Santo do dia › 24/11/2019

Rei do Universo

Jesus é rei, mas de que modo? Seu agir e suas palavras não deixam dúvidas: seu reino não é como os homens entendem. Ele é um rei diferente.
Em primeiro lugar, para tê-lo como rei é necessário que as pessoas tenham fé e exatamente por isso sejam comprometidas com ele. É uma adesão profunda à sua pessoa e ao seu modo de ser: pacificador, libertador, servidor a ponto de dar sua vida em favor de seus súditos.
Ele nos diz no versículo 37 do Evangelho de hoje: “..nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade”, e a verdade aí significa “fidelidade plena”. Portanto Jesus é rei para nos testemunhar até o fim, através da cruz, que o amor de Deus é fiel, que é dom de vida para as pessoas. Em seguida Jesus fala: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. Ser da verdade significa reconhecer a fidelidade de Deus e aderir ao serviço de proclamá-la, se necessário com o sacrifício da própria vida, como Jesus.
A segunda leitura, tirada do Apocalipse, diz que “Jesus é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos”. Jesus confirma a fidelidade do Pai e sua primazia em ser o primeiro dos homens novos, da nova humanidade, descentralizada de si mesma, mas voltada para o serviço, para a luta pela dignidade do ser humano, mesmo que para isso tenha de se sacrificar.
Concluindo nossa reflexão, celebrar Jesus Cristo, Rei do Universo, não é celebrar um poder que subjuga pessoas e se faz servir, mas, pelo contrário, é celebrar um rei que respeita e adora Deus-Pai e, por isso mesmo, coloca-se a seu serviço, no serviço do ser humano, lutando para que este seja mais fraterno, mais parecido com o próprio Deus. Ser súdito de Cristo é deixar-se elevar à dignidade de filho de Deus, de companheiro do Rei. É deixar os andrajos de escravo e revestir-se das vestes reais da justiça, da verdade e da paz.

Comentário: Monsenhor Paulo Daher

Em Daniel, 7, 13-14, em visão o profeta vê o filho do homem vir sobre as nuvens do céu, a ele foram dados o império, a glória e a realeza e todos os povos o servirão. Seu domínio será eterno e jamais será destruído.
Os autores dos livros sagrados da Bíblia do Antigo Testamento, inspirados pelo Espírito Santo, nos livros proféticos ou movidos pelas revelações divinas, falam de acontecimentos futuros e em geral mostram o que irá acontecer como fatos ou em referência ao messias esperado.
Este pequeno trecho desta festa, nossa Igreja quer referir a Cristo como rei de todos os povos.
Nuvens do céu, imagem para quase todas as culturas antigas e de algumas ainda de hoje, local que destaque alguém que mostre seu poder do alto (chuvas torrenciais, trovões, tempestades, visão universal da terra). Quem está lá merece todo o respeito e veneração e medo por seu poder soberano.
Os poderosos de um povo, de uma região, ou de toda a terra. São imagens fáceis de serem compreendidas e aplicadas a Cristo aceito como nosso rei e Senhor por conquista.
Nossa Igreja ao identificar a realeza de Cristo, chama-nos à atenção para a imagem real de um poder maior que tudo. Como Deus, Jesus é Senhor de todo este universo visível. Como Homem conquistou por sua vida na terra, de modo especial, como caminho visível para que o Filho de Deus feito homem também merecesse pela realização como Salvador de todos.
Nossa religião em suas celebrações usa palavras de louvor a Cristo Jesus, como devido a Ele como Deus com o Pai e o Espírito Santo, mas também tendo-se unido misteriosamente à natureza humana, deu-se a conhecer visivelmente por tudo que realizou.
A Cristo todos os que tem fé dobram seus joelhos para manifestar a entrega de suas vidas a Ele, nosso Rei e Senhor. E a maneira prática de aceitá-lo é seguir seus passos, seus ensinamentos e se unir sempre a Ele que nos conduz para a realização de nossa vida como filhos de Deus.

