Lectio Divina Ano B: Sábado depois da 4ª-feira de Cinzas

Ano B – Sábado depois da 4ª-feira de Cinzas

Em Isaías 58, 9-14
Mais uma vez o Senhor comenta mostrando a maneira nada fraterna de tratar os outros, mais ainda quando precisam de ajuda. Quem vai ao encontro dos que precisam de ajuda terá de Deus a resposta da atenção do Senhor em sua vida. E também aponta a maneira de agir desrespeitando o sábado como o Dia do Senhor.

Como Deus pensou em nos criar, deu-nos qualidades que se desenvolvem no meio de todas as criaturas que Ele colocou nesta terra.

Quando o ser humano percebe o que está em volta de si, quer se comunicar. Em parte para a sobrevivência, mas também para sentir o prazer da presença de outros seres em volta de si mesmo.

Um fato que podemos observar é uma pessoa que chega a uma idade avançada e estranha os movimentos de muitas pessoas, e quer sentir-se só sem ser incomodado, e foge da companhia de outros.

Envelhece mais depressa ainda e apresenta problemas de solidão, de depressão, porque está fugindo do ambiente natural de estar com os outros que faz parte essencial da vida humana.

Observemos outro fato: o velhinho ou a velhinho estão meio fechados, querem quase se esconder. Quando aparece um neto ou neta tudo muda de figura. É como os raios do sol da primavera, para eles e também para as crianças que adoram estar com o avô ou avó não só porque fazem todas as suas vontades, mas porque o ser humano se torna mais doce e mais acessível para acolher as crianças.

Está em nossa natureza que o desenvolvimento de todas as nossas qualidades acontecem no relacionamento com o mundo que nos cerca e mais ainda com as pessoas que encontramos e com quem podemos aprender a viver e a conviver.

A frase chave desta necessidade está na intenção de Deus ao criar o ser humano: Não é bom que o ser humano esteja só.(Gn 2, 18)

Sempre aprendemos muito convivendo com outras pessoas. E Jesus sabendo que dois seres inteligentes e livres sempre terão suas diferenças, para que estas não superem as necessidades de presença, afirma: vocês todos são irmãos, filhos do mesmo Pai que está nos céus.(Mt 23,8)

Em Lucas 5, 27-32
Jesus viu Levi, cobrador de impostos e o chamou. Levi seguiu-o logo. Mais tarde deu uma refeição de despedida aos amigos, cobradores de impostos. Os fariseus reclamaram de Jesus estar à mesa com esses pecadores. Cristo responde: “Não são os que tem saúde que precisam de médico e sim os doentes. Eu não vim chamar os justos mas os pecadores.”

Pode ser que Levi nada tenha ouvido sobre Jesus, e o chamado foi uma luz forte que tocou seu coração. Tudo é possível.

Mas acho que é impossível que um cobrador de impostos não tenha ouvido falar nada de Jesus.

O evangelho nos diz que a notícia sobre Jesus corria rápido de cidade em cidade. Levi em seu trabalho, principalmente já soubera de que Jesus acolhia a todos mesmo publicanos e pecadores.

Mas como os outros que foram chamados admiramos a resposta imediata. Jesus chamou. Ele foi com Jesus. Ainda deu prova de seu desprendimento do dinheiro que ganhava com o seu trabalho, com uma refeição de despedida e convida Jesus, seus amigos ricos e “pecadores” como eram julgados pelos fariseus.

O chamado de Deus para u´a missão importante não é proposta como a que nós humanos costumamos fazer. É  algo de especial. Diferente de tudo o que acontece entre as pessoas que muito se amam.

Tudo o que Deus idealiza não só já está determinado, como tem todos os meios para realizar o que deseja. Sem forçar ninguém. A única força é seu amor que envolve todo o ser das pessoas.

Podemos dizer que Levi ou Mateus se não desse atenção ao chamado de Jesus, caminharia na vida sem rumo. Pois quem se nega ao amor de Deus não encontra mais razão de viver.

O que mais conhecemos de Mateus é o evangelho onde ele relatou toda a vida de Jesus. A fidelidade com que escreveu tudo o que aconteceu com Jesus foi a resposta e a paga de tudo o que Jesus fez por ele e com ele. Além de todo o trabalho de evangelização na Judeia, depois na Etiópia e entre os partos e medos. Morreu como mártir da fé em Jesus.

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