Artigos, Lectio Divina › 21/08/2018

Quem então se salvará?

Em Ezequiel 28, 1-10, o profeta  devia dizer ao príncipe de Tiro: teu coração orgulhoso se apresentou como um deus. És sábio, conheces os segredos, adquiriste uma fortuna. Povos violentos se apossarão de seu reino e por isso morrerá nas mãos de um estrangeiro.

No pensamento religioso sobre a organização social os que são responsáveis pelo bem comum da população, os dirigentes, sejam reis, presidentes ou outros, devem assumir uma postura pessoal e frente às leis que orientam a vida do povo como um dever sagrado a ser cumprido.

Isto vale também para qualquer pessoa que tenha sob seus cuidados outras pessoas que participam de um trabalho que beneficie muitas pessoas.

O profeta aqui chama à atenção do rei por não cuidar do bem estar do povo e sim de seus próprios interesses.

É uma espécie de doença que se manifesta em pessoas que ao assumirem um trabalho comunitário, se aproveitam talvez dos benesses deste e cuidam mais de si que das pessoas que dependem de sua ação honesta e operosa.

Um remédio aparentemente doce que é o apoio de bajula-dores dos poderosos, às vezes se torna o próprio veneno que vai matar quem se fia neles e se aproveita para também se beneficiar.

Quem é designado a dirigir um grupo de pessoas deve ter o espírito de serviço, como Jesus deseja: Quem quer ser o maior seja o menor e aquele que serve(Lc 22,23).

Em Mateus 19, 23-30, Jesus disse que é difícil um rico entrar no reino dos céus. Os discípulos espantados disseram: “quem então se salvará?” E Jesus: “para as pessoas isto é impos-sível, não para Deus.” Pedro diz: “deixamos tudo e te seguimos, que receberemos?” “Vocês no fim dos tempos vão se sentar para julgar as pessoas. E todos os que deixaram sua família e seus bens receberão cem vezes mais e a vida eterna. Muitos que são agora os primeiros serão os últimos e muitos últimos serão os primeiros.”

A riqueza é assunto muitas vezes falado por Jesus. Todos somos ambiciosos. Não nos contentamos com o que temos. E quando com trabalho inteligente adquirimos bens terrenos, eles até se tornam nossos deuses a quem servimos.

O brilho do ouro sempre fascinou o ser humano. Nós já nos consideramos de valor por nossa inteligência e criatividade.

Quando então o que somos, fazemos e sonhamos cresce pela posição social que assumimos, mexe com nossa vaidade e espírito dominador e ultrapassamos os limites no relacionamento com quem depende de nós.

Um sinal desse espírito dominador é quando o adolescente desperta para a manifestação de sua liberdade.Ele começa a enfren-tar quem não “respeita” sua vontade própria de agir. Daí para a frente senão adquirir uma formação humana equilibrada vai sempre querer mostrar quem ele é e o que pode, apesar de outras exigências de respeito pelos outros.

Pedro apesar das palavras justas e sábias de Jesus,arrisca co-brar dele por ter deixado para trás: família, redes, barco velho, vida de pescador. Jesus lhe promete céu mais extenso que seu mar,  fir-mamento estrelado mais brilhante que suas redes, praia e família… Muitas vezes somos como Pedro: eu quero sim, seguir-te, mas…

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