

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