Liturgia diária › 25/01/2021

Ano B (Ímpar) – Festa Conversão de São Paulo – Evangelho – Mc 16,15-18

Leitura dos Atos dos Apóstolos 22,3-16

Naqueles dias, Paulo disse ao povo:
3“Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia,
mas fui criado aqui nesta cidade.
Como discípulo de Gamaliel,
fui instruído em todo o rigor da Lei
de nossos antepassados,
tornando-me zeloso da causa de Deus,
como acontece hoje convosco.
4Persegui até à morte os que seguiam este Caminho,
prendendo homens e mulheres
e jogando-os na prisão.
5Disso são minhas testemunhas o Sumo Sacerdote
e todo o conselho dos anciãos.
Eles deram-me cartas de recomendação
para os irmãos de Damasco.
Fui para lá,
a fim de prender todos os que encontrasse
e trazê-los para Jerusalém,
a fim de serem castigados.
6Ora, aconteceu que, na viagem,
estando já perto de Damasco, pelo meio dia,
de repente uma grande luz que vinha do céu
brilhou ao redor de mim.
Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia:
`Saulo, Saulo, por que me persegues?’
8Eu perguntei:
`Quem és tu, Senhor?’
7Ele me respondeu:
`Eu sou Jesus, o Nazareno,
a quem tu estás perseguindo’.
9Meus companheiros viram a luz,
mas não ouviram a voz que me falava.
10Então perguntei:
`Que devo fazer, Senhor?’
O Senhor me respondeu:
`Levanta-te e vai para Damasco.
Ali te explicarão tudo o que deves fazer’.
11Como eu não podia enxergar,
por causa do brilho daquela luz,
cheguei a Damasco
guiado pela mão dos meus companheiros.
12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei,
com boa reputação
junto de todos os judeus que aí moravam,
13veio encontrar-me e disse:
`Saulo, meu irmão, recupera a vista!’
No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo.
14Ele, então, me disse:
`O Deus de nossos antepassados
escolheu-te para conheceres a sua vontade,
veres o Justo e ouvires a sua própria voz.
15Porque tu serás a sua testemunha
diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste.
16E agora, o que estás esperando?
Levanta-te, recebe o batismo
e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!'”
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 116(117),1-2 (R. Mc 16,15)

R. Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, *
povos todos, festejai-o!R.

2Pois comprovado é seu amor para conosco, *
para sempre ele é fiel!R.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 16,15-18

Naquele tempo,
Jesus se manifestou aos onze discípulos,
15e disse-lhes:
“Ide pelo mundo inteiro
e anunciai o Evangelho a toda criatura!
16Quem crer e for batizado será salvo.
Quem não crer será condenado.
17Os sinais que acompanharão
aqueles que crerem serão estes:
expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas;
18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal
não lhes fará mal algum;
quando impuserem as mãos sobre os doentes,
eles ficarão curados”.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

No livro Atos dos Apóstolos,  22, 3-16, o apóstolo Paulo narra que  ele antes de conhecer Jesus perseguia os cristãos. E o que aconteceu na estrada  de Damasco quando ia lá para prender e trazer os cristãos. Uma luz o derrubou ao chão. Jesus lhe fala. Saulo responde. E fica cego. Depois foi conduzido a Damasco, onde se encontrou com Ananias que o instruiu e o batizou. Recuperou a vista. Preparou-se então para sua nova tarefa: apóstolo de Cristo.

Nesta passagem o próprio S. Paulo descreve sua conversão. E em Atos 9, 1-22, temos a narrativa mais completa por S. Lucas.

Com este fato do apóstolo e de outros na vida de muitos santos, percebemos que nada impede a Deus de mudar o rumo da vida das pessoas.

Algumas vezes é pelo amadurecimento pessoal que vai acontecendo aos poucos, na caminhada de cada um para Deus. Esta maneira é a mais comum. Mas às vezes Deus o faz de repente e sua ação divina é tão forte que não há como resistir, como aqui no caso de Paulo.

Não preciso ficar fazendo considerações sobre o que, como, quando e porque Deus decide agir como age. Sua Providência é que decide.

