Liturgia diária › 21/04/2017

Ano A – 6ª-feira na Oitava da Páscoa – Evangelho – Jo 21,1-14

Liturgia da Horas
Primeira Semana do Saltério.
Laudes (Manhã); Hora Sexta (Meio dia); Vésperas (tarde) e Completas (noite)

Liturgia da Missa
Cor: Branco – Missa: Prefácio da Páscoa.

Leituras do Dia
1ª Leitura – At 4,1-12
Salmo – Sl 117, 1-2.4. 22-24. 25-27a (R. 22)

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 21,1-14

Naquele tempo:
1Jesus apareceu de novo aos discípulos,
à beira do mar de Tiberíades.
A aparição foi assim:
2Estavam juntos Simão Pedro,
Tomé, chamado Dídimo,
Natanael de Caná da Galiléia,
os filhos de Zebedeu
e outros dois discípulos de Jesus.
3Simão Pedro disse a eles: ‘Eu vou pescar’.
Eles disseram: ‘Também vamos contigo’.
Saíram e entraram na barca,
mas não pescaram nada naquela noite.
4Já tinha amanhecido,
e Jesus estava de pé na margem.
Mas os discípulos não sabiam que era Jesus.
5Então Jesus disse:
‘Moços, tendes alguma coisa para comer?’
Responderam: ‘Não’.
6Jesus disse-lhes:
‘Lançai a rede à direita da barca, e achareis.’
Lançaram pois a rede
e não conseguiam puxá-la para fora,
por causa da quantidade de peixes.
7Então, o discípulo a quem Jesus amava
disse a Pedro: ‘É o Senhor!’
Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor,
vestiu sua roupa, pois estava nu,
e atirou-se ao mar.
8Os outros discípulos vieram com a barca,
arrastando a rede com os peixes.
Na verdade, não estavam longe da terra,
mas somente a cerca de cem metros.
9Logo que pisaram a terra,
viram brasas acesas,
com peixe em cima, e pão.
10Jesus disse-lhes:
‘Trazei alguns dos peixes que apanhastes’.
11Então Simão Pedro subiu ao barco
e arrastou a rede para a terra.
Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes;
e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.
12Jesus disse-lhes: ‘Vinde comer’.
Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar
quem era ele, pois sabiam que era o Senhor.
13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles.
E fez a mesma coisa com o peixe.
14Esta foi a terceira vez que Jesus,
ressuscitado dos mortos,
apareceu aos discípulos.
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

Em Atos, 4, 1-12, os apóstolos estavam ainda falando ao povo sobre os acontecimentos e sobre Jesus chegaram os sacerdotes e prenderam Pedro e João. Mas o povo tinha acreditado nos apóstolos e aumentava sempre mais os que criam: cerca de cinco mil. Os  chefes reuniram o todo o sinédrio. Chamaram Pedro e João e lhes perguntaram com que poder e em nome de quem estavam fazendo. Pedro então falou-lhes sobre Jesus que eles crucificaram  e que ressuscitou. E em nenhum outro há salvação, pois não existe outro nome dado às pessoas pelo qual possamos ser salvos.

Os chefes religiosos não tinham sossego. De nada adiantou tanto sofrimento a Jesus e sua morte. O que é de Deus ninguém consegue derrubar. Os apóstolos frequentavam o templo, o povo gostava de ouvi-los, estavam seguindo seus conselhos, mais de 5 mil se batizaram no nome de Jesus. E agora aquele paralítico curado…

Os chefes judeus tinham de dar fim também aos discípulos de Jesus.

Mandaram prendê-los. Estavam julgando sobre os últimos acontecimentos. Os apóstolos repetiram tudo diante deles. Afirmaram que a cura era pelo nome de Jesus a quem eles haviam crucificado.

Quando seguimos mais o que nos agrada ou interessa, sempre esquecemos de Deus. E quem esquece de Deus vai aos poucos perdendo o sentido da vida.

