Liturgia diária › 17/02/2017

Ano A – 6ª-feira da 6ª Semana do TC – Evangelho – Mc 8,34-9,1

Liturgia da Horas
Segunda Semana do Saltério.
Laudes (Manhã); Hora Sexta (Meio dia); Vésperas (tarde) e Completas (noite)

Liturgia da Missa
Cor: Verde – Missa do Tempo Comum.

Leituras do Dia
1ª Leitura – Gn 11,1-9
Salmo – Sl 32,10-11. 12-13. 14-15 (R. 12b)

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 8,34-9,1

Naquele tempo:
34Chamou Jesus a multidão com seus discípulos
e disse: ‘Se alguém me quer seguir,
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
35Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
mas quem perder a sua vida por causa de mim
e do Evangelho, vai salvá-la.
36Com efeito, de que adianta ao homem
ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida?
37E o que poderia o homem dar
em troca da própria vida?
38Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras
diante dessa geração adúltera e pecadora,
também o Filho do Homem se envergonhará dele,
quando vier na glória do seu Pai
com seus santos anjos.’
9,1Disse-lhes Jesus: ‘Em verdade vos digo,
alguns dos que aqui estão,
não morrerão sem antes terem visto o Reino de Deus
chegar com poder.’
Palavra da Salvação.

Comentário Monsenhor Paulo Daher

No livro do Gênesis, 11, 1-9, por toda a terra as pessoas se entendiam falando a mesma língua. Começaram então a construir uma torre muito alta. Cujo nome foi Babel, para alcançar o céu. Deus fez com que começassem a falar linguagem diferente. Eles se desentenderam e se dispersaram por toda a terra.

Moisés escolheu esta forma de apresentar a razão dos problemas que naturalmente iam aparecendo na convivência entre os seres humanos

O que se destaca aqui é a vontade que passa pela cabeça das pessoas, ao verificarem suas capacidades, de se considerarem quase como deuses, senhores da história, donos do mundo.

Desde o início da humanidade pela diferença de realizações, as pessoas fazem comparações de disputa de lugares na sociedade.

O princípio da fraternidade verdadeira muitas vezes é deixado de lado, porque sempre há e haverá uns que se saem melhor que os outros. E ao invés de quem se sente mais senhor da situação ajudar o que está ficando paa trás, dar a mão ao outro que se distancia, vai correndo na frente. Para ficar nos primeiros lugares como falou Jesus no evangelho(Mt 23,6s)

Uma vez um apressado pediu a um senhor que lhe cedesse o lugar no avião prestes a decolar para S. Paulo. Tanto insistiu que o outro lhe cedeu. Chegando em S. Paulo, o apressadinho conseguiu chegar na hora ao local de uma Palestra importante. Demorou a começar. Até que chegou o palestrante e iniciou sua fala. Era aquele senhor que cedera o horário no avião.

Moisés usou esta maneira talvez para explicar a diferença de línguas e dialetos que já havia entre as cidades.

Mas aproveitemos o exemplo. Quando nos consideramos irmãos uns dos outros, nossa linguagem é a mesma. Quando nos distanciamos uns dos outros sendo só conhecidos, vizinhos ou extrangeiros, nem sempre nos entendemos.

Jesus insistia muito em que todos somos filhos de Deus e irmãos entre nós, da mesma família.

Há pessoas que indo a outros países procuram saber os que pertençam às mesmas entidades civis ou religiosas para se sentirem como em casa.

Há pessoas também que são acolhedoras por si mesmas, facilitando a estadia de outras pessoas em ocasião de encontros religiosos ou não.

Em Marcos, 8, 34-9,1, Jesus disse:”quem quiser seguir-me renuncie a si mesmo e tome sua cruz. Quem quiser salvar sua vida, vai perde-la  e quem perder sua vida por causa de mim e do evangelho vai salvá-la. Que adianta a pessoa ganhar o mundo inteiro se vier a perder a própria vida. Quem se envergonha de mim e de minhas palavras, o Filho do Homem também vai abandoná-lo quando  estiver glorificado com seu Pai.

Há cristãos que sentem um calafrio quando leem esta passagem do evangelho. São tão apegados à sua vida, que não são capazes de renunciar a nada. A renúncia não é jogar tudo fora, senão não sobra nada.

Renúncia tem mais o sentido de domínio sobre nossos desejos, sonhos, planos, vontade. Ter dosagem em tudo. Aliás nosso próprio organismo, o funcionamento de nosso corpo já possui um alerta que nos chama à atenção para o que está passando dos limites.

O comer, o beber, o descansar, o trabalhar, o dormir. Nosso corpo no físico, nossa mente no pensar, nosso espírito (psiquê) com as preocupações etc. sinalizam logo quando algo passa dos limites. E quando acontece que vamos além do que deveríamos, temos logo as respostas.

A renúncia deve levar-nos ao equilíbrio em todas essas ações e reações, e ao domínio e o controle gradual.

O que torna talvez a renúncia um ato moral e religioso é uma dosagem menor no uso de todos esses atos ou ocupações, reservando o tempo que subtraímos do que necessitamos, sem prejudicar a saúde física e psíquica, para realizar ações em beneficio dos outros.

Assim posso diminuir meu tempo de sono para rezar um pouco mais. Ou diminuir outros tempos de ocupação necessária e realizar alguma ação em benefício dos outros.

Se eu me privo de algo de que gosto, mas que de fato não é  moralmente bom, não é renúncia mesmo, é mais obrigação.

A cruz pode ter sentido de sofrimento ou de responsabilidade.

Ganhar ou perder a vida por causa do evangelho pode ser deixar de  viver uma vida mais cômoda, ou em que penso realizar algo de que gosto muito ou me daria um status social privilegiado, e escolher um estado de vida em que me dedico aos mais necessitados ou mesmo a um trabalho em benefício de outros porque talvez sem essa minha dedicação não teriam condição humana melhor para viver. Seja em sentido social seja no sentido religioso.