Artigos, Notícias › 09/01/2021

O Batismo de Jesus, o nosso Batismo!

No Domingo de hoje, que se segue à festa da Epifania, comemoramos o Batismo de Jesus nas águas do rio Jordão. Foi este o primeiro ato da sua vida pública, narrado nos quatro Evangelhos ( Mt, Mc, Lc e Jo). Tendo chegado à idade de cerca de trinta anos, Jesus deixou Nazaré, foi ao rio Jordão e, no meio de muitas pessoas, fez-se batizar por João. O Evangelista Marcos escreve: “Logo ao sair da água, viu os céus se rasgarem e o Espírito, como pomba, descer sobre Ele. E dos céus veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em ti, eu me agrado” (Mc 1, 10 – 11). Nestas palavras: “Tu és o meu Filho muito amado”, revela-se o que é a vida eterna: é a relação filial com Deus, do modo como Jesus a viveu e no-la revelou e concedeu. Hoje, conclui o tempo de Natal.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o Batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal, no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19). Certamente, Jesus não tinha necessidade de ser batizado. Quis mostrar com aquele gesto de penitência que se havia feito um conosco, quis se introduzir na fila dos pecadores, porque veio para nos resgatar, carregando os nossos pecados. Quis proclamar com sua humildade o que para nós é uma necessidade. Assim, ficou preparado o batismo cristão. Não foi a água que santificou Jesus, mas Jesus que santificou as águas que serviriam ao batismo cristão.

O dia em que fomos batizados foi o mais importante da nossa vida, pois nele recebemos a Fé e a Graça. Antes de recebermos o Batismo, todos nós nos encontrávamos com a porta do Céu fechada e sem nenhuma possibilidade de dar o menor fruto sobrenatural.

Os pais e padrinhos, assumem a responsabilidade de educar a criança (filho ou afilhado) na fé! A tarefa dos pais, ajudados pelo padrinho e pela madrinha, consiste em educar o filho ou a filha. Educar é algo muito exigente, às vezes, árduo para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas, educar torna-se uma missão maravilhosa, se for levada a cabo em colaboração com Deus, que é o primeiro e autêntico educador de cada homem.

O Batismo não é um mero ato social, apenas uma tradição de família; também não é uma espécie de inscrição em clube de futebol. Não querer batizar uma criança, é não querer o filho como filho de Deus e herdeiro do Céu, e fortalecido por graça imensa. O mundo e o diabo não esperarão que os filhos deles tenham vinte anos para inocular o veneno do mal. Além disso, para serem coerentes com essa mentalidade, não deveriam ensinar nada, devendo deixar que decidam tudo, quando forem maiores. Meus pais não esperaram ser maior para pedir permissão de me colocar no colégio.

E quando os pais geram os filhos, perguntam se eles querem vir ao mundo? Não. Então, esperar para que pedir permissão para dar o maior presente: a vida divina oferecida por Deus? Supõe que os pais tenham fé e queiram ajudar a desenvolver o dom da fé. Essa é a responsabilidade dos pais. Por isso, a Igreja não quer que uma criança seja batizada contra a vontade dos pais. O batismo de bebês acontece tendo como fiança a fé dos pais.

O Evangelho (Mc 1, 7 – 11) diz-nos que a primeira e principal educação tem lugar através do testemunho; fala-nos de João Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos, porque os conduziu ao encontro com Jesus, de Quem tinha dado testemunho. Não se exaltou a si mesmo, não quis manter os discípulos ligados a si. E, no entanto, João era um grande profeta, e a sua fama era enorme. Quando Jesus chegou, ele retirou-se e indicou-O: “Depois de mim vem quem é mais forte do que eu. Eu não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia de suas sandálias. Eu vos batizei com água, Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1, 7 – 8). O verdadeiro educador não vincula as pessoas a si mesmo, não é possessivo. Quer que o filho, ou o discípulo, aprenda a conhecer a verdade, e estabeleça com ela uma relação pessoal. O educador cumpre o seu dever até ao fundo, e não faz faltar a sua presença atenta e fiel; mas a sua finalidade é que o educando ouça a voz da verdade falar ao seu coração, e que siga num caminho pessoal. Para os pais e padrinhos, como educadores, é muito importante a oração. A oração é a primeira condição para educar, porque quando oramos predispomo-nos a deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos e Ele, que os conhece antes e melhor do que nós mesmos, e sabe perfeitamente qual é o seu bem verdadeiro. E, ao mesmo tempo, quando rezamos pomo-nos à escuta das inspirações de Deus para cumprir bem a nossa parte, que, contudo nos compete e temos que realizar. A oração e os Sacramentos fazem-nos alcançar aquela luz de verdade, graças à qual podemos ser, ao mesmo tempo, ternos e fortes, usar a docilidade e a firmeza, calar e falar no momento justo, repreender e corrigir de maneira correta.