Os fatos raros são para convencer os mais fracos que duvidam do poder de Deus sobre qualquer mente e vontade humanas.

Mas podemos pensar um pouco, imaginando como acontece.

O plano normal de Deus para o ser humano conhecê-lo é perfeito. Temos capacidades suficientes e necessárias para chegar a descobrir sua existência e avaliar por experiências pessoais quem Ele é, o que pode e o que aos poucos vai se manifestando a cada um de nós.

Mesmo que algumas pessoas digam que Deus não existe, que Ele é fantasia do ser humano, que sempre quer imaginar sonhos fantásticos para se distrair. Alguém que apresente argumentos os mais fortes de sabedoria humana para provar que Deus não existe, nunca estará seguro para responder a alguns fatos também da ciência, mas muito da vida humana diante do inimaginável ou absurdo. Por exemplo: ninguém pode negar um poder superior capaz de curar um cego de nascença, ao dizer: enxerga! E o cego fica logo perfeito em sua visão sem nenhuma cirurgia (aliás impossível mesmo hoje) como um órgão perfeito em tudo.

O orgulho, ou melhor a vontade de não aceitar nada que não possa ser explicado, não vem de uma inteligência sincera e verdadeira. É da vontade de não aceitar porque não quer, não porque não exista.

Abra bem seus olhos e olhe diretamente para o sol em sua luz límpida ao meio dia e arrisque dizer: sol, você não existe. Estou te enfrentando e nada me acontecerá porque você não existe!

Quem ouve isso vai zombar de mim! Claro que vou ficar cego!

Quando alguém disse olhando para o céu: Deus, você não existe. É fruto da imaginação de pessoas ignorantes. Ficará cego, sim sem poder dar explicações para realidades bem microscópicas, e continuará dizendo a um vírus: você não existe, eu não estou vendo, tu tão minúsculo jamais me derrubarás a mim um ser humano que pode te esmagar com um dedo! Porque podes mais que eu, cientista e filósofo muito inteligente e preparado? Quem és tu para me enfrentares?

            Em Marcos, 16, 15-18, Jesus se despede de seus apóstolos, enviando-os a todos os lugares para anunciar a chegada do Reino. Quem  acreditasse deveria ser batizado. Deu-lhes poder de curar todas as doenças.

Jesus aqui no dia de sua ida aos céus se despede dos apóstolos e lhes confia a missão de difundir a Boa Nova do evangelho.

O evangelista afirma: para anunciar a chegada do Reino de Deus. agora para todos os povos. Os judeus são a origem e o caminho. E é deles que vem o Salvador que será seu rei e Senhor.

Este reino tem vários nomes: reino dos céus, novo Reino, que não é

deste mundo, reino de Cristo (meu reino), são as várias denominações deste Reino que Jesus vai instaurar definitivamente.

Começa aqui na terra. Como? O reino de Deus já está dentro de nós!(Lc 17,21) quem dá sentido ao reino é o rei, ter um rei.

Muitas vezes a Palavra de Deus fala do Senhor que é rei. Os salmos repetem muitas vezes: Deus é Rei. Quando Jesus entrou em Jerusalém, montado num jumentinho, o povo gritava: bendito o rei que vem em nome do Senhor…(Lc 19, 37b)

Para o povo, ser um reino, ter um rei, tem um sentido profundo de dignidade que cria estabilidade a um povo. Não é um aglomerado de famílias, não é uma aldeia desconhecida, não é uma tribo de gente desorganizada, fraca, incapaz de enfrentar qualquer inimigo. E ainda para dar mais visão de cidade fortificada, às vezes tem muros que os protege.

O sentido é de um povo forte para as pessoas, mas para Jesus, um povo não guerreiro, nem invasor, nem dominador, mas um reino cuja bandeira é o amor, cujo exército é composto de pastores e ovelhas, cujas leis tem a finalidade de preparar as pessoas, as famílias para a vida.

E vida que vem e se manifesta pela presença do Senhor dos Senhores, cuja força de união é de todos se sentirem irmãos, filhos do mesmo Pai dos céus e da terra.