Às vezes fico pensando nas pessoas que usam drogas e descontrolam suas mentes e seus sentimentos porque perdem sua sensibilidade natural que equilibra a saúde e o cérebro. Fazem coisas de que depois nem se lembram. Procuram  outras que não a ajudam em sua vida normal e no bom relacionamento com os outros.

O pecado, deve ser semelhante à droga. É como um afastamento de Deus, desliga o equilíbrio de nosso ser. As conexões ficam embaralhadas e as combinações de pensamento, razão, sentimentos, escolhas, decisões  não conseguem harmonizar-se para viver e conviver normalmente.

Estava pensando numa comparação: quandoDeus criou o homem, segundo a imagem escolhida por Moisés, Ele fez um boneco de barro e soprou sobre ele infundindo-lhe a vida humana.(Gn 1,7) Quando o homem ofende a Deus com seu pecado, de alguma forma se desvia do sopro de Deus e o boneco humano que ele faz perde suas  conexões e falha em sua harmonia.

Os chefes religiosos judeus se desligaram de Deus, ficaram com seu poder religioso sobre o povo e já não sentiam mais o sopro de Deus sobre eles.

            Em João 21 1-14,  Pedro foi pescar com seus companheiros. Nada pescaram. De manhã quando voltavam, Jesus estava na praia, não perceberam que era ele. Jesus pediu peixe. Disseram que nada tinham pescado. Disse então Jesus: “Lancem as redes à direita.” Lançaram e pescaram muitos peixes. João disse a Pedro: “é o Senhor”. Simão lançou-se à água. Quando os discípulos chegaram com a barca, Jesus havia preparado brasas com peixes por cima. Tiraram as redes cheias de peixe. Jesus convidou-os para comer. Ninguém perguntava quem era ele. Sabiam que era o Senhor. Distribuiu peixes e pão entre eles.

Jesus sabe como e onde encontrar-nos. Diz o salmo 138/139 que podemos ir aonde quisermos. Deus ou vai ao  nosso encontro ou já está nos esperando lá.

Não sei o que passava pela cabeça de Pedro e de seus companheiros de profissão. Jesus ressuscitou (sabiam já ou não), tinha ido embora e eles voltam para o trabalho de seu sustento.

Se eles se esqueceram que tinham sido chamados para um trabaho especial com Jesus antes vivo, agora… a verdade é que voltaram para a sua antiga vida que era a sua profissão…

Se eles se esqueceram do chamado de Jesus ou se queriam ocupar seu tempo enquanto tudo se esclarecia, não sei.

Lá estavam no antigo trabalho. É para lá que Jesus vai. E da praia pede peixe. Nada tinham. Manda que joguem as redes à direita. Estranho, quem era para mandar algo assim não inusitado a pescadores experimenta-dos. Mas jogaram. Pescaram. João, olhou melhor. Disse a Pedro que era o Mestre. Pedro não pensa em mais nada cai na água e vai ao encontro do Mestre…

Quando chegam os peixes, Pedro vai pegar o alimento e Jesus já tinha preparado uma pequena fogueira e estava assando peixe e pão.

A simplicidade desta narrativa é algo simples e maravilhoso.

Jesus, sempre com suas surpresas. Quem ama e pode muito é assim!

Quantas vezes na praia de nossa vida apareceu Jesus pedindo peixe, pedindo fruto de nosso trabalho, para cear conosco. Ele vem com a pequena-grande fogueira de seu amor e como vê que nada temos a oferecer, Ele mesmo prepara a nossa mesa na praia de nossa vida e nos convida a cear com Ele.

Pobres pescadores que somos, tentando no lago de nossas vidas pegar algum peixe, alguma obra caridosa, algum resultado de toda uma noite de preocupações com coisas que não conseguem nos alimentar…

Jesus aceita convidados que nada tem a oferecer. E Ele mesmo prepara o fogo e deita por cima seu alimento…

Precisamos jogar nossas redes ao lado direito de nosso mar vazio. Lá Jesus nos fará pescar peixes em abundância…