Liturgia diária › 28/12/2020

Ano B (Ímpar) – Mártires: Santos Inocentes – Evangelho – Mt 2,13-18

Leitura da Primeira Carta de São João 1,5-2,2

Caríssimos:
5A mensagem, que ouvimos de Jesus Cristo
e vos anunciamos,
é esta:
Deus é luz e nele não há trevas.
6Se dissermos que estamos em comunhão com ele,
mas andamos nas trevas,
estamos mentindo e não nos guiamos pela verdade.
7Mas, se andamos na luz,
como ele está na luz,
então estamos em comunhão uns com os outros,
e o sangue de seu Filho Jesus
nos purifica de todo pecado.
8Se dissermos que não temos pecado,
estamo-nos enganando a nós mesmos,
e a verdade não está dentro de nós.
9Se reconhecermos nossos pecados,
então Deus se mostra fiel e justo,
para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda culpa.
10Se dissermos que nunca pecamos,
fazemos dele um mentiroso
e sua palavra não está dentro de nós.
2,1Meus filhinhos,
escrevo isto para que não pequeis.
No entanto, se alguém pecar,
temos junto do Pai um Defensor:
Jesus Cristo, o Justo.
2Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados,
e não só pelos nossos,
mas também pelos pecados do mundo inteiro.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 123(124),2-3.4-5.7b-8 (R. 7a)

R. Nossa alma como um pássaro escapou
do laço que lhe armara o caçador.

2Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, *
quando os homens investiram contra nós,
3com certeza nos teriam devorado *
no furor de sua ira contra nós.R.

4Então as águas nos teriam submergido, *
a correnteza nos teria arrastado,
5e então, por sobre nós teriam passado *
essas águas sempre mais impetuosas.R.

7bO laço arrebentou-se de repente, *
e assim nós conseguimos libertar-nos.
8O nosso auxílio está no nome do Senhor, *
do Senhor que fez o céu e fez a terra!R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,13-18

13Depois que os magos partiram,
o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
e lhe disse:
“Levanta-te, pega o menino e sua mãe
e foge para o Egito!
Fica lá até que eu te avise!
Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.
14José levantou-se de noite,
pegou o menino e sua mãe,
e partiu para o Egito.
15Ali ficou até à morte de Herodes,
para se cumprir
o que o Senhor havia dito pelo profeta:
“Do Egito chamei o meu Filho”.
16Quando Herodes percebeu
que os magos o haviam enganado,
ficou muito furioso.
Mandou matar todos os meninos de Belém
e de todo o território vizinho,
de dois anos para baixo,
exatamente conforme o tempo indicado pelos magos.
17Então se cumpriu
o que foi dito pelo profeta Jeremias:
18“Ouviu-se um grito em Ramá,
choro e grande lamento:
é Raquel que chora seus filhos,
e não quer ser consolada,
porque eles não existem mais”.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

Na 1ª. carta, 1, 5-2.2, S. João, escreve que Deus é luz. Quem está com Ele está iluminado.  Ele, nosso defensor junto do Pai, vítima por nossos pecados, nos purifica de nossos pecados.      

Em todos os povos de todos os tempos a luz, o sol, a claridade é meio para se enxergar a vida e o que há em torno de nós.

Palavra de Deus fala muito sobre a luz como realidade física necessária para a vida, por mostrar a natureza, e exercer influência de ação e transformação dos seres vivos, seja como condição espiritual, quase como imperceptível para nos concentrar-nos nos pensamentos, ideias, solução de problemas etc. E de modo muito especial como aquela luz sobrenatural que nos vem de Deus e nos leva até Ele.

As comparações entre luzes e trevas dizem respeito na vida religiosa à união com Deus ou ao afastamento d´Ele. Quase como que Luz correspondesse à Vida.

Em peças teatrais assistimos a momentos de surpresa em que a cenografia se vale no preparo da cena que fica ainda oculta ao público. E quando as luzes se acendem o impacto e maior, a atenção e curiosidade crescem.

Em momentos psicológicos como religiosos experimentamos também esta sensação de quase renascimento. Depois de um tratamento seja de doença física que tenha abatido muito a pessoa, seja psicológica, quando se consegue superar o desânimo ou pessimismo, a sensação da cura ou transformação quase total se assemelha a uma iluminação total de nosso espírito diante da mudança tão benéfica.

O pecado para quem tem sensibilidade religiosa, é como um empecilho que se coloca em nossa frente, para não enxergarmos o valor que é sermos amados por Deus.

Quando Jesus inventou ou melhor proporcionou para nós a busca do perdão de Deus para nossos pecados pelo sacramento da Penitência, deu-nos uma condição especial para experimentar de perto o Coração misericordioso de Deus que nos abraça e nos mostra bem forte quanto Ele nos ama e deseja ser amado.

Há pessoas (santos) que experimentaram sensivelmente este abraço paterno de Deus na hora de sua confissão. É como sentir numa manhã cedo o ar puro que aspiramos e enche nosso pulmão, dando-nos uma sensação de saúde e segurança.

            Em Mateus, 2, 13-18,  após a visita dos santos reis, um anjo diz a José para fugir para o Egito porque o rei quer matar o Menino. Como os reis sábios não voltaram a Herodes, este mandou matar todas as crianças de Belém de dois anos para baixo. Cumpriu-se o que havia dito o profeta  Jeremias: Raquel chora a morte de seus filhos.

A história se repete na vida dos tiranos, dos chefes de estado que se julgam poderosos mais até que Deus.

Jesus veio viver a vida comum das pessoas sujeito a todas as dificuldades e trabalhos. Jesus não teve nenhuma proteção nem privilégios em sua família. Bem que merecia, mas quis viver aqui como cada pessoa vive com seus trabalhos, seus problemas, encontrando pessoas que acolhiam e outras que rejeitavam outras que perseguiam e até, como é o caso, querer matar.

Nem pensemos: que terrível esse Herodes! Em cada um de nós existe também algo parecido com o espírito de Herodes. Quantas vezes em nossa convivência, em nosso trabalho não somos justos nos julgamentos das pessoas. Invejosos quando alguém se sai bem e deveria ser promovido, e eu ponho minha dúvidas para atrapalhar quem merece subir e talvez mostrar melhor trabalho que eu.

Um vício capital no qual pensamos pouco é a inveja! Todos nós sentimos a influência deste sentimento: em vez de alegrar-nos com o êxito de pessoas que convivem conosco e se destacam, bombardeamos de uma forma ou de outra, impedindo o crescimento das pessoas. E atrasamos a realização do reino de Deus com nossos apegos ao que fazemos, e não enxergando pessoas que poderiam crescer se eu desse oportunidade. Ninguém é insubstituível !

Cultivemos um pouco mais valorizar as pessoas, mesmo que  percamos  algo pelo caminho.   E isso também pode acontecer com a vaidade de alguns pais que determinam a profissão de seus filhos sem querer ouvir o que eles realmente desejam. Não importa que errem, contanto que ajudemos sempre a pensar e a pesar os prós e os contra para a escolha sempre também e muito deles.  Muitos pais querem clonar seus filhos    para se sentirem orgulhosos de terem continuadores de sua profissão.

Na ação apostólica também há pessoas nas paróquias que não gostam de mudar nada. Quando aparecem novas ideias nem querem ouvir. Não custa nada experimentar provisoriamente para confirmar se vale a pena mesmo Melhor do que impor o que nós pensamos como se só nós soubéssemos o que é melhor.