No Apocalipse, 1, 5-8, S. João fala da profecia que lhe foi revelada da parte de Jesus, testemunha fiel e soberano dos reis da terra. A Ele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder para sempre. Vem com as nuvens. Todos o verão. Eu sou o alfa e o ômega, diz o Senhor Deus, o princípio e o fim, Aquele que é, que era e que vem, o Dominador.
S. João também com linguagem profética sobre o futuro, traz o mesmo pensamento sobre a realeza de Cristo.
Destaca as qualidades deste rei: testemunha fiel, isto é, vem para com sua vida afirmar que Deus que é nosso Pai, segue de perto a vida de todos. Soberano dos reis da terra: Ele é mais que todos, está acima de todos, é dele que se revestem de autoridade os que governam.
Prova seu amor e dedicação a seus súditos, porque aceitou por todos, os sofrimentos que trazem as graças de salvação para quem o aceita. Ao mesmo tempo ao unir-nos a ele faz-nos com ele ser também sacerdotes, capazes de oferecer dons e sacrifícios que agradam a Deus e conseguem o perdão dos pecados.
Sinal de sua divindade é demonstrar que Ele é o princípio e o fim de todas as coisas. Tudo saiu de suas mãos e tudo voltará para suas mãos para o destino que cada um conquistou.
A vida que temos sempre precisa de segurança em todos os campos. Como somos limitados sobre o hoje e o amanhã, nem sempre acertamos. Se nos fecharmos em nós mesmos, buscando soluções nas muitas qualidades que temos, logo percebemos que nem sempre conseguimos porque não temos todos os elementos que possam conduzir-nos ao que queremos.
Sem perder nossa autonomia e liberdade, temos de buscar as luzes de Deus para ver todos os ângulos e para poder realizar o que queremos.
É essa a vantagem de aceitarmos que Deus seja nosso Rei e Senhor. Ele nos ajuda sem nos humilhar. Como faz um pai ou uma mãe amorosa que em vez de se aborrecer porque seu filho não consegue fazer o que deseja, ajuda com carinho e o incentiva elogiando como se ele sozinho conseguisse fazer o que queria.

Em João, 18, 33b-37, Pilatos perguntou a Jesus: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus lhe diz: “estás falando por si ou porque outros te disseram isto?” E Pilatos: “ não sou judeu. Teus chefes religiosos é que te entregaram a mim. Que fizeste?” E Jesus: “meu reino não é deste mundo.” E Pilatos: “então, tu és rei?” Jesus: “Sim. Eu sou rei. Vim para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade ouve a minha voz.”
Ser rei na acusação dos judeus era afirmado por malícia para apresentar Jesus como alguém que estava se levantando contra o imperador de Roma. Assim seria mais fácil condená-lo.
O diálogo de Jesus com Pilatos nos ajuda a entender de que realeza estaria falando Jesus. Reino no entender comum seria e é uma organização só política e social. Para Jesus seu reino se realiza na união de todos como uma família, onde todos são irmãos e se ajudam uns aos outros. Ao dizer meu reino não é deste mundo, Jesus quer dizer: não é como muitos reinos da terra onde os poderosos dominam e subjugam o povo. Ser rei para Jesus é cumprir o que disse: eu não vim para ser servido mas para servir a todos.(Mt 20,28)
Estamos terminado o ano litúrgico 2015. Esta festa deve ser para nós momento de aceitar Jesus como nosso Rei e Senhor de nossa vida. Ele é o modelo de tudo o que precisamos para pertencer a seu reino: união com o Pai, pela oração, pelos pensamentos, sentimentos, projetos, de fraternidade e serviço a todos com quem convivemos.
A aclamação do povo quando Jesus entrou em Jerusalém uma semana antes de sua prisão deve ser repetida cada dia de nossa vida: Jesus é nosso Rei Senhor. Queremos segui-lo sempre de mãos dadas com nossos irmãos.