Santo do dia › 21/11/2019

Dedicação da Catedral de Petrópolis

Padre Moises Henrique Fragoso de Souza
Cerimoniário da Diocese

O ato de dedicar algo ao Senhor possui suas raízes mais profundas no Antigo Testamento. Já ali encontramos a dedicação de alguns altares (Nm 7, 10-11. 84. 88), de casas (Dt 20,5) e sobretudo as  diversas e sucessivas dedicações do Templo do Senhor realizadas por Salomão (1Rs 8, 1-66), Esdras (Esd 6, 15-18) e Judas Macabeus (1Mc 4, 36-59). Esta festa tinha sua grande importância para o povo judeu, pois lhes recordava que o Templo onde realizavam suas orações era a casa do Senhor, a morada de Deus no meio deles. Esta festa também os recordava a sua dignidade de povo escolhido pelo Senhor e o seu dever de ser-lhe fiel.

Por sua morte e ressurreição, Jesus Cristo, nosso Senhor, tornou-se o verdadeiro e perfeito templo da Nova Aliança e com isso congregou aqueles que se tornaram o povo de Deus. Este povo santo, reunido na unidade que procede da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é a Igreja, o templo de Deus edificado de pedras vivas, no qual o Pai é adorado em Espírito e em verdade.

Com toda razão, desde a antiguidade, dá-se o nome de “igreja” aos edifícios construídos nos quais a comunidade cristã se reúne para celebrar os sacramentos, ouvir a Palavra de Deus e fazer suas orações pessoais. Estas igrejas, sinais visíveis da Igreja peregrina na terra e da Igreja celeste, tornam-se a casa de Deus, pois são destinadas unicamente e de modo estável a reunir o Povo do Senhor e a realizar os atos sagrados. Por isso, de acordo com antiquíssimo costume dos cristãos, convém que suas igrejas sejam dedicadas ao Senhor mediante rito solene. Se, porém, não for dedicada, pelo menos sejam abençoadas.

É ao Bispo, que tem a seu cargo a cura pastoral da Igreja particular, que compete dedicar a Deus as novas igrejas construídas dentro da sua diocese, ou aquelas nas quais já se celebram o culto. Esta celebração presidida por ele traz consigo diversos elementos que nos revelam o mistério da Igreja.

Um destes elementos é a aspersão, simultaneamente do povo e das paredes da igreja, com a água benta que o Presidente faz logo no início da celebração. Esta como lembrança do batismo um dia recebido, nos recorda que como cristãos também nós somos consagrados ao Senhor. Outro elemento é a própria oração de dedicação e unções do altar e das paredes. Neste rito, após a oração da ladainha dos santos, são depositadas as relíquias (pequenos pedaços de ossos) de um ou alguns santos sob o altar. Em seguida o Bispo recita a oração de dedicação, oração que desenvolve amplamente a teologia sobre a Igreja, da qual este edifício é sinal. Terminada esta oração ele procede ungindo o altar e as paredes da igreja com o óleo do crisma. Unção que, na tradição judaico-cristã, é o sinal mais claro da consagração de algo para Deus. A seguir se procede com o rito da incensação do altar, do povo e das paredes. O incenso que simboliza as nossas orações que sobem ao céu. Por último, após arrumar o altar como de costume para a Santa Missa, procede-se com a iluminação da igreja, onde se ascendem as velas do altar e as velas que foram colocadas nas paredes da igreja onde o bispo assinalou com a unção. Daí a missa prossegue como de costume.

Esta celebração possui uma importância tão grande para uma igreja catedral que todos os anos após sua dedicação celebrar-se-á o aniversário da mesma em grau de solenidade na própria igreja e de festa nas demais igrejas da diocese. Deste modo, todo dia 21 de novembro em nossa diocese de Petrópolis celebraremos o aniversário da dedicação da catedral.

Que esta dedicação possa ser vivida por todos com muita piedade e atenção e nos recorde a grande dignidade deste local onde frequentemente entramos para viver o encontro com o Pai, por Jesus Cristo no Espírito Santo através da liturgia celebrada, onde ouvimos a sua Palavra que nos impulsiona a uma vida nova  e experimentamos o seu amor misericordioso.