Devemos agradecer a Deus a Graça do Batismo. Agradecer que nos tenha purificado a alma da mancha do pecado original, bem como de qualquer outro pecado que tivéssemos naquele momento. A água batismal significa e atualiza de um modo real o que é evocado pela água natural: a limpeza e a purificação de toda a mancha e impureza.

“Graças ao Sacramento do Batismo tu te converteste em templo do Espírito Santo: não te passe pela cabeça – exorta São Leão Magno – afugentar com as tuas más ações um hóspede tão nobre, nem voltar a submeter-te à servidão do demônio, porque o teu preço é o sangue de Cristo.”

Na Igreja, ninguém é um cristão isolado. A partir do Batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. O Batismo é a porta por onde se entra na Igreja.

“E na Igreja, precisamente pelo Batismo, somo todos chamados à santidade” (LG 11 e 42), cada um no seu próprio estado e condição. A chamada à santidade e a consequente exigência de santificação pessoal são universais: todos, sacerdotes e leigos, estamos chamados à santidade; e todos recebemos, com o Batismo as primícias dessa vida espiritual que, por sua própria natureza, tende à plenitude. É importante lembrar o caráter sacramental do Batismo “um certo sinal espiritual e indelével” impresso na alma no momento (Dz, 852). É como um selo que exprime o domínio de Cristo sobre a alma do batizado. Cristo tomou posse da nossa alma no momento em que fomos batizados. Ele nos resgatou do pecado com a sua Paixão e Morte.

Com estas considerações, é fácil compreender porque é de desejar que as crianças recebam logo o Batismo. Desde cedo a Igreja pediu aos pais que batizassem os seus filhos o quanto antes. É uma demonstração prática de fé. Não é um atentado contra a liberdade da criança, da mesma forma que não foi uma ofensa dar-lhe a vida natural, nem alimentá-la, limpá-la, curá-la, quando ela própria não podia pedir esses bens. Pelo contrário, a criança tem direito a receber essa graça. No Batismo está em jogo um bem infinitamente maior do que qualquer outro: a Graça e a Fé; talvez a salvação eterna. Só por ignorância e por uma fé adormecida se pode explicar que muitas crianças sejam privadas pelos seus próprios pais, já cristãos, do maior dom da sua vida.

Também nós fomos marcados pelo Espírito Santo. No Batismo, Ele derramou-se sobre nós. Fomos chamados a viver segundo o Espírito. Isto significa um ato de fé na presença atuante do Espírito Santo em nós. Implica uma disponibilidade para deixar-se conduzir por ele a fim de realizar uma missão como a de Cristo.

Na celebração do Batismo, temos os gestos e os símbolos. O primeiro gesto é o Sinal da Cruz, que nos é dado como escudo que deve proteger a criança ( batizando) na sua vida; é como um “indicador” para o caminho da vida, porque a Cruz é o resumo da vida de Jesus. Depois há os elementos: a água, a unção com o óleo, as vestes brancas e a vela acesa. A água é o símbolo da vida: o Batismo é a vida nova em Cristo. O Óleo é o símbolo da força, da saúde, da beleza, porque é realmente belo viver em comunhão com Cristo. Como é grande a dádiva do Batismo! Se nos déssemos realmente conta, a nossa vida tornar-se-ia um “obrigado” contínuo. Que alegria para os pais cristãos, que viram desabrochar do seu amor uma nova criatura, levá-la à pia batismal e vê-la renascer do seio da Igreja, para uma vida que nunca terá fim! Dom, alegria, mas também responsabilidade! Com efeito, os pais, juntamente com os padrinhos devem educar os filhos em conformidade com o Evangelho.

Depois, a veste branca, como expressão da cultura da beleza, da cultura da vida. E por fim, a chama da vela acesa, como expressão da verdade que resplandece nas obscuridades da História e nos indica quem somos, de onde provimos e para onde devemos ir.

Em virtude do Batismo somos chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo. Como diz o Documento de Aparecida, nº 209: “Os fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo Batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo a sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja.”

“Enquanto batizado, o homem deve sentir-se enviado pela Igreja a todos os campos de atividade que constituem sua vocação e missão, para dar testemunho como discípulo e missionário de Jesus Cristo…” (nº 460, do Documento de Aparecida).

Caros irmãos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o tempo de Natal. Demos graças a Deus por este grande Mistério, que é fonte de regeneração para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus fez-se filho do homem, para que o homem se torne filho de Deus. Por isso, renovemos a alegria de ser filhos: como homens e como cristãos. Nascidos do amor de um pai e de uma mãe, e renascidos do amor de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos os que creem n’Ele, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com palavras, mas com ações. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que Ele nos deu” (1Jo 3, 23).

Que a Virgem Maria nos conceda compreender cada vez mais o valor do nosso Batismo e testemunhá-lo com uma digna conduta de vida